domingo, 5 de julho de 2015

Aos 93 anos, Riachão é um dos últimos representantes da nata do samba





Roupa bem passada, sapatos brancos, anéis coloridos, energia de menino, sorriso de malandro. Estas são as marcas registradas de um dos principais nomes vivos do samba baiano. Do alto de seus 93 anos, Clementino de Jesus, mais conhecido como Riachão, continua fazendo shows e irradiando alegria
 

Ainda com o pé na estrada, divulgando as músicas do álbum Mundão de Ouro, que lançou no final do ano passado, onde mostras canções que tratam sobre o que ele viveu, as folias, os carnavais, os encontros e malandragens, tudo contado por meio de sambas-emboladas, marchinhas e sambas com viola.

O disco tem 15 faixas, 10 delas inéditas e duas são seus maiores sucessos: Chô Chuá (Cada Macaco no seu Galho), gravada por Caetano Veloso e Gilberto Gil, e Vá Morar com o Diabo, famosa na interpretação de Cássia Eller no álbum Acústico MTV.

Riachão compôs a faixa título em homenagem à sua mulher Dalvinha, já falecida, com quem teve quatro filhos. “Ai, Dalvinha, o teu olhar vale um mundão de ouro. Eu vou te dar meu tesouro. Se não me deres teu amor, eu morro”, canta o cronista musical, como era conhecido na época em que se apresentava nas rádios de Salvador.

Apenas três discos na carreira


Apesar de ser um dos grandes nomes do samba baiano (e nacional), Riachão tem apenas três álbuns gravados:Sonho de Malandro, de 1981, Humanenochum, de 2000, e Mundão de Ouro, de 2014. Apesar da escassez de discos, ele contabiliza mais de 500 músicas, a maioria registrada apenas em sua memória. “Quando eu fazia minhas músicas eu não costumava gravar. Dizem que os malandros do Rio e de São Paulo andavam com gravadores, mas aqui na Bahia não era comum. E eu também não escrevia as letras, por isso lembro tudo de cabeça. Então, a gente ia conversando e eu ia lembrando das músicas”, conta o sambista. Nos shows, que duram cerca de uma hora e meia, Riachão costuma intercalar as músicas com seus causos, cheios de alegria e vitalidade juvenis.

Documentário


O documentário ‘Samba Riachão’, no qual sua vida foi contada pelo cineasta Jorge Alfredo, dividiu o Candango de melhor filme com Lavoura Arcaica, de Luiz Fernando Guimarães, no Festival de Brasília de 2001. Riachão é um patrimônio da cultura baiana e é um nome a ser reverenciado enquanto vivo e gozando saúde afinal, não se sabe por quanto tempo ainda o teremos entre nós.

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