sábado, 11 de abril de 2015

'Père-Lachaise', o cemitério mais famoso do mundo deve ser entendido como um culto, ao mesmo tempo, à genialidade e à fraqueza humanas





O Père-Lachaise não é apenas um cemitério: é uma das atrações turísticas mais visitadas de Paris, com mais de dois milhões de visitantes por ano, e que consta em todos os guias de viagem sobre a Cidade Luz. Várias personalidades estão enterradas ali, das mais diferentes atividades


O que não muita gente não sabe é que a tática de enterrar celebridades no lugar foi usada desde o começo para ter público, embora não fossem exatamente as pessoas vivas que eles queriam atrair. Novamente o lugar passa pelas mãos de vários donos, até que, em 1803, é comprado pela cidade de Paris por ordem de Napoleão I. O imperador queria fazer ali o cemitério de leste parisiense. E o nome do padre continuou, pois o local ficou conhecido como Cimetière Père-Lachaise. A inauguração acontece em 21 de maio de 1804.

Alguns anos depois, em 1871, acontece uma tragédia no cemitério. Em plena Comuna de Paris – um conflito de trabalhadores contra o governo, que devastou a cidade e causou a morte de milhares de pessoas em pouco mais de dois meses – , em 28 de maio, depois de horas de batalha, 147 revolucionários são fuzilados diante de um muro do Père-Lachaise, que ficou conhecido como Mur des Fédérés. A obra atual, uma homenagem, foi reconstruída no lugar onde foram enterradas as vítimas. Já os restos do muro original foram utilizados para a construção de um monumento ali no bairro, dedicado aos mortos das revoluções.

Monumento à morte

No famoso cemitério, há uma escultura impressionante: o monumento à Morte. Uma porta entreaberta, com força irresistível atrai a todos. Alguns se deixam arrastar, impotentes, pela porta da Morte. Outros, sem sentido, jazem por terra, outros ainda, com desespero, tentam defender-se. Inutilmente.

Compondo o cenário algo confuso, dois homens ali se encontram, cabeças erguidas, rostos serenos, indiferentes ao pavor e à morte. Seus pés repousam sobre um túmulo vazio, a lousa removida e nesta sepultura a inscrição: ELE NÃO ESTÁ AQUI. A obra é a ilustração do Evangelho de Lucas, quando os Anjos, no Terceiro Dia, proclamam que Jesus ressuscitou.

Algumas curiosidades do Père-Lachaise

O Crematorium (Crematório) – Em 1887, uma lei volta a autorizar a cremação, que estava proibida desde 1815 por causa da Igreja Católica. Assim, em 1890, é inaugurado o crematório. Obra do arquiteto Jean-Camille Formigé, tem inspiração bizantina e compõe-se de uma sala de cerimônia, que se parece com uma igreja, com duas galerias laterais para acolher as famílias.

No subsolo, há uma sala de espera de 70m2. E é aí que está uma obra interessantíssima: Le Retour Éternel, última escultura de Paul Landowiki. Não reconheceu o nome? Pois foi ele um dos escultores do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.

Formigé também fez o Columbarium, que recebe as urnas dos mortos após a cremação. Por falta de espaço, pois o número de cremações ainda é grande, foi necessário ampliá-lo e hoje ele ocupa quatro andares, dois no térreo e dois no subsolo.

Falando dos mais visitados, não dá para esquecer Edith Piaf (1963, 97ª), Yves Montand (1991, 44ª), enterrado com a esposa, a atriz Simone Signoret (1985), Chopin (1849, 11ª), Maria Callas (1977, 97ª, é só um monumento, pois suas cinzas foram jogadas no mar Egeu) e, é claro, Jim Morrison (1971, 6ª), outro túmulo protegido. Aliás, é bem engraçado porque ao redor dele sempre há alguém que está bem maluco.

O Père-Lachaise não é um lugar macabro, e nem de culto à morte. Deve ser entendido como um culto, ao mesmo tempo, à genialidade e à fraqueza humanas. Ao ver tanta arte, tantas histórias de vidas ali, pensamos em quanto o homem é capaz de fazer coisas belas. Mas, as lembranças das guerras e conflitos nos mostram o quanto ainda há muito que evoluir.

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