domingo, 21 de junho de 2015

Homenageando o mais célebre compositor de forró de todos os tempos, Câmara celebra o centenário de Humberto Teixeira


 



A Câmara dos Deputados realizou no dia 26 de maio sessão solene em homenagem ao centenário do compositor cearense Humberto Teixeira. A sessão, solicitada pelo deputado Chico Lopes (PCdoB-CE), prestou tributo a um dos mais importantes nomes da cultura brasileira


“Humberto Teixeira é um dos maiores protagonistas da cultura em todos os tempos, um nome que orgulha, além do Ceará, todo o Brasil. Uma referência para a música brasileira, para a luta pelos direitos autorais, pelo fortalecimento da classe artística e pela maior difusão da cultura brasileira no exterior”, destaca Chico Lopes.
Conhecido como o “doutor do baião”, que, nascido em Iguatu, se tornou nacionalmente reconhecido e trabalhou pela afirmação artística e cultural do povo nordestino e pela valorização dos artistas em todo o País.
Mesmo longe da sua terra, Humberto cantou as coisas simples da vida do povo, o cotidiano, os costumes, a natureza, a força do nordestino, os personagens do sertão, os desafios das desigualdades e da luta por uma vida mais justa, sem deixar de passar pela alegria da nossa gente.

Ressalta, lembrando canções como “Asa branca”, “Baião”, “Légua tirana”, “Kalu”, “Dono dos teus olhos” e “Qui nem jiló”, entre dezenas de clássicos de Humberto Teixeira, sozinho ou com parceiros como o inesquecível Luiz Gonzaga e o grande compositor cearense Lauro Maia.

“O Homem que Engarrafava Nuvens” 

Para a solenidade, foram convidadas personalidades ligadas à trajetória de Humberto Teixeira, como a filha do compositor, a atriz Denise Dumont, produtora do filme “O Homem que Engarrafava Nuvens”, documentário dirigido por Lírio Ferreira, que inclui depoimentos de personalidades como Fagner, Belchior, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Elba Ramalho, entre vários outros.

História
Cearense de Iguatu, Humberto Teixeira nasceu em 5 de janeiro de 1915 e, logo cedo, mostrou que levava jeito para a música. Aos 13 anos, já compunha e editava canções, como a iniciante Miss Hermengarda. Aos 15, partiu para o Rio de Janeiro, onde se formou em Direito. Nem por isso largou a música, sendo gravado por nomes como Dalva de Oliveira, Emilinha Borba e Orlando Silva. No entanto, nenhum nome foi tão importante nessa história quanto o do Rei do Baião. Cercados de sanfona, zabumba e triângulo, que tocaram sucessos como Assum preto, Qui nem jiló e Respeita Januário, Humberto e Luiz ganharam o Brasil mostrando um Nordeste sofrido, mas feliz e balançado.

Teixeira saiu do Nordeste muito cedo mas, a sua sensibilidade fez com que ele compusesse músicas que se tornaram clássicos na voz de Luiz Gonzaga. Em “No meu pé de serra”, o Rei do Baião tinha apenas um refrão: ‘lá no meu pé de serra / deixei ficar meu coração...”e só. Teixeira compôs o restante da letra, mesmo estando há 3 mil km do pé da serra da Caiçara, de onde Gonzagão saiu para conquistar o mundo.
Já em “Juazeiro”, ele dispunha apenas da narrativa de Luiz Gonzaga: “lá num pé de Juazeiro, eu fiz um coração com um canivete e coloquei a minha inicial e a da Nazinha...”Apenas com esses dados, Humberto Teixeira devaneou e criou os versos de mais um impagável sucesso na voz de Gonzagão.

Em 03.10.1979, Humberto Teixeira partiu para viver em outra dimensão e o compositor Dalton Vogeler, compôs “O Adeus da Asa Branca (Tributo A Humberto Teixeira) que, como não poderia deixar de ser, foi gravada pelo grande intérprete da sua obra e amigo, Luiz Gonzaga.

“O Adeus da Asa Branca (Tributo A Humberto Teixeira)

Quando o verde dos teus óio
Se espáia na prantação
Uma lágrima doída
Vai moiá todo o sertão
No cantá do assum preto
Vai se ouvir mágoas e dor
Ribaçã morrê de sede
Com sodade de douto

Foi se embora a Asa Branca
Lá pro céu ela levou
O poeta de alma franca
Que todo mundo cantou
Meu Padrinho Padim Ciço
Faça dele um acessô
Morre o homem fica o nome
E o nome dele ficou

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