segunda-feira, 1 de junho de 2015

“Frei Damião meu bom Frei Damião / O seu perdão numa confissão faz um bom cristão / Frei Damião meu bom Frei Damião / Eu sou nordestino, eu estou pedindo a sua benção.” (Luiz Gonzaga)





Os romeiros de Frei Damião compareceram para a grande festa de homenagem ao capuchinho que por tantos anos pregou em toda a região em que está localizada Guarabira (PB), levando aos lares a palavra de Deus através das Santas Missões 


Foram dias festivos em que o catolicismo regional teve a oportunidade de fortalecer os seus laços e celebrar a memória do lendário padre que se tornou uma lenda no Nordeste.

História

Frei Damião de Bozzano (1898-1997), o famoso missionário e frade capuchinho foi uma figura importante e polêmica na história do catolicismo popular sertanejo do Nordeste brasileiro.

Pio Giannotti era o seu nome de batismo e nasceu no dia 5 de novembro em Bolzano, região do Ádige no norte da Itália. Logo quando adolescente já tinha aptidão para ingressar nos estudos religiosos. Foi aos 12 anos de idade que ele ingressou na Escola Seráfica de Camigliano. Aos 19 anos de idade foi convocado para o serviço militar, quando estourou a primeira guerra mundial, ficando nas trincheiras para lutar contra a Iugoslávia.

Terminado a atividade militar, largou a farda e retornou para o seminário. Nos anos de 1921 a 1925 estudou na Universidade Gregoriana de Roma. Foi um modesto aluno de Varnach em Teologia Fundamental. Com Billot estudou Eclesiologia. Com Cappello foi aluno de Direito e com Degrand em Patrologia. Chegou a diplomar-se em Filosofia, Direito Canônico e Teologia Dogmática. Ordenou-se Sacerdote na Igreja de São João de Latrão, chegando ao Brasil em 17 de maio de 1931.

Depois de três meses da sua chegada no Convento da Penha, em Recife, inicia-se o incansável trabalho missionário. Bom orador Frei Damião não era. Começa a pregar e a decorar os seus sermões, porque não dominava a nossa Língua Portuguesa. Os peregrinos ouviam o Frei não porque compreendiam o que ele falava nos sermões, mas na esperança dos milagres acontecerem na vida deles, embora que o frade nunca tenha dito que fizesse milagres, preferindo creditá-los a Deus.

Guerra contra o protestantismo

Frei Damião é apontado como um ferrenho inimigo do protestantismo, e seu nome figura entre aqueles que ousaram investir contra o citado segmento religioso, ainda que para isso fosse necessária a força física. Os "dez mandamentos" abaixo foram extraídos do livro Curiosidades da Bíblia e da história: de Adão aos nossos dias, do escritor Jeovah Mendes. Segundo o mesmo autor, vários jornais das décadas de 40, 50 e 60 de cidades nordestinas, principalmente de Recife, noticiaram as perseguições do frade ao povo evangélico*.

Por mais complexos e polêmicos que sejam, eis os dez mandamentos de Frei Damião:

I – Todo católico deve, ao deparar-se com um protestante, benzer-se e fazer o sinal da cruz

II – Nunca deixe que o protestante o convença a ler a Bíblia, e sim o catecismo. A Bíblia constitui um veneno para o católico

III – Procure ter em casa um boneco de cera no formato de um totem e escreva sobre o mesmo o nome protestante. Caso algum deles apareça em sua casa, procure discretamente acender uma vela próxima ao boneco, o que fará fugir o herege filho de Lutero

IV – Se algum protestante convencer um católico para as suas fileiras, jogue sal pisado sobre as pegadas dos pés do tal apóstata, que não mais voltará a fazer conversão

V – Mantenha sempre em casa uma imagem de São Benedito, o pretinho, junto a uma garrafa de aguardente e um pedaço de fumo: só assim você conseguirá afastar, para bem longe, os malditos protestantes

VI – Reze todas as segundas-feiras (dia das almas), para Nossa Senhora do Desterro, a fim de que a mesma faça desterrar, para bem longe, os pestilentos protestantes

VII – Para afastar o perigo da heresia protestante, reze sempre a ladainha de Nossa Senhora das Encruzilhadas, para que a mesma coloque o progresso da obra protestante no meio de uma encruzilhada

VIII – Amarrar nos chifres de um bode mal-cheiroso uma oração de Padim Ciço, contendo as maldições e os anátemas da cabra preta e as imprecações de São Cipriano, a fim de que seja amarrada a obra evangélica dos protestantes

IX – Invocar os nomes de Santo Onofre, o padroeiro dos cachaceiros e São Longino, o protetor dos ladrões, para que a obra missionária protestante seja perturbada por espíritos de vícios e de roubalheiras

X - Todo aquele ou aquela que, pertencendo ao aprisco católico, casar-se com alguém de credo evangélico, irá no inferno bodejar sem cessar, além de ser atormentado(a) pelo tridente de ferrabraz.

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