domingo, 17 de maio de 2015

A bailarina cigana La Lupi com seu "RETOrno" foram apresentadas na última terça-feira (12) e na quarta-feira no Teatro Renaissance, de São Paulo




O primeiro Espetáculo Internacional de Flamenco desembarcou em São Paulo sob o sapateado e protagonismo da bailarina cigana La Lupi, que interpreta sobre os tablados o estilo clássico dessa dança típica espanhola acompanhada do violão de Curro de María, seu diretor musical
Pela primeira vez no Brasil, Susana Lupiañez Pinto, conhecida como "La Lupi", apresenta no país um flamenco em sua essência "natural e sem conservantes", como a própria artista definiu seu espetáculo "RETOrno", no qual mistura conceitos de dança clássicos com o movimento contemporâneo.

Artista profissional há 30 anos, a malaguenha ressaltou em sua primeira visita ao país como dançarina que o flamenco é uma dança que "cativa os brasileiros" pela "similaridade" de sons e gestos com a música brasileira.

"Há muita similaridade. Muitos músicos flamencos, quando compõem, se inspiram nas tonalidades da bossa nova. Pouco a pouco o Brasil está criando festivais e educando o povo para que goste do flamenco", comentou a artista em referência ao aumento de espetáculos no Rio de Janeiro e em São Paulo.

A mistura de nacionalidades também contribui para esse auge do flamenco no Brasil, como comprova o grupo musical que acompanha La Lupi, integrado, além de Curro de María, por dois argentinos e oito dançarinas brasileiras que abrem seu espetáculo.

O toque do violão de Curro de María e as castanholas dão ritmo e compasso à gestual apresentação de La Lupi, que é guiada por canções tradicionais do flamenco espanhol e letras uruguaias e argentinas que totalizam duas horas de espetáculo.

Além disso, La Lupi apresenta solos com o tradicional manto colorido que acompanha as bailarinas de flamenco, "sapateando" por todo o palco em uma interpretação emocionante. "O flamenco é minha vida, representa toda a Espanha, a cultura, o falar do povo e a expressão de diversas terras", destacou.

Ao contar um pouco de sua trajetória, a artista de 43 anos relatou que começou a aprender flamenco "com os ouvidos", aos três anos de idade, quando escutava as castanholas da vizinha e a musicalidade de seu pai.

Para combinar a dança clássica e o flamenco como uma cultura "pura", La Lupi se inspira em artistas mundialmente conhecidos como o russo Mikhail Baryshnikov e a dançarina sevilhana Pastora Império, a quem a malaguenha dedicou várias homenagens em seus espetáculos.

La Lupi e seu grupo já passaram por Argentina e Cuba e em sua aproximação com a América Latina e pretendem retornar ao Brasil, país que, segundo a artista, vive uma "disseminação" da cultura flamenca.

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