domingo, 31 de maio de 2015

“Ópera”, a bem-sucedida montagem do Coletivo Angu de Teatro sobre os textos do dramaturgo pernambucano São Paulo Newton Moreno volta aos palcos e como literatura

O ano é 2007, quando o público de teatro andava meio sumido no Recife, mas naquele ano, muita gente teve que voltar da porta do Teatro Apolo se não adquirisse ingresso com antecedência ou chegasse cedo assistir à Ópera


A bem-sucedida montagem do Coletivo Angu de Teatro sobre os textos de temática deliberadamente gay do dramaturgo pernambucano radicado em São Paulo Newton Moreno, chamou à atenção do público pernambucano. Este ano, Ópera deve voltar: não só aos palcos, mas também em formato de livro.

“Eu já tinha tentado viabilizar o livro através de vários editais e não consegui. Resolvi, então, esperar para lançar com os meninos (do Coletivo Angu), aqui no Recife, onde a peça teve sua estreia nacionalmente”, diz Moreno, de passagem pelo Recife, onde veio visitar a família e onde também tem colhido muitos elogios pela atual fase profissional.

Com Guel Arraes e o carioca Claudio Paiva, Moreno é um dos autores da elogiada série Amorteamo (Rede Globo), com uma trama sobre um Recife mal-assombrado do começo do século passado, com histórias de amor entre vivos e mortos. “Estou adorando ver a série na TV, não tinha visto na edição. Adoro a linguagem do melodrama e poder exercitá-lo na TV, com uma linguagem cheia de boas referências cinematográficas, é muito bom”, ele diz.

Ópera, a peça, era esfuziantemente gay. Com um cruzamento estético entre a sexualidade e o teatro cômico, poético e marginal, a peça de quatro movimentos era pontuada por números musicais com grande referência ao teatro de revistas e de travestis e grande parte do espírito do Vivencial Diversiones, a trupe musico - teatral que fez história em Olinda nos anos 1970. “Adoro o espetáculo, gosto da linguagem, assumidamente gay, com uma pegada muito legal de colocar histórias homoafetivas em linguagens onde elas não aparecem. Era tudo muito subversivo e, ao mesmo tempo, respeitoso, com esse universo gay.”

Na primeira cena, por exemplo, uma trupe de atores de rádio-novela interpretava o drama de uma tradicional família patriarcal pernambucana diante da descoberta da homossexualidade do cachorrinho doméstico. O espetáculo transbordava homossexualidade em cada respiração. Mas Ópera, o livro, não é uma obra gay. “É, na verdade, uma obra de contos sobre amores desmedidos, rasgados, exagerados”, diz Moreno.

Apenas quatro dos 21 contos versam sobre homossexualidade. Único livro de contos do dramaturgo que já coleciona boa quantidade de prêmios, como o Shell e o da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), Ópera não foi escrita de uma só vez. “Os contos foram surgindo aos poucos, sem um objetivo definido. Talvez, por isso, tenha demorado tanto pra ser lançado.”

Com produção de Daniela Varjal, do Coletivo Angu, o livro teve edição aprovada pelo Funcultura e será lançado até o fim do ano. Para comemorar, haverá também uma mini temporada da encenação. “Estamos tentando viabilizar a temporada no fim do ano”, diz o produtor do Coletivo Angu de Teatro, Tadeu Gondim. “É um espetáculo com vários cenários e equipe grande, relativamente caro”, diz ele, sobre a montagem, que traz no elenco Arilson Lopes, Carlos Ferrera, Fábio Caio, Ivo Barreto, Tatto Medinni, Dirceu Siqueira e Ellen Roche.

O Sarod dedilhado por Ken Zukerman compõe o recital de música indiana no Recife


 


Ken Zukerman apresenta o Sarod, instrumento de origem persa que significa “som bonito”, tem origem persa e fortemente assimilado pela cultura indiana. O instrumento é uma adaptação do rebed afegão e foi aperfeiçoado no final do século XIX para ganhar mais cordas e tamanho

Dando sequência ao projeto ‘Solo Musica’, a Caixa Cultural Recife apresenta nesta terça-feira, dia 2, o recital de música indiana do instrumentista norte-americano Ken Zukerman. Os ingressos custam até R$10.

Com início às 20h, o artista referência na música indiana apresenta o solo com sarod, instrumento de 25 cordas que propaga um som profundo e introspectivo, pelo qual Zykerman é reconhecido como um dos principais tocadores da atualidade e divulgador da música indiana na Europa.

Por 30 anos, o instrumentista foi orientado sob a rigorosa disciplina do lendário mestre de sarod da Índia, Ustad Ali Akbar Khan, até o falecimento do mesmo, em 2009.

Como pede a tradição, o repertório da apresentação não é previamente definido e depende, assim, da inspiração do momento. A música clássica indiana tem na improvisação seu elemento estrutural, que possui um sistema de padrões melódicos chamados ragas e de padrões rítmicos chamados talas.

sábado, 30 de maio de 2015

“Mulher de Barro”, faz o leitor percorrer, com olhos abertos e coração atento a bela narrativa de Joyce Carol Oates


Citação de uma resenha: “ Mulher de Barro é digno de estar em qualquer estante como um dos melhores livros lidos nos últimos anos... um romance completamente perturbador, que destruirá todas as partes do seu ser! É uma obra-prima da melancolia, e isso é um elogio muito grande”

Uma das escritoras norte-americanas mais importantes da atualidade, Joyce Carol Oates cria, em Mulher de Barro, uma história de suspense psicológico que explora o alto preço que as pessoas pagam ao esconder um passado sombrio.

Meredith Ruth Neukirchen é a primeira mulher a presidir uma renomada universidade americana. Bem sucedida em sua carreira acadêmica, ela se dedica fervorosamente ao trabalho. Até que, em uma viagem ao norte do estado de Nova York, seu passado trágico aflora acidentalmente, levando-a mais uma vez à beira do abismo.

Em meio à solidão absoluta, e incapaz de lidar com as pressões do presente, ela se torna cada vez mais vulnerável. “Pois a solidão é a grande fertilidade da mente, se não for a sua destruição”, escreve Joyce Carol Oates, neste romance perturbador e impactante.

Entre as lembranças traumáticas da infância e as pressões de seu cargo, M.R. terá de encontrar uma saída. Uma única alternativa que a faça escapar do colapso iminente.

A crítica derramou-se em elogios à Joyce Oates. Vejam algumas delas:

“Um romance poderoso.” — The New Yorker

“Oates pertence à antiga estirpe de Poe, Borges, Kafka, Cortázar e Tchekhov.” — Qué Leer

“Como sempre, Joyce Carol Oates leva, com maestria, seus leitores a um mergulho profundo na psicologia de seus personagens (...) um romance sombrio, inteligente e comovedor.” — Washington Independent Review of Books

Já estreou “O Vendedor de Passados”, com Lázaro Ramos e Alinne Moraes



Se nos fosse dado escolher, gostaríamos de alterar erros ou lembranças dolorosas do passado. Aquela afirmativa “faria tudo outra vez” só é verdadeira na MPB, pois na vida real, sempre haveria algo a evitar. Esta é a profissão de Vicente (Lázaro Ramos): ele vende passados às pessoas, criando documentos, fotos e outros indícios necessários para reescrever a história

Os cinéfilos já podem ver "O Vendedor de Passados", com Lázaro Ramos e Alinne Moraes no elenco. O filme é livremente inspirado no premiado livro homônimo de José Eduardo Agualusa e tem direção de Lula Buarque de Hollanda. Sua estreia aconteceu no último dia 21 de maio.

“O passado é tudo aquilo que você lembra, imagina que se lembra, se convence que se lembra, ou finge que se lembra.” Assim acredita Vicente (Lázaro Ramos), protagonista do filme “O Vendedor de Passados”, que ganha a vida de um jeito inusitado: vende passados para clientes que desejam modificar sua história.

Até que surge Clara (Alinne Moraes), uma linda e misteriosa mulher, com um pedido muito especial: sem dar a Vicente nenhuma informação de sua história, ela encomenda um novo passado, partindo do zero. Sua única exigência é ter cometido um crime.

Sem perceber, Vicente se envolve com a personagem que ele mesmo criou, num jogo em que realidade e ficção se confundem perigosamente. Para Clara, uma certeza guia as suas apostas: “Eu comprei esse passado. Esse passado é meu!”.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Encontro no Rio resgata presença do negro no cinema



Começa hoje (27), no Rio de Janeiro, o 8º Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul – Brasil, África e Caribe. O evento, que permitirá a troca de experiência entre diretores de diversas nacionalidades, visa a resgatar a presença do negro no cinema nacional e internacional

A abertura será no Cine Odeon, na Cinelândia, com a exibição, às 18h, do filme Morbayassa, do guineense Cheick Fantamady Camara. As sessões ocorrem também na Biblioteca Parque e no museu de Arte do Rio, com entrada gratuita. O Odeon também recebe no período um ciclo de palestras sobre o tema. A programação completa está disponível na internet.

Para o curador do encontro, Joel Zito Araújo, a ideia é preparar os negros para falarem com o Brasil inteiro, não apenas no “gueto” do movimento negro.

“Existe uma naturalidade das narrativas, como se o ser humano fosse naturalmente branco e o negro ou o índio exceção. Há muita história para contar, não só da população negra, mas da representação do Brasil como um país da diversidade racial. Não queremos ficar no gueto nem ficar falando para o gueto”.

Ele explica que foram selecionados filmes de cineastas negros que tratam de temas diversos. “A temática negra não é só a discussão do racismo, [envolve também] aspectos da cultura negra. É um olhar do negro sobre o mundo, sobre a sua contemporaneidade”.

Araújo disse que o encontro – que é o mais importante da América Latina - conta este ano com o triplo de participantes negros inscritos. “Hoje efetivamente há uma nova geração [de participantes negros]: no Rio, o pessoal do Nós do Morro e o pessoal da Cufa; na Bahia há um núcleo negro importante; em São Paulo também. Estamos em um novo momento no Brasil”.

Segundo ele, o negro “deixou de ter vergonha de ser negro e começou a dizer: queremos mostrar o nosso ponto de vista sobre a realidade, os nossos sonhos, os nossos desejos, as nossas angústias, as nossas vergonhas, as nossas alegrias”.

A escritora Ana Maria Gonçalves, que também participa do evento, comentou o universo da cultura negra. “O universo que a gente retrata ao contar histórias, ao escrever, ao fazer cinema, ou seja o que for, é um universo muito próprio nosso, das nossas experiências pessoais e até experiências internas. Acho que a importância de se ter mais negros em posição de escolha, do que contar e como contar, [permitirá que eles contem] histórias próprias, de experiências, que não têm sido contadas pelo mercado branco elitizado”, acrescentou.

Ela destaca que a oralidade e a tradição de contar histórias do povo negro, pouco valorizada ao longo da história, pode ser resgatada com a produção cinematográfica. “Por anos, a oralidade do negro não foi considerada literatura e, em muitos lugares, ainda não é. Talvez o cinema realize essa nossa luta de escritores negros para que a oralidade seja considerada literatura”.

O escritor e roteirista Paulo Lins disse que o cinema negro pode ter a seguinte definição: pessoas negras fazendo cinema. “O pessoal negro está fazendo cinema. Antes não fazia. Só quem fazia era branco. [O negro] está ganhando espaço, está produzindo, [usando] novas tecnologias, fazendo videoclipe, botando no Youtube”.


Fonte: EBC

10 de junho é o dia ‘D’para que o STF se posicione sobre a constitucionalidade da publicação de biografias não autorizadas





O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para o dia 10 de junho o julgamento sobre a constitucionalidade da publicação de biografias não autorizadas. Os ministros vão julgar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade impetrada, em 2012, pela Associação Nacional dos Editores de Livros (Anel) contra liminares que proíbem o lançamento das biografias


Embora a liberdade de expressão seja assegurada pela Constituição, desde 2002 o Código Civil prevê que qualquer biografia – livro ou filme - tem de ter aval do biografado, quando vivo, ou de sua família ou herdeiros, para ter autorização de veiculação. Se o personagem ou sua família sentirem que um trabalho traz dano à honra do biografado, pode recorrer à Justiça e tirá-la de circulação.
A liberdade de expressão versus o direito de zelar pela intimidade. E a possibilidade de remuneração fazendo os biografados penderem de um lado ao outro da moeda. De repente esta virou uma questão central nas discussões sobre publicação de biografias no Brasil.

Roberto Carlos
Um dos casos mais notórios de aplicação dessa lei aconteceu em 2007, quando Roberto Carlos conseguiu proibir a circulação da biografia “Roberto Carlos em Detalhes”, escrita por Paulo Cesar Araújo. A editora Planeta, que chegou a lançar o livro, teve de recolher toda a tiragem das livrarias.

Na ocasião, o escritor Paulo Coelho criticou a proibição, em artigo publicado na “Folha de S. Paulo” em 2007: “Continuarei comprando seus discos, mas estou extremamente chocado com sua atitude infantil, como se grande parte das coisas que li na imprensa justificando a razão da ‘invasão de privacidade’ já não fosse mais do que conhecida por todos os seus fãs.”

Em reação a essa decisão judicial, que ameaça deixar todas as biografias brasileiras restritas à anuência dos biografados, a Associação Nacional de Editores de Livros (Anel) propôs ao Supremo Tribunal Federal a adoção da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), para permitir a publicação de biografias sem autorização do biografado.

Chico, Caetano e Gil

A discussão tomou proporção gigante quando alguns dos artistas mais importantes do Brasil como Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil, se uniram para criar a associação Procure Saber e protestar contra a publicação de biografias não-autorizadas, prática adotada em vários países da Europa e nos Estados Unidos.

A associação, presidida pela empresária Paula Lavigne, ex-mulher de Caetano, se trata de “um grupo de autores, artistas e pessoas ligadas à música dedicado a estudar e informar os interessados e a população em geral sobre regras, leis e funcionamento da indústria no Brasil”.

Posição de um ex-presidente do STF
O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, já declarou ser contrário à retirada de circulação de biografias não autorizadas. Para o ministro, no caso de as obras provocarem efeito devastador na vida do biografado, deve haver o pagamento de “indenizações pesadas”.

“O ideal seria [que houvesse] liberdade total de publicação, mas cada um assume os riscos. Se violou o direito de alguém, [o autor] vai ter que responder financeiramente. Com isso, se criaria uma responsabilidade daqueles que escrevem”, disse o ministro durante participação na última Conferência Global de Jornalismo Investigativo na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC).

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Oriundo da Noruega, o bacalhau tem sua história relacionada com a identidade portuguesa





A rota do bacalhau pode levá-lo à cidade de Ílhavo que detém uma longa tradição marítima. Já se pode visitar o fantástico Museu Marítimo de Ílhavo e o seu singular aquário de bacalhaus, assim como o Navio Museu Santo André e o arrastão que pertenceu à mítica White Fleet, o Navio Santa Maria Manuela


O bacalhau foi desde sempre “o fiel amigo” de Portugal, um “must” da cozinha portuguesa. Reza a lenda que há, pelo menos, 1000 formas de cozinhá-lo, sendo particularmente difícil dizer qual a mais saborosa! Mas o bacalhau não se resume a uma delícia da gastronomia portuguesa, altamente aclamada.Mas a rota do bacalhau não para por aqui! Iremos degustar o bacalhau nas formas mais arrojadas no típico restaurante Bela Ria, nas imediações de Ílhavo, que é pertença do cozinheiro oficial da Confraria do Bacalhau!

A história do bacalhau é uma verdadeira epopeia, escrita por milhares de homens que, ao longo dos tempos, enfrentaram mares revoltos e que escreveram a história da pesca do bacalhau. Iremos mostrar-lhe a rota do bacalhau com vários pontos interessantes e histórias fantásticas para contar!

Da Noruega para o mundo
As origens da história do bacalhau perdem-se no tempo, uma vez que as primeiras fábricas de processamento de bacalhau surgiram na Noruega e na Islândia no séc. IX! No entanto, foi no séc. XV que os Portugueses começaram a comercializar bacalhau.
O bacalhau salgado e seco conservava-se mais de três meses nas expedições marítimas, sem perder proteínas ou nutrientes, o que era ideal nesta época!
Os Portugueses foram os primeiros a pescar bacalhau na Terra Nova, no séc. XV. Nesse tempo, o bacalhau representava já 10% do comércio de peixe em Portugal.

A viagem em busca do melhor bacalhau começa na cidade de Ílhavo, situada a 8 km de Aveiro. Esta cidade possui uma enraizada tradição marítima e o bacalhau assume-se como o baluarte desta bela cidade costeira. Todos os anos, em Agosto, o município organiza o popular Festival do Bacalhau, atraindo imensos visitantes à cidade. Para além da gastronomia, este festival apresenta também um cartaz de concertos e exibições marcantes!

O Museu Marítimo de Ílhavo é um verdadeiro ícone da arquitetura, desenhado pela prestigiada dupla de arquitetos Nuno Mateus e Pedro Mateus que também foi nomeado para o Prêmio Mies van der Rohe, em 2003. Este museu surpreendente é um dos mais visitados na região Centro de Portugal.

A Sala dos Mares apresenta um acervo interessante de instrumentos náuticos e de miniaturas de embarcações antigas. Deverá prestar especial atenção à coleção da pesca do bacalhau, verdadeiramente deslumbrante!

O Navio-Museu Santo André pertence ao Museu Marítimo de Ílhavo. Este arrastão fez parte integrante da frota portuguesa de pesca do bacalhau e foi construído em 1948 na Holanda. O Navio-Museu Santo André tem 71,40m de comprimento e foi totalmente renovado e convertido num museu graças ao empenho do armador e do município de Ílhavo. Hoje se assume como um baluarte da cidade!

A Biblioteca/Arquivo do Museu Marítimo de Ílhavo detém a maior coleção de obras subjacentes à temática da pesca do bacalhau. Todos os livros foram doados pelos habitantes locais e o visitante pode aceder ao vasto espólio existente gratuitamente. É um espaço de memória e um hino à tradição marítima portuguesa!

Um aquário de bacalhaus
Em Janeiro, o Museu Marítimo de Ílhavo abriu um espaço absolutamente único em Portugal: um aquário de bacalhaus! É o primeiro no país e o local ideal para observar esta espécie interessante em maior detalhe. O Aquário de Bacalhaus é um ponto a não perder da cidade de Ílhavo, que promove de forma tão intensa a preservação das tradições marítimas.

O Navio Santa Maria Manuela é um raro exemplar de um navio de quatro mastros, lançado em 1937. Criado na Companhia União Fabril, em Lisboa, o Santa Maria Manuela começou a operar na pesca do bacalhau e, juntamente com o navio Creoula, fez parte da famosa Frota Branca Portuguesa. Possui 12 cabines para 2 pessoas, 5 cabines para 4 pessoas e 1 cabine para 6 pessoas.

Agora é tempo de provar esta delícia da gastronomia Portuguesa. Sugerimos-lhe um restaurante acolhedor, situado na Gafanha de Áquem (a 6,5 km de Aveiro), denominado Bela Ria. É um daqueles locais a não perder que o irão surpreender com o seu ambiente informal e despretensioso e serviço simpático. O restaurante Bela Ria é famoso pelas diversas especialidades de bacalhau que serve. Há 1000 formas de cozinhar bacalhau e no restaurante Bela Ria, esta afirmação adquire pleno sentido!

A história do bacalhau facilmente se relaciona com a identidade portuguesa: é uma história de superação de mares adversos e de ansiar por um porto seguro, trazendo para casa o rei magnânimo de todas as mesas: o bacalhau!

Ficou com fome? Procure um restaurante honesto, peça o melhor bacalhau e bom apetite!

Documentário de Paulo Fontenelle sobre carreira de Cássia Eller estará nos cinemas a partir de amanhã, 29




Cássia Rejane Eller. Cássia Eller. Cássia. Uma poderosa força inquieta no palco, a timidez em pessoa fora dele. Um dos grandes nomes da música brasileira, Cássia Eller marcou a década de 1990 e chocou o país com sua morte precoce, em 2001. Um filme sobre a cantora, a mãe, a mulher que expôs sua vida pessoal e rompeu barreiras, deixando um belo legado social e artístico

“Cássia Eller” é um documentário musical de longa-metragem que retrata a trajetória de um ícone da música brasileira da década de 90. Dirigido por Paulo Henrique Fontenelle (Loki) e produzido pela Migdal Filmes (Minha Mãe É Uma Peça, Nosso Lar), o documentário mostra através de imagens inéditas do arquivo da cantora e depoimentos de amigos e familiares, a intensidade desta artista que conquistou o país.

Presença de Maria Eugênia Vieira
Cúmplice, amiga e companheira de Cássia Eller por 14 anos, hoje guardiã do legado da cantora, Maria Eugênia Vieira levantou apenas uma condição quando o diretor Paulo Henrique Fontenelle apresentou a ela, em 2010, o projeto de um possível filme. Na contramão de artistas "censores", Cássia merecia uma versão fiel ao que era. Nada de omitir histórias como de homossexualidade, casos extraconjugais, abuso de drogas ou mesmo sobre a paternidade do filho Chicão, que ela fazia questão de esconder na época.

Sem filtros, o documentário "Cássia", que entra em cartaz amanhã, (29), ainda tenta esclarecer uma informação truncada, que chegou a revoltar a família. Diferentemente do que a imprensa especulou na época, a cantora não morreu após sofrer uma overdose de cocaína em 2001. No documentário, amigos próximos negam que as três paradas cardíacas que ela sofreu em uma clínica no bairro de Laranjeiras, no Rio, tenham sido provocadas pelas drogas.

Sobre Cássia Eller, Fontenelle falou: “Eu acho que principalmente a liberdade que ela tinha e a sinceridade. Acho que ela não fazia nada que fosse marketing. Tudo que ela queria fazer era sincero, tanto nas relações quanto na música, na amizade. Eu acho que a sinceridade é algo que inspira, que todo o mundo deveria seguir”.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Hélène Darroze será laureada com o Prêmio ‘Veuve Clicquot’ para “Melhor Chef Mulher do Mundo”


 Hélène Darroze receberá o prêmio no dia 1º de junho, durante a premiação do 50 Best, em Londres (foto: divulgação)



A chef francesa Hélène Darroze, conhecida por apresentar uma cozinha contemporânea, focada em ingredientes frescos sazonais, será premiada durante a cerimônia que revelará a lista com os 50 melhores restaurantes do mundo, marcada para junho, em Londres
Nascida numa família de cozinheiros, Hélène foi discípula de Alain Ducasse e inaugurou o restaurante que leva o seu nome em 1999. É conhecida por apresentar uma cozinha contemporânea, focada em ingredientes frescos sazonais. 

A chef receberá o prêmio Prêmio Veuve Clicquot para “Melhor Chef Mulher do Mundo” em evento que será realizado no dia 1º de junho, em Londres. A chef francesa Hélène Darroze, que comanda as cozinhas do hotel The Connaught, em Londres, e do restaurante Hélène Darroze, em Paris, foi eleita pelo 50 Best, ranking que aponta os melhores restaurantes do mundo, promovido pela revista britânica Restaurant, como a melhor chef mulher do mundo. 

De personalidade agradável e equilibrada, Darroze inspirou a chef Colette, da animação Ratatouille, produzida pelos estúdios Pixar em 2007. 
No ano passado, o premio foi concedido à brasileira Helena Rizzo do restaurante Maní, em São Paulo.

Fundado por Antonio Nóbrega, Instituto Brincante deu início em abril à campanha de financiamento para pagar a fundação estrutural e o acabamento das instalações





O objetivo inicial do projeto #FicaBrincante é arrecadar R$ 100 mil para as obras. Com a verba arrecadada por financiamento coletivo, Nóbrega pretende pagar a fundação estrutural e o acabamento das instalações
O projeto vai transformar as duas casas, onde atualmente funcionam o acervo e escritório do artista, em um espaço adequado para receber aulas e apresentações. A campanha de financiamento coletivo que reunirá fundos para a construção da nova sede do Instituto Brincante, na Vila Madalena, já tem data marcada. 

Os interessados em colaborar poderão doar qualquer valor a partir de R$ 20 pelo Catarse. A quantia arrecadada ajudará Antonio Nóbrega e Rosane Almeida, fundadores do espaço, a reformarem duas casinhas localizadas ao lado de onde o Instituto Brincante tem funcionado nos último 22 anos. Após a reforma, o instituto será transferido para o novo local.

A partir do início da campanha, Nóbrega e Rosane Almeida têm 60 dias para arrecadar R$ 100 mil para a reforma. O terreno onde funciona hoje o teatro escola foi vendido para uma incorporadora no ano passado. Diante disso, quem contribuir com a campanha #FicaBrincante poderá participar em oficinas no Instituto Brincante, receberá ingressos para espetáculos da companhia e terá acesso à discografia de Antonio Nóbrega.

O Instituto Alana se engajará no projeto, apoiando com uma parte das verbas. Para saber como apoiar a iniciativa quando ela entrar no ar e também estimular outros amigos a fazer o mesmo, basta acessar o site do Instituto Brincante.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Com uma história real e comovente, “Philomena” é um filme que vale a pena ver mais de uma vez





Navegando pelos canais da TV, estava iniciando um filme do qual ouvi falar no ano passado, mas que não tive a oportunidade de assistir. “Philomena”, uma bela história baseada na obra de Martin Sixsmith, traz uma serena atuação da ótima atriz Judi Dench, - a chefa de James Bond, em "Operação Skyfall”, - deixando fluir a sua veia histriônica, imperceptível em outras atuações anteriores

Vi várias resenhas sobre “Philomena” e escolhi uma que mais se assemelha à minha opinião sobre o filme: a do site www.cinemadetalhado.com, a qual compartilho com os amigos que nos acompanham aqui no Artecultural.

Euriques Carneiro

Baseado no livro escrito pelo jornalista Martin Sixsmith, um calhamaço de 488 páginas, Philomena (idem, 2013) é a história de um segredo mantido por 50 anos que vem à tona para dar início a uma árdua busca. Quando jovem, a personagem-título se envolveu pela primeira vez com um homem e, da sua primeira relação sexual, nasceu um filho. À época, ela fazia parte de um convento e teve um breve período de convivência com o menino, chamado Anthony, que acabou entregue para adoção pelas freiras, e então não soube mais nada a respeito de seu paradeiro. O longo tempo de silêncio é justificado pela mulher, interpretada por uma sempre excelente Judi Dench, como decorrência do seu sentimento de pecaminosidade diante do que fez, tornando desconfortável a sua confissão a quem quer que fosse. Como que liberada dessa prisão mental, ela toca no assunto pela primeira vez com a filha, que logo comenta sobre a história com Martin, vivido no filme por Steve Coogan, também autor do roteiro com Jeff Pope.

Inicialmente, ele rejeita a ideia de transformar em livro o episódio e seus desdobramentos, justificando que se trata de uma daquelas “histórias de interesse humano”, filão que está fora de sua área, além de já estar prestes a se envolver com história russa, este sim o seu objeto de escrita. Questionado pela mulher sobre o porquê de não acolhê-las, ele argumenta que são “um eufemismo para histórias sobre pessoas de cabeça fraca, vulneráveis e ignorantes para encher as páginas de jornais lidos por pessoas de cabeça fraca, vulneráveis e ignorantes”, mas não convence a mulher, que promove um encontro seu com Philomena. Aos poucos, ele passa a uma espécie de comoção por aquela senhorinha tão simpática e de senso de humor inglês e peculiar ao mesmo tempo, que vem se somar a sua complicada situação profissional – ele acabou de ser demitido – e volta atrás em sua ideia sobre histórias como aquela, e eis a primeira qualidade do filme de Stephen Frears: a química maravilhosa entre Dench e Coogan, à vontade a cada cena.

Através dos diálogos proferidos pelos personagens, o longa-metragem mostra a que veio e distribui alfinetadas certeiras contra a Igreja Católica, a grande vilã da história, além de passar pela questão da homossexualidade e do regime republicano do ex-presidente Ronald Reagan. Tudo isso sem jamais esquecer o senso de humor, como alguém que é capaz de perder o amigo, mas não perde a piada. A opção por temperar a história com ironia e comentários espertos e, por vezes, desbocados, coloca Philomena em um patamar diferente daquele ocupado por vários dramas. Onde muitos se acanhariam em fazer sorrir, este aqui insere bem-vindos alívios cômicos que dão ao enredo um misto de seriedade, leveza e frescor. É um raro prazer testemunhar Dench, uma atriz de semblante normalmente sisudo, na pele de uma mulher com um passado tão triste e capaz de tiradas tão interessantes, destinadas sobretudo a Martin, um ateu que chega a questionar sua descrença no período em que convive com ela, ainda que não demonstre abandoná-la.

Em seus enxutos 98 minutos, Philomena encontra tempo de ser road movie, já que os protagonistas rumam da Irlanda para os Estados Unidos, onde Anthony foi morar com seus pais adotivos, em busca de notícias. É quando ela tem a chance de conhecer pessoas importantes na trajetória do filho e vai se sentindo mais próxima dele como jamais tinha sido possível em décadas. Mesmo nessa fase da história, nada de choradeiras ou trilha sonora apelativa. Aliás, como em 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave, 2013), a música se mantém discreta ou até mesmo ausente em cenas cruciais da história, cabendo aos atores a responsabilidade de despertar a emoção do público. É mais um ponto a favor do filme, que acabou entre os nove indicados na categoria principal da edição 2014 do Oscar e, de certa forma, tornou-se representante das produções ditas menores na premiação da Academia. No olhar de alguns, pode parecer exagero, mas não lhe falta cacife para tal seleção.

Entrevistada por ocasião do lançamento do filme, a verdadeira Philomena Lee fez questão de lembrar que a sua história é a mesma de milhares de outras irlandesas que conceberam filhos fora do casamento e levados para adoção à sua revelia. Portanto, desencavar o seu passado é apontar o dedo para a Igreja Católica, entre cujos dogmas está o pagamento de penitências quando se comete um pecado, como se o sacrifício humano pudesse torná-lo limpo diante de Deus. Tal pensamento se traduziu na decisão de fazer Philomena dar à luz Anthony sem qualquer anestesia, cena relembrada pela personagem, que compartilha sua dor com o público, sob o filtro da escrita de Martin, sem traços de autocomiseração. Ainda na entrevista, ela confessa que perdeu a fé na instituição, para recuperá-la tempos depois, ainda que jamais tenha sido capaz de esquecer o filho. A julgar pela maneira como é retratada no filme, Philomena é uma companhia bastante agradável e nada amargurada, que foi capaz de oferecer perdão aos seus algozes. “Simples assim?”, questiona um perplexo Martin. “Não é simples assim. É difícil. Difícil para mim. Mas eu não quero odiar as pessoas”. Sábia decisão.

As “Orquestras Sanfônicas” resgatam a sonoridade de um dos instrumentos mais universais e vão se consolidando em todo o Brasil





Um dos instrumentos musicais mais populares do mundo, conhecido por muitos nomes diferentes: acordeom, sanfona, gaita, realejo, entre tantos outros, é utilizado tanto nos forrós do Nordeste, quanto em orquestras que executam do clássico ao popular


Este invento - a sanfona - que já foi considerada um brinquedo de criança e atualmente encanta o mundo, extrai de suas notas um diálogo perfeito, ora passando pela linguagem regional, ora exibindo traços de contemporaneidade.Trata-se de um instrumento "regional" e "típico" em diversos lugares do mundo. Pode fazer parte do universo musical italiano, francês, argentino, cigano e claro, genuinamente brasileiro, do Norte ao Sul do país.

Pato Branco PR

Movidos pela paixão pelo acordeom, em 2006 surgiu a Orquestra Sanfônica de Pato Branco. O grupo é composto por 16 acordeonistas, com diferença de idade de até 50 anos, acompanhados por um trio composto por bateria, violão e contrabaixo.

No show Releituras, o acordeom mistura as influências dos participantes do grupo. O show traz um repertório que revela bem a identidade dos integrantes. Uma viagem musical que se inicia na região sul, passa pelo nordeste e escala na Argentina com o tango e o chamamé, somando influências regionais brasileiras e internacionais para o espetáculo. O regente do grupo é o acordeonista Diego Guerro. . O show Releituras entoa desde a primeira música a característica própria do grupo: uma fusão de gerações.

Teresina PI

A Orquestra Sanfônica Seu Dominguinhos, de Teresina PI, executa em suas apresentações, além de clássicos da música popular, algumas composições eruditas, levando ao público nomes como Noca do Acordeom, Waldir Azevedo, Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Strauss e Brahms.

O conjunto de sanfoneiros foi formado em 2012 para homenagear o músico Dominguinhos e atualmente segue realizando apresentações por toda Teresina e cidades vizinhas, difundindo a cultura e mostrando as possibilidades do único instrumento da orquestra, a sanfona. O grupo é mantido pela Prefeitura Municipal, através da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves.

No CMEI Renatinha, além da apresentação da Orquestra, serão realizadas atividades como recitais de poesia, jograis e apresentação de dança. A unidade escolar atende crianças com idade entre 3 e 5 anos e costumeiramente realiza ações sociais de integração para a comunidade.

João Pessoa PB

A Orquestra Sanfônica Balaio Nordeste teve origem em uma oficina de acordeom realizada pela Associação Balaio Nordeste e pela FUNJOPE – Fundação Cultural de João Pessoa em março de 2010.

Com diversas modificações em sua formação desde seu início, foi em janeiro de 2013, após a entrada do maestro Lucilo Souza, que a Orquestra adquiriu identidade e vem se firmando como um dos produtos culturais mais genuínos e expressivos da música nordestina.

O Maestro é aluno do curso de Licenciatura em Música na Universidade Federal da Paraíba, Bacharel em Regência pelo Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil e possui qualificações como produtor musical e arranjador.

Consolidando-se em 2012, a atual formação da Orquestra Sanfônica já possui inúmeros eventos importantes em seu currículo como a abertura da Pré-Conferência Estadual de Desenvolvimento do Bioma Caatinga da Rio +20 em Campina Grande-PB; no VII Festival da Música Instrumental do Centro Cultural do Banco do Nordeste; abertura do show de encerramento da 30ª Semana Cultural José Lins do Rego; na abertura do São João de João Pessoa; na cerimônia de inauguração do anexo da Estação cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes, entre tantos outros.

Existem ainda várias outras orquestras sanfônicas espalhadas pelo país, como a de Aracajú, apenas para citar mais uma. O importante nesse movimento é a busca pela preservação do acordeom, que é utilizado em várias partes do mundo e que é capaz de executar notas e melodias inimagináveis para qualquer outro instrumentos musical.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Festival de Cannes 2015: Dheepan, de Jacques Audiard, ganha a Palma de Ouro


Chegou ao fim o Festival de Cannes 2015! O júri comandado pelos irmãos Joel e Ethan Coen surpreendeu e deixou de lado filmes que estavam bastante cotados nos bastidores do festival, como Mia Madre, Youth e Mountains May Depart. O grande vencedor foi Dheepan, dirigido por Jacques Audiard (O Profeta), que deu a Palma de Ouro pela primeira vez ao cineasta francês

Uma das questões mais atuais em discussão na Europa tem a ver com a imigração, já que todo ano milhares de pessoas deixam seus países de origem, especialmente na Ásia e na África, rumo ao sonho de uma vida melhor em algum local na Europa. A França, por suas condições econômicas, é um dos portos preferidos. Diante de tal situação, não é nem um pouco estranho que Jacques Audiard, talvez o diretor francês mais conceituado na atualidade, queira colocar o dedo justamente nesta ferida.

A história gira em torno de um homem, uma mulher e uma garota, todos nascidos no Sri Lanka, que um dia recebem uma oportunidade de ouro: fingir que são outras pessoas e, assim, deixar a guerra que toma conta do local rumo a uma vida mais pacífica na Europa. A questão é que os três mal se conheciam neste momento e, para manter as aparências, precisam ao menos aparentar ser uma família comum. Outro problema: apenas a garota sabe francês, os demais ainda precisam aprender a língua.

Boa parte do longa-metragem é destinada justamente a esta interação forçada para que o trio possa sobreviver, o que inclui vários problemas de convívio e até mesmo ameaças de abandono latente. Dheepan (Antonythasan Jesuthasan) e Yalini (Kalieaswari Srinivasan), marido e esposa na ficção, enfrentam também questões referentes à adaptação, especialmente no meio de trabalho: ambos conseguem empregos próximos ao condomínio de classe baixa em que vivem, que pagam muito mais do que jamais sonhariam – por mais que, para o padrão europeu, seja um salário baixo. A vida, por mais que seja dura, é bem melhor do que a que tinham antes.

Bem atuado e com uma história de fundo social bastante relevante, Dheepan é um bom filme que encontra espaço no cenário político atual. Peca apenas no modo como trata a garota, que praticamente desaparece da narrativa na segunda metade da história.

Fonte: ADOROCINEMA

Galeria Olido está recebendo 'Tango aDeus', de Luis Arrieta, até o próximo dia 31



Em 2011, aos 60 anos, o bailarino, coreógrafo e diretor argentino Luis Arrieta completou 38 anos dedicados à dança. Entre as comemorações, ele recebeu o prêmio do Instituto Brasileiro Arte e Cultura (Ibac) 2010 na categoria dança, teve um livro sobre sua vida lançado pela Coleção Aplauso, escrito por Roberto Pereira, e criou dois solos: “Carnaval dos animais” e “Tango aDeus”
A característica mais marcante do solo “Tango aDeus” era esgotar todas as tentativas na busca de um significado para o nome da coreografia, que podia tornar-se “tango adeus”, “tango a Deus”, “tan go” (“ir” em inglês), entre muitos outros. Segundo Arrieta, o trocadilho foi mantido para que o público continuasse sem se preocupar em compreender, porque isso às vezes pode limitar a apreciação do espetáculo. “Toda a atividade artística abre outros meios de percepção que não sejam o intelecto”, afirma.

O sentimento que inspirou a segunda coreografia é revisitado pelo dançarino, que agora convida a bailarina, também argentina, Irupé Sarmiento, para dançar “Tango aDois”. A estreia do espetáculo acontece dia 21, na Sala Paissandu, da Galeria Olido.

A ideia não é representar um tango visto pelos turistas na Argentina, mas um que provoque sensações únicas. “Trazemos ao palco movimentos, situações e ocupações geométricas que levam, junto com a música e a iluminação, cada pessoa a criar seu próprio espetáculo”, explica Arrieta. “Pode ser que cada um veja um tipo de tango nunca visto. E também pode ser que o público enxergue o tradicional”. Além disso, o coreógrafo pretende que as pessoas reconheçam no duo situações comuns às suas próprias vidas.

O encontro dos bailarinos é um desejo antigo de ambos. Para Irupé, na coreografia existe a essência do tango, permitindo expressar através do corpo o que a música transmite. “Eu entrei nesse diálogo com o Luis para trazermos à luz o que ele conversava com seus próprios pensamentos sobre esse gênero argentino”.

O espetáculo de Luis Arrieta e Irupe Sarmiento é apoiado na icônica imagem da dança do tango, que além de ser a música tradicional portenha, tem se transformado no som intrínseco da cidade e no sentir profundo do homem urbano.

SERVIÇO

Tango aDeus
Luis Arrieta e Irupé Sarmiento
De 21 a 31 de maio de 2015
Quinta a sábado, às 20h e domingo, às 19h
Local: Galeria Olido (Sala Paissandu)
Av. São João, 473 – Centro – São Paulo/SP
Ingressos: Entrada gratuita (retirar os ingressos com uma hora de antecedência na bilheteria do teatro)
Classificação: Livre
Duração: 60 minutos

domingo, 24 de maio de 2015

Festival de fotografia popular na Maré questiona estereótipos sobre favelas



O Complexo da Maré, na zona norte do Rio, está sediando o 1º Festival de Fotografia Popular. O evento cultural organizado pelo Programa Imagens do Povo, da organização não governamental Observatório de Favelas, promove até domingo (24) oficinas, exposições e discussões em torno dos estereótipos sobre os moradores e as favelas

Nas fotos e debates, questões como o cotidiano das favelas, a educação e o direito à cidade serão abordadas: “Se há um único discurso que é um discurso de violência e de morte, e as únicas notícias são falando sobre essa violência, quando a gente conta outras histórias, a gente dá uma visão mais abrangente”, disse Rovena.

Coordenadora do Imagens do Povo, Rovena Rosa, disse que o festival é um encontro entre profissionais, interessados em fotografia, estudantes e pessoas que terão seu primeiro contato com a área nas mesas e exposições.

Com dez anos, o projeto preparou 200 fotógrafos, sendo grande parte deles moradora de favelas do Rio. Depois de formados, os profissionais são convidados a abastecer o banco de imagens do programa, que tem uma agência fotográfica com imagens do dia a dia das favelas: "É a nossa maneira de mostrar outras histórias desses espaços. Mostrar a beleza, o ponto positivo, a força e a solidariedade aumentam o repertório das pessoas em relação a esses espaços", disse.

No primeiro dia do festival foi inaugurada da exposição “Em nome do sagrado”, da fotógrafa Kita Pedroza, na Galeria 535, no Complexo da Maré. As imagens escolhidas para a exposição retratam a assistência religiosa em unidades socioeducativas para adolescentes em conflito com a lei.

Kita conta que o trabalho busca mostrar outro lado dos jovens: "a sensibilidade foi buscar mostrar que os jovens, que estão dentro do sistema e que recebem assistência, são pessoas e têm histórias. É quebrar um pouco o estigma com que esses jovens são vistos pela sociedade, só como criminosos".

Na experiência de acompanhar a assistência religiosa, ela conta que pôde ver como é desenvolvida uma relação entre os jovens e os religiosos que vão às unidades oferecer ajuda. "Criam-se laços fortes. É um momento em que os adolescentes sentem falta desse tipo de laço e de afeto".

Contrária à redução da maioridade penal, Kita espera que o trabalho sensibilize as pessoas a humanizarem os adolescentes nesta situação. "Esse olhar mais preocupado com a questão dos direitos ajuda muito a entender o que está acontecendo e ajuda a quebrar esse estigma. Ajuda a olhar para as pessoas como pessoas, e não apenas com a visão de criminosos".

Fonte: EBC

O inigualável Balé do Teatro Bolshoi volta ao Brasil com apresentações no RJ e SP





Dezesseis anos após sua última passagem pelo país, o maior e o mais tradicional balé do mundo apresenta-se, em junho, no Rio e em SP com os espetáculos “Spartacus” e “Giselle”


Fundado em 1776, o Bolshoi já começa grandioso em seu nome, que significa “grande” de Russo. A companhia se consolidou com um estilo que associa performances fortes e coloridas com técnicas de atletismo e intensa expressividade dramática. 

A excelência dos movimentos do Bolshoi é fruto da disciplina dos mais de 220 integrantes, que entram na escola através do mais rigoroso processo de seleção do mundo. E a eternização das técnicas fica por conta da integração de diferentes gerações dentro da companhia.

Sobre Spartacus

“Spartacus” apresenta a saga de um amor em meio a uma luta por justiça e dignidade. Spartacus e sua esposa Phrygia se tornam escravos do cônsul Crassus após a conquista de seu território por Roma. Ele se torna gladiador, enquanto sua companheira se torna uma concubina. Após ser obrigado a matar um de seus amigos, em uma apresentação para diversão dos romanos, Spartacus se rebela e lidera uma fuga de todos os gladiadores e outros escravos. 

No entanto, a liberdade de Spartacus não dura muito tempo. Ele é executado pelas tropas de Crassus e sua companheira, inconsolável, apela para que a memória de seus atos viva para sempre. A saga, representada desde 1968, é composta por 3 atos e sofreu algumas adaptações históricas para encenação.

“[Spartacus] é o maior sucesso da temporada 2014 do Bolshoi em Nova York” - The New Yorker e tem música interpretada pela Orquestra Sinfônica de Barra Mansa, regida por Pavel Sorokin.

Libretto: Yuri Grigorovich (baseado no romance de Raffaello Giovagnolli)
Coreografia: Yuri Grigorovich
Design: Simon Virsaladze
Direção musical: Gennadi Rozhdestvensky

sábado, 23 de maio de 2015

Banda "Os My Friends" fazem tributo aos cantores Tim Maia e Jorge Ben Jor





A banda “Os My Friends” agita mais uma noite de sábado, 23 de maio, às 23h, no palco do Commons Studio Bar, no Rio Vermelho. Esta edição será um tributo duplo em homenagem a Jorge Ben Jor e Tim Maia, e contará com a participação especial de músicos do cenário nacional e do cantor Magary Lord

Com uma roupagem moderna, a banda mostra seu trabalho encantando o público por onde passa, usando sempre muito suingue e descontração ao relembrar vários sucessos de grandes nomes da nossa música, além de suas canções inéditas. Fundada em 2005, a banda “Os My Friends” cresceu com a referência do suingue da música brasileira, desde a levada de Jorge Ben Jor e Gilberto Gil, até o groove de Tim Maia. 

Conhecida da noite de Salvador, a banda formada pelos músicos JP Castelhano, Wilton Bacelar, Leo Castelhano, Paulo Fael e Reni Almeida, faz ainda várias releituras de clássicos da música popular brasileira e traz também seu trabalho autoral.

As apresentações do grupo são marcadas por um som contagiante que fazem a cada edição, festas de grande satisfação, superando a expectativa do público presente.

Os My Friends
Voz, guitarra e violão: JP Castelhano (Boca)
Percussão: Wilton Bacelar (Batata)
Baixo: Leo Castelhano
Teclados: Paulo Fael
Bateria: Reni Almeida.

Músicos convidados:
Leo Couto - saxofone
Normando Mendes - trompete

Serviço:

Banda “Os My Friends”
Data: Sábado (23/05)
Horário: 23h
Local: Commons Studio Bar - Rua Odilon Santos - Rio Vermelho
Ingresso: R$ 35 (na porta) e R$ 25

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Com o ‘O Diário da Esperança', János Szász mostra de forma crua o sofrimento de crianças na guerra





No final da Segunda Guerra Mundial, a Hungria está praticamente destruída e derrotada. Dois garotos gêmeos de 12 anos de idade são enviados pelos pais para a casa da avó, que não demonstra o menor afeto por eles. Durante um ano os irmãos tentam lidar com a nova realidade do país e da nação


“- Por anos você não me escreveu e agora quer que eu a ajude?” pergunta a mãe da mãe. A Segunda Grande Guerra foi palco de muitos dramas. Como em toda guerra, a humanidade do inimigo desapareceu ou quase, e viveu-se um dia a dia de busca de sobrevivência e medo. A história dos gêmeos de doze anos que são deixados no campo pela mãe, com a avó, que ela não vê há muito tempo, em si mesma já é dramática. Por que aquela filha se afastou assim dos pais? E para onde segue?

“- Só quero que você proteja meus filhos.”

“Será que pelo menos eles tem um pai? Não fui convidada para o casamento... Vou por os dois para trabalhar. Comida não é de graça.”

E aquela velha baixinha e mal vestida, que mora numa casa pequena e suja e é intratável, vai infernizar a vida dos gêmeos.

O pai deles dera aos filhos um caderno, antes de voltar para a guerra. E a mãe pedira que eles fossem fortes e continuassem os estudos.

Aquele diário será preenchido com relatos da vida dos meninos. Terá marcas e restos de penas, sangue e desenhos, retratando os horrores a que presenciam. Ouvimos em “off” a voz de um deles que vai narrando os acontecimentos registrados no diário.

O diretor János Szász adaptou o romance de Agota Kristof (1935-2011), com fotografia de Christian Berger, que deu uma beleza flamenga aos retratos da natureza, sob o sol ou a neve, sem que com isso se esconda a podridão que ronda e que vai transformar aqueles meninos em sobreviventes sem sentimentos ternos.

Para ficarem mais resistentes, os gêmeos resolvem treinar o corpo para não sentir dor. Todos batiam neles sem precisar de nenhuma razão. Então, eles vão endurecer, esquecer que tem mãe, pai ou que passam fome e sede.

“- Precisamos esquecer das palavras doces de mamãe porque aqui ninguém nos trata assim e porque recordá-las dói muito.”

O oficial alemão, comandante do campo de concentração além da fronteira e que mora numa outra casa da avó, pergunta:

“- Por que vocês batem um no outro?”

“- Para nos acostumarmos com a dor.”

“- Vocês gostam da dor?”

“Não. Só queremos vencer a dor, o frio, a fome.”

Colocando uma couraça invisível, os dois só tem um ao outro, para poder sobreviver naquele inferno. Mas até isso será tirado deles, por eles mesmos.

Resta alguma piedade nos gêmeos porque não são maus. São apenas duas crianças fazendo o que podem para enfrentar homens em guerra.

Haverá esperanças de dias melhores?

Nós, adultos, precisamos pensar no que fazemos com nossas crianças e o que ensinamos a elas com os nossos exemplos. “O Diário da Esperança” fornece um bom material para esse exame de consciência necessário.

Projeto gratuito do Sesi-SP estimula público a conhecer música clássica





Nos domingos de maio, sempre ao meio-dia, grupos e artistas de música clássica sobem ao palco do Teatro do Serviço Social da Indústria (Sesi), na Avenida Paulista. Trata-se do Música em Cena, projeto cultural que existe desde 1999, um ano depois da inauguração do Centro Cultural Ruth Cardoso, da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp)


Os músicos são selecionados por edital. De acordo com Alexandra, esta é uma forma de contemplar também artistas não consagrados. Neste domingo (17), o projeto receberá o pianista Caio Pagano. Após longa ausência dos palcos brasileiros, ele retorna para apresentar o recital inédito no Brasil do CD Remembrance, que foi lançado em 2014 nos Estados Unidos. 

O repertório é composto por obras de Frédéric Chopin e Heitor Villa-Lobos, entre outros.“O projeto foi desenhado para incentivar e reconhecer artistas e grupos da música erudita instrumental, tanto brasileira quanto internacional. São várias formações, desde solo, duo, trio ou até orquestras”, explicou Alexandra Miamoto, gerente cultural do Sesi São Paulo. Por ano, ocorrem cerca de 30 apresentações, todas gratuitas.

No dia 24, o palco será de Dimos Goudaroulis e Guilherme de Camargo com a sonoridade de violoncelos e cordas dedilhadas. A dupla, segundo Alexandra, dedica-se à pesquisa e interpretação de composições dos séculos 17 e 18. Eles tocam instrumentos raros como o violoncelo barroco, alaúde e guitarra barroca.

Para fechar o mês, no domingo dia 31, Ana Valéria Poles e Dana Radu apresentam o repertório do CD Por Toda Minha Vida. Formado em 2009, o duo da pianista Dana Radu e da contrabaixista Ana Valéria oferece ao público peças pouco executadas, como as do compositor Henrique Oswald.

Todas as apresentações são gratuitas, mas é preciso retirar ingresso na bilheteria uma hora antes do início do espetáculo. Também é possível fazer reservas pela internet no site do teatro. "A nossa ideia é trazer essas pessoas, que gostam do trabalho, que já acompanham concertos de música clássica, mas também formar novos públicos”, destacou Alexandra Miamoto.

A direção do Sesi estuda a possibilidade de estender a atração para unidades de outros estados da federação, mas sem data para conclusão do estudo.

Fonte: EBC