segunda-feira, 18 de maio de 2015

Canal Bis homenageou B.B. King com a exibição de documentário inédito





O canal Bis prestou homenagem ao músico B.B. King, falecido recentemente, aos 89 anos de idade, nos Estados Unidos, com a exibição do documentário inédito “BB King: The Life of Riley”, que foi ao ar nos dias 15 e 16 de maio


Narrado pelo laureado ator Morgan Freeman, o documentário traz ainda entrevistas com Eric Clapton, Bono Vox, Keith Richards, Johnny Winter, Mick Jagger e Barack Obama, além de exibir imagens raras do talentoso guitarrista. A exibição do documentário “BB King: The Life of Riley” aconteceu na sexta, dia 15 de maio, às 20h30, e no sábado, dia 16, às 21h30, no canal Bis. 
Dada a relevância da atração, o canal examina a possibilidade de reprise nas próximas semanas.No filme “BB King: The Life of Riley”, é contada a improvável história do garoto que nasceu nas plantações de algodão do Mississipi, nos EUA, em uma época na qual reinavam o preconceito e a segregação racial, e que acabou se tornando uma das maiores lendas da música mundial, conquistando milhões de fãs.

Mais conhecido como B.B. King, o músico Riley Ben King faleceu em sua casa, em Las Vegas. Recentemente, ele esteve hospitalizado para tratar de uma forte desidratação, causada pela diabetes tipo dois, doença que também foi motivo do cancelamento de vários shows da sua mais recente turnê.

Considerado um dos maiores guitarrista de todos os tempos, o “Rei do Blues” era membro do Hall da Fama do Rock and Roll e do Hall da Fama do Blues. Ele lançou mais de 50 álbuns e vendeu milhões de cópias em todo o mundo, tendo ganhado 16 prêmios Grammy.

Show em São Paulo – 2012

Em outubro de 2012, B B King esteve pela última vez no Brasil e, sobre o seu show em SP, o jornalista e fã Pedro Antunes, escreveu um artigo com forte carga de emoção para a revista Rolling Stone. Vejam trechos do articulista:

“Uma iniciação à lenda que estava para chegar. B.B. King surge num alvoroço de palmas, gritos e adoração em pé de um público acomodado em mesas distribuídas por toda a casa. Chega com pouca mobilidade e senta-se ao centro do palco. Acomodado, ele sorri como se fosse a primeira vez que se deparasse com o público. Ele veste um terno preto com detalhes em dourado e vermelho. Com as mãos, gesticula pedindo para que o público acalme e assente.

Com guitarra apoiada na coxa, a mão começa a fazer a sua parte. Vem o primeiro bend, o segundo, o terceiro e o público já está ganho. O solo continua com King percorrendo o braço do instrumento delicadamente, saboreando o som de cada nota produzida por ele. “Boa noite, senhoras e senhores”, diz ele, cordialmente. “E eu também amo vocês”, completa. Ele arrisca um “obrigado” enrolado, mas é bem recebido. “É a única palavra que eu conheço”, e ri, de novo.

B.B. King apresenta a sua banda, contrariando as regras. Com humildade, diz que gostaria de ser tão bom quanto o seu guitarrista. Ao apresentar o sobrinho, Walter Riley King, no sax tenor, aprende sua segunda palavra em português. “Como se diz? Sobrinho”, arrisca. Ao receber nova reposta positiva do público, o guitarrista solta uma nova gargalhada gostosa.

A banda, que continua tocando enquanto o músico se diverte e entretém a plateia, passa a executar a introdução de “I Need You So”. E logo King solta a voz, que ecoa pelo lugar. É grave e curtida nos mais de 50 anos de blues. Em seguida, vem “Everyday I Have The Blues", uma triste balada de um músico solitário.

Cada música tem uma parada, uma troca de gracejos entre o músico e público. “Key To the Highway” ganha uma interpretação emocionada de King. “So give me one, give one more kiss, baby”, suplica ele. É o blues sofrido vindo pelas mãos e voz de quem melhor sabe fazê-lo.

B.B. King parte para um momento mais descontraído com “You Are My Sunshine”, canção dedicada às moças da plateia. Ele gesticula e pede para que os casais se beijem. “Ei, você não beijou ele”, diz, na pausa durante a música. Depois, dedica “Rock Me Baby” para os rapazes.

“Vocês parecem cansados”, zomba o músico. E vem a sempre imperdível “The Thrill is Gone”. King brinca com a guitarra. São velhos amigos, afinal de contas. Companheiros inseparáveis desde os anos 40. Se a mão já não é das mais ágeis, ele usa as notas com a inteligência de sempre e a experiência que ganha a cada ano.

É a vez de “When The Saints Go Marching In”, hino gospel, e a noite vai se aproximando do fim. “Por mim, tocaria até amanhã”, diz o músico, mas é hora de dizer adeus. Um até breve, garante o próprio. “Eu posso voltar de novo?”, pergunta. E a resposta, claro, é positiva.

Ao fim do show, às 23h47, o público se aproxima. E o músico atende aos pedidos de autógrafos, ainda de cima do palco. “Dirijam com cuidado na volta para casa”, pede. Com ajuda para se levantar da cadeira, ele aparenta a idade que tem pela primeira vez na noite. Não que isso manche a imagem de meninão grisalho com a guitarra nas mãos. Isso, sim, vai ficar gravado para sempre.”

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário será publicado após análise.
Obrigado!