terça-feira, 12 de maio de 2015

Com habilidades que vão do cinema à literatura e dos quadrinhos ao teatro, Alejandro Jodorowsky destaca-se como um das criativas personalidades da arte chilena





Com nome que nos remete aos nativos do leste europeu e natural de um país sem grandes tradições no cinema, Alejandro Jodorowsky teve que contar com o seu singular talento para se impor com a sua ascendência surrealista e suas histórias carregadas de signos com pinceladas de narrativas míticas
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O cineasta chileno Alejandro Jodorowsky alcançou a fama mundial com dois filmes de culto, El Topo (1970) e The Holy Mountain (1973), mas no seu vasto currículo constam também atividades como o circo, a mímica, o teatro de marionetes, a filosofia, o Tarot, a psicoterapia, o teatro, a banda desenhada, a poesia e o romance.

Jodorowsky, 86 anos, nunca se submeteu aos limites de uma única linguagem. As obras do chileno se espraiam pelo teatro, o cinema, a literatura, os quadrinhos e até a magia. De ascendência surrealista, suas histórias são carregadas de signos e mais se assemelham às narrativas míticas de diversos povos.

Origem

Filho de imigrantes judeus, Jodorowsky nasceu a 7 de Fevereiro de 1929 numa pequena cidade do norte do Chile. Com apenas 16 anos publicou os seus primeiros trabalhos de poesia e com 17 estreou-se como mimo e artista de circo na cidade de Santiago. Um ano depois criou o seu próprio grupo, o Teatro Mímico. Na Universidad de Chile destacou-se como um dos elementos mais ativos do Teatro Experimental. 

Em 1953, escreveu a sua primeira peça de teatro, El Minotauro. Nesse mesmo ano, partiu para Paris para estudar mímica com Etienne Decroux. No ano seguinte, juntou-se à trupe de Marcel Marceau, um dos discípulos de Decroux, com quem fez uma digressão internacional. Em 1960, decidiu instalar-se no México para aprofundar as suas pesquisas teatrais e, em Fevereiro de 1962, de volta a Paris, uniu-se ao dramaturgo espanhol Fernando Arrabal e ao pintor francês Roland Topor para fundar o Movimiento Pánico, uma corrente de pensamento e expressão artística construída a partir de três elementos básicos — terror, humor e simultaneidade —, que procurava ultrapassar os limites impostos pela sociedade e destruir a seriedade artística através de uma explosão artística sem regras.

Gaston Giraud - parceiro

O ano de 1966 marcou a estreia de Jodorowsky na banda desenhada, com a criação de Anibal 5, uma saga futurista montada pelo artista mexicano Manuel Moro. No ano seguinte, Jodorowsky concebeu Fábulas Pánicas, que foram publicadas semanalmente na revista mexicana Heraldo Cultural. 

Em 1975, travou conhecimento com Moebius, pseudónimo do desenhador francês Jean Henri Gaston Giraud, momento chave na sua vida e obra, pois com este realizou uma das maiores obras-primas da banda desenhada de ficção científica, La Saga de los Incales, publicada de 1981 a 1988. Desde então, produziu a um ritmo intenso e em múltiplas parcerias, outros trabalhos de projeção internacional, como Alef Thau, El Ángel Carnívoro ou El Dios Lama.


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