sábado, 18 de julho de 2015

Considerado um dos maiores violonistas vivos do país, Turíbio Santos comemora 60 anos de carreira





No início dos anos 90, o restaurante 'Segredos de Itapoan', em Salvador BA, foi palco de um dos mais representativos espaços de cultura e boa música na capital baiana. Às quintas-feiras, o cantor e compositor Xangai pilotava o projeto “Quintoria” onde recebia seus convidados, sempre comprometidos com a boa música


Pelo “Quintoria” passaram nomes ligados à música regional, como Edgar Mão Branca e Timbaúba, mas também atrações com raízes no erudito. Em uma dessas apresentações, procurei Xangai no camarim para que ele autografasse o disco “Dos Labutos”, ele estava ao lado do seu convidado do dia e me perguntou: “você conhece esse malungo?” Respondi: “mestre Xangai, não sei se o conheço, mas sei que ele é o maior intérprete vivo de Villa-Lobos. Por favor Turíbio Santos, na sua apresentação, execute, por gentileza, “Sons de Carrilhões”, de João Pernambuco”. Xangai deu aquele seu sorriso largo e disse: “Esse lhe conhece, Turíbio...”. Turíbio, gentleman como é da sua estirpe, executou com a maestria de sempre, a obra prima de João Pernambuco.

Euriques Carneiro

Influências de Tom Jobim e Villa-Lobos

Turíbio Santos deixa claro como o compositor das clássicas bachianas e um dos pais da bossa nova — ambos se deixaram impregnar pelos sons da natureza – o influenciaram ao longo da carreira artística. Ele faz essas e outras reflexões em ‘Caminhos, encruzilhadas e mistérios’, autobiografia comemorativa dos 60 anos de trajetória como violonista.

Para ele, escrever o livro, que traz um DVD encartado, “foi um exercício intenso de memória sentimental e crítica, do reatamento de grandes amizades e do retorno afetivo a países que percorri”. Turíbio vê, também, como de grande importância seu caso de amor com a obra de Villa-Lobos e com a lembrança de Dona Arminda (a mulher do compositor). “Dona Mindinha foi minha querida madrinha musical”.

Turíbio Santos já gravou 65 discos e dividiu palco com grandes orquestras do país e do mundo. Foi ele quem criou a Orquestra Brasileira de Violões em 1985. Ele também foi presidente da Academia Brasileira de Música, fundada por Villa Lobos de quem regravou muitos trabalhos.

História


Um dos maiores nomes do violão erudito brasileiro, nasceu em São Luís (MA), filho de pai violonista que, aos 3 anos de idade mudou-se com a família para o Rio de Janeiro. Aos 10 começou a estudar violão mais seriamente, tendo aulas com Oscar Caceres e Edino Krieger. Realizou a primeira gravação dos "12 Estudos" de Villa-Lobos aos 19 anos.

Nos anos 60 integrou, ao lado de Hermínio Bello de Carvalho, um movimento que buscava unir a música erudita à popular, por meio de uma série de concertos, shows e gravações. Por essa época, apresentou-se ao lado de Jacob do Bandolim, Aracy de Almeida, Clementina de Jesus e Paulo Tapajós. Mesmo assim continuou investindo primordialmente em sua carreira de músico erudito.

Estudou na França, na Inglaterra (com Julian Bream) e Espanha (com Segovia), morando por vários anos em Paris, onde foi professor do conservatório. Desenvolveu uma carreira de sucesso tanto no universo erudito quanto no popular, tanto no Brasil quanto no exterior. Com mais de 40 discos gravados, fundou em 1983 a Orquestra Brasileira de Violões e é diretor do Museu Villa-Lobos, no Rio de Janeiro, desde 1985.

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