terça-feira, 2 de junho de 2015

Igatu, a vila de pedra da Chapada Diamantina é conhecida como a "Machu Picchu" baiana



A Chapada Diamantina é conhecida em todo o mundo e tem tantas atrações que, para conhecer e desfrutar das suas belezas é necessário uma longa permanência nesse pedaço da Bahia abençoado por Deus e bonito por natureza

Acredita-se que Igatu ou Xique-Xique (como era conhecida) foi descoberta por volta de 1840, por garimpeiros e eles é que fizeram as obras em pedra que você pode encontrar por lá. Foi um século de exploração e riqueza e a decadência no século 20, quando a maioria das casas foi abandonada. 

Os próprios garimpeiros chegaram a destruir ruas inteiras em busca dos últimos diamantes o que deu início aos cerca de 7 km de ruínas que hoje podem ser visitadas.Entre cidades e distritos, uma ganha destaque especial. Estamos falando da Machu Picchu baiana: a acolhedora Igatu, com sua indescritível estradinha de pedras, situada a 12 quilômetros de Andaraí e 114 de Lençóis. 

Vale a visita à vila que já teve por volta de 15 mil habitantes e hoje conta com menos de 500 e que é uma verdadeira cidade de pedra. “Sagrada” pra quem viveu lá durante o auge do ciclo do diamante. Hoje não há farmácias e o hospital mais próximo fica em Andaraí. Em outros tempos quem diria? Cabarés, cassinos, lojas, cadeia, cartório, cinema… hoje, as mais belas cachoeiras, formações rochosas, rica história, hospitalidade e um pouco da cultura nacional.

Mas, por que Machu Picchu baiana? Bem, as ruínas da vila nem de longe se assemelham as ruínas sagradas dos Incas, no Peru. Coincidências a parte, não precisamente em Igatu, mas em um vastíssimo sertão de “uma cordilheira de montes tão elevados, que pareciam chegar à região eterna e que serviam de trono ao vento a as estrelas.

Igatu fica na Serra do Sincorá, seu “desenho” é de infinita beleza, como toda a Chapada Diamantina: vales profundos, chapadões o verde misturado ao cinza, marrom e rosa da secura do sertão. O vento zunindo e o som dos bichos parecem dar voz às pedras. Debaixo de sol escaldante só os calangos, encontrados aos milhares, têm fôlego pra correr.

Atrações


Pra conhecer os atrativos da vila, bom mesmo é ser guiado por um nativo. Nada mau um que dá até nome à cachoeira, o João Taramba, “nascido e criado dentro de Igatu”. Ele trabalha guiando os visitantes há mais de vinte anos, “descobri uma cachoeira de 110 metros, que já está sendo bem visitada; é a cachoeira dos Cristais”, fala com simplicidade e orgulho.

Entre um passo e outro, boas histórias e belas paisagens. Logo mais a frente, a igreja do padroeiro local, São Sebastião, feita em pedra. Segundo Taramba, ela foi construída por um garimpeiro que fez promessa para achar muito diamante. Ao lado e na frente do templo, um cemitério, onde está sepultado o corpo do coronel Antônio Gondim, que “comandava o garimpo em Igatu e outros garimpos da região”. O comando acabou quando “a lei foi chegando e o exército desarmou ele, aí ele foi adoecendo e acabou morrendo, em 92, com uns 72 anos”, conta. Na casa do coronel hoje funciona a Pousada Pedras de Igatu que foi adaptada para atender aos turistas.

Uma das curiosidades da vila é um outro cemitério, o dos Bexiguentos. “Os mais antigos contavam que ali enterravam até gente viva, gente que tinha doença brava”, diz Taramba. A “Bexiga” refere-se à Varíola, bexiguento ou bexigoso, era o indivíduo que tinha a doença ou marcas deixadas por ela.

Pra chegar até o cemitério leva-se uns 20 minutos de caminhada, a partir do centro da vila. Vale a visita à Galeria Arte & Memória, que conta com um museu a céu aberto com um jardim de esculturas, galeria e um pequeno café; se der sorte será ciceroneado pelo artista plástico e historiador soteropolitano, Marcos Zacariades, cujo trabalho envolve a natureza da Chapada e a tradição dos garimpos. A galeria fica na Rua Luis dos Santos s/nº e funciona de terça a domingo das 9h às 18h.

Já os atrativos naturais são muitos. “Pequena cachoeira, coisa de 10 a 35 metros não sei nem contar, porque são muitas”, diz o guia.
Cachoeiras Treze Barras e dos Cristais – Pra chegar até a dos Cristais, por exemplo, você leva umas duas horas. Depois dos primeiros 45 minutos de caminhada você visita a cachoeira Treze Barras, mais uns 800 metros, a dos Cristais.
Cachoeira dos Pombos ou Córrego do meio – uns trinta minutos, a partir do centro pra se chegar num lugar ótimo pra se refrescar. A queda d’água forma umas “banheiras” de pedra. De vez em quando os locais fazem piquenique por ali.

Cachoeira do Taramba – descoberta pelo João, para chegar até ela você passa pelo Córrego do Meio, pelo Cemitério dos Bexiguentos e mais uns 40 minutos de caminhada. Assim como a cachoeira dos Cristais, a do Taramba forma um belo poço.

Santo Antônio – formação rochosa que lembra a imagem de santo Antônio. São cerca de uma hora caminhando. No caminho é possível também ver outras formações que parecem carros, por exemplo – é como adivinhar “desenho” em nuvem. Se estiver meio sem tempo é melhor deixar pra depois.

Rampa do Caim – cerca de três horas caminhando para se chegar a um local que dá uma das vistas mais espetaculares do Vale do Pati e os rios Paraguaçu e Preto, ambos com suas águas escuras. A trilha é boa e a chegada nem se fala, mas é preciso estar muito “zen” pra curtir a trilha. É preciso estar muito atento, pois há muitas pedras soltas e escorregadias e um tombo ali não ia ajudar em nada. A chegada pede um ou mais minutos de silêncio (contemplação, agradecimento a Deus, é pra ouvir o silêncio e a grandiosidade da natureza).

Dalí é possível seguir adiante, fazendo uma trilha que passará pelo Pati, Capão e Palmeiras, outras áreas imensamente lindas da Chapada Diamantina. A Rampa do Caim e a trilha são também exploradas agências locais.

Diferente de Lençóis, a cidade mais badalada da Chapada, Igatu é bem mais calma e tranquila. A vida ali passa devagar e sem muito compromisso, e isso atrai principalmente os turistas “gringos”. Próximo de várias cachoeiras e bons roteiros de trekking, Igatu é uma ótima opção para uma trip de escalada acompanhado de pessoas que não escalam. Como cidade pequena, Igatu não tem muita estrutura. Banco somente em Andaraí e Mucugê. Portanto, esqueça o cartão de crédito e leve dinheiro!

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