quarta-feira, 20 de maio de 2015

No circo tem sempre os trapezistas, contorcionistas, malabaristas e todos os outros artistas, mas cabe ao palhaço a responsabilidade maior de cada espetáculo





Abertas as cortinas, no picadeiro não cabe homem com problema financeiro ou sofrendo por paixão. Ser palhaço é ofício que exige doação: é preciso despir-se da própria vida para incorporar uma nova diante do público, guiada pelo universo místico que historicamente ronda as lonas do circo


É do palhaço a responsabilidade maior de cada espetáculo - trapezistas, contorcionistas, malabaristas e todos os outros artistas são ricos complementos nos circos mambembes. Talvez por isso, os palhaços mais antigos sigam atuando e levando com seriedade a missão de preservar o que aprenderam há muitos anos, com um mestre que muitas vezes era o próprio pai ou avô.
Qual a origem dessa nobre arte?

Pesquisas feitas com pinturas de cerca de 5.000 anos na China, mostram algumas figuras de acrobatas e equilibristas. A partir dessa descoberta, surge a hipótese de que o circo tenha nascido em terras chinesas. Outra evidência disso é que na época, os guerreiros utilizavam a acrobacia como forma de treinamento para dar mais agilidade e força durante as guerras. Na Grécia, eles eram chamados de stupides e os cicirus, depois vieram as denominações, os bobos da corte, grotescos, saltimbancos, e os fools.

Na commedia dell'arte apareceram, de certa forma, resquícios da dupla de cômicos, os zanni, servos da commedia dell'arte, cuja relação se aperfeiçoará nos palhaços. A eles cabia a tarefa de provocar o maior número de cenas cômicas, por suas atitudes ambíguas e suas trapalhadas e trejeitos. Existiam dois tipos distintos de zanni: o primeiro fazia o público rir por sua astúcia, inteligência e engenhosidade. De respostas espirituosas, era arguto o suficiente para fazer intrigas, blefar e enganar os patrões. Já o segundo tipo de criado era insensato, confuso e tolo. Na prática, porém, havia uma certa "contaminação" de um pelo outro. O primeiro zanni é mais conhecido como Brighella, e o segundo como Arlecchino.

O palhaço, como conhecemos, surgiu junto com a formação do circo, por volta do ano de 1776, onde os espetáculos seguiam rígida disciplina militar, a caixa dava o ritmo e tudo corria num tempo exato. Para quebrar essa estrutura e assim valorizar a peripécia de seus artistas surge o primeiro palhaço, o recruta atrapalhado, o contraponto.

“Diálogos Circenses”
Com o intuito de apoiar a arte circense e buscando debater as condições que envolvem a atividade hoje no Ceará, o Ministério da Justiça promove, no Centro Cultural do Banco do Nordeste, o "Diálogos Circenses". Durante as quartas-feiras de maio e no dia 3 de junho, agentes importantes na história do circo no estado participam de conversas com o público, sempre às 14h.

Mais informações:

Diálogos Circenses, hoje (20), dia 27 de maio e 3 de junho. Sempre às 14h, na sede do Centro Cultural Banco do Nordeste (Rua Conde D'Eu, 560, Centro).

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