terça-feira, 23 de junho de 2015

Por necessidade ou por prazer, o ato de cozinhar vem atraindo um público variado para os cursos de gastronomia, que vai do jovem que busca um espaço no mercado de trabalho ao profissional liberal que quer apenas receber bem os amigos





Cada vez mais os cursos de Gastronomia atraem estudantes para as cozinhas – e cozinheiros para a sala de aula. Grande parte dessa procura ocorre porque o profissional está em evidência, mas não é pequena a parcela de candidatos a chef que voltam aos bancos da escola por simples hobby. São empresários, aposentados e apreciadores da boa mesa que querem apenas preparar pratos simples ou refinados para receber amigos em sua casa


O perfil do aluno varia muito de acordo com a turma. Normalmente, no horário da manhã, são pessoas mais jovens recém saídas do ensino médio, que estão tendo o primeiro contato com a cozinha. À noite, muitos alunos já têm uma primeira graduação e buscam na culinária uma forma de hobby. Outros querem largar a carreira anterior e seguir trabalhando como cozinheiros. Existem também os estudantes que tinham a prática, mas nenhuma qualificação formal.
São vários os cursos que são oferecidos nas principais capitais. O primeiro curso superior de Gastronomia na cidade de São Paulo foi da faculdade Anhembi Morumbi. Criada em 1999, a graduação tecnóloga tem ingresso pelo vestibular, sem necessidade de prova específica. Após terminar a graduação de dois anos, o aluno recebe um diploma de tecnólogo na área de gastronomia.

Desde que o curso foi aberto, há 12 anos, o interesse do público tem aumentado consideravelmente. É o que afirma o coordenador Marcelo Neri. "Isso se deve, em grande parte, à glamorização da profissão. Cada vez mais observamos programas de TV e livros de culinária famosos. Isso gerou uma exposição maior do chef e uma valorização da profissão", afirma. Essa grande procura se reflete em números: no começo, o curso contava com três cozinhas, enquanto hoje existem 18.

Durante os dois anos, o aluno depara com diversas áreas da gastronomia. A mais dinâmica chama-se práticas na cozinha, na qual ele aprende sobre as técnicas de preparo, os ingredientes e os pratos específicos de cada país. Entre outras disciplinas, estão o aprendizado sobre a parte nutricional dos alimentos, os processos físicos que ocorrem durante o preparo da comida e até mesmo as cadeiras de administração de negócios.

O coordenador acredita que essas aulas de gerenciamento são muito importantes e apontam para uma tendência: o aluno abrir o seu próprio negócio, porém não com um espaço físico fixo. ¿Podemos notar um aumento no número de profissionais que trabalham individualmente, cozinhando para pessoas em suas casas¿, afirma Neri. Ele também salienta que existe muito espaço para a gastronomia, não apenas na TV, mas também em revistas de culinária, tanto as mais sofisticadas quanto as de R$ 1,99, e todas precisam de um cozinheiro qualificado.

Diferentemente da Anhembi, o curso de graduação em gastronomia da PUC-PR é mais focado na área humana. Criado em 2008, ele tem duração de dois anos e meio. Ao longo do curso, os alunos também aprendem a preparar pratos da cozinha internacional, mas não aprendem apenas sobre as comidas típicas. Aspectos como a cultura, a situação atual do país e até mesmo questões da cultura religiosa, em alguns casos, são estudados.

Interessante notar que a maioria dos estudantes formados acaba em restaurantes e hotéis. Logo depois, vêm aqueles que resolvem formar seu próprio negócio e tem a parcela formada por pessoas bem sucedidas, que já estão com a vida estabilizada buscam no curso apenas se tornar um bom anfitrião para receber amigos com pratos bem elaborados.

O prazer de cozinhar

Se antes ir para a cozinha não era uma atividade das mais valorizadas no Brasil, o ato de cozinhar passou a ter um certo glamour a partir da década de 80 e, hoje, está na moda. Fazer o próprio jantar, chamar os amigos e degustá-lo sem tanta pressa ganha cada vez mais espaço na sociedade atual, principalmente entre as classes média e alta.

O movimento é quase um retorno às origens, em detrimento à cultura de fast-foods que se desenvolveu nas últimas décadas. O ótimo cenário da gastronomia no país e até a culinária como terapia também são considerados elementos motivadores desta tendência que, ao que tudo indica, veio pra ficar.

Escolher os produtos, cozinhar, assar e fermentar funciona, em muitos casos, como uma válvula de escape depois de uma dura semana de trabalho. Homens e mulheres, normalmente já bem-sucedidos em suas profissões, vêm aproveitando o tempo livre para encarar o desafio de preparar uma nova receita, relaxar e ainda reunir amigos e familiares.

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