domingo, 3 de maio de 2015

Há 70 anos, prisioneiros foram libertados do campo de concentração de Dachau


Memórias da Guerra - No dia 29 de abril de 1945, soldados americanos libertaram os 70 mil prisioneiros que restavam no campo de concentração de Dachau, cidadezinha bucólica situada nas proximidade de Munique, mas que acabou sendo palco de tragédia



"Eu tinha vontade de pedir desculpas ao nosso cachorro por pertencer à raça humana. Quanto mais adentrávamos o campo de concentração e víamos os esqueletos revestidos de pele e as instalações características do campo de extermínio, tanto mais eu me sentia inferior ao cachorro, porque, como pessoa, eu pertencia à raça responsável por Dachau."

Desta maneira, o rabino militar norte-americano Eli Bohnen descreveu, em suas memórias, a libertação do campo de concentração de Dachau, no dia 29 de abril de 1945. Dachau foi o primeiro campo de concentração construído logo após a tomada do poder por Adolf Hitler, em 1933. 

Inicialmente, serviu de prisão para os adversários políticos do novo regime. Em Dachau, foi testado e desenvolvido o sistema de terror nazista. Foi o laboratório de experiências da SS, a tropa de elite nazista, chefiada por Heinrich Himmler.

Campo de extermínio

Durante a Segunda Guerra Mundial existiram 22 campos de concentração, fora os outros 165 "campos de trabalho". Em todos eles, os prisioneiros eram submetidos a brutalidades. Devido às torturas, jornadas de trabalhos forçados de 11 horas diárias, má alimentação e doenças, a taxa de mortalidade entre os prisioneiros era altíssima. Calcula-se que 7,2 milhões de pessoas foram confinadas nos campos de concentração, das quais 500 mil sobreviveram.

Com o início da Segunda Guerra Mundial, os campos de concentração foram ampliados para os territórios conquistados, principalmente a Polônia. Por ordem de Himmler, Auschwitz transformou-se no maior campo de concentração do regime da SS. Na esperança de obter mão de obra barata, o grupo industrial I.G. Farben construiu uma fábrica de borracha sintética próxima a Auschwitz.

Paralelamente, a mesma empresa desenvolveu o gás venenoso Zyklon B, testado pela primeira vez em setembro de 1941 no extermínio de cerca de 900 prisioneiros de guerra da União Soviética. Em seguida, a SS passou a usar esse gás no extermínio em massa dos judeus de 23 países europeus, transportados para Auschwitz.

No dia 29 de abril de 1945, soldados norte-americanos libertaram os últimos prisioneiros do "laboratório" em que foi desenvolvida essa máquina do terror nazista: o campo de concentração de Dachau.

Conhecendo Dachu

Após a visita ao campo de concentração, recomenda-se um passeio pelo centro da cidadezinha de Dachau. Localizada sobre um morro, nos dias de bom tempo tem-se de lá uma bela visão panorâmica dos Alpes bávaros.

No centro histórico da cidadezinha, a atração é o antigo palácio em estilo renascentista, construído no século 16 e que foi residência de duques e condes. No século 19, as tropas de Napoleão Bonaparte causaram grandes danos ao palácio. Das quatro alas originais, restou apenas uma, onde se encontra o cômodo mais interessante, o salão de festas, com um teto em madeira esculpida.

No início do século 20, antes que a tragédia marcasse a cidade, Dachau acolheu uma importante colônia de pintores impressionistas, atraídos pela beleza da paisagem ao seu redor. Várias obras desse período podem ser apreciadas hoje em museus e galerias da Baviera.

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