domingo, 19 de abril de 2015

Jornalista correspondente no Brasil do jornal sueco Dagens Nyheter, lança livro sobre Brasília, cercado de polemica





Henri Johnson esteve pela primeira vez em Brasília no ano de 2002, durante a cobertura das eleições que levaram Luiz Inácio Lula da Silva à presidência. Desde então, o jornalista decidiu fixar residência no Rio de Janeiro e passou se interessar por Brasília, fazendo viagens frequentes à Capital Federal


Correspondente no Brasil do jornal sueco Dagens Nyheter, o jornalista Henrik Jönsson lançou o livro "Fantasy Island – Brave New Heart Of Brazil", sobre a capital Brasília. Durante dois anos (de 2008 a 2010), o sueco entrevistou personagens de diferentes classes sociais, como políticos, juízes, prostitutas e empregadas domésticas e não hesitou em vivenciar o mundo de violência e drogas que envolve a capital.

“No meu primeiro encontro com Brasília me senti pisando na lua. Fui surpreendido por uma cidade como nenhuma outra. Um Brasil totalmente à frente do restante do país, um dinâmica completamente diferente da que imaginamos quando chegamos de fora. A cidade da ordem e do progresso me lembrou muito a Suécia que eu havia acabado de deixar”, observa Jönsson.

25 capítulos

O livro é dividido em 25 capítulos, quebrando um intervalo de 25 anos da última publicação internacional escrita sobre Brasília. Entre os destaques está a conversa do jornalista com a prostituta de luxo Luára, que trabalha no Alpha Pub, por onde passam muitos lobistas quando estão em Brasília. A moça, que cobrava entre R$ 500 e R$ 1.000, revelou detalhes picantes sobre seu ofício.

“Às vezes, os parlamentares se apaixonam, se sentem acolhidos, e querem voltar. Eu tento manter a minha distância. É uma questão de ser profissional. Eu vendo o meu corpo, não a minha alma. O que Mônica Veloso fez foi errado. Ela explorou a situação”, diz Luára no livro, referindo-se a Mônica Veloso que teve um caso com Renan Calheiros, presidente do Senado.

O autor também narra o cotidiano das cidades satélites. Acompanhado por uma empregada doméstica, moradora da região, ele testemunha um mundo de drogas e violência a poucos quilômetros do Palácio do Planalto.

“Nunca tinha visto uma coisa igual. Era bem pior do que as favelas do Rio. A gangue andava com pistolas nas mãos e a polícia passava sem fazer nada. Depois, tentaram estuprar a empregada doméstica e a filha dela porque a menina não queria sair com o líder do grupo”, lembra.

"Fantasy Island" busca mostrar Brasília além da política, abordando histórias curiosas sobre a capital federal. Entre elas, está a de Tia Neiva, uma ex-caminhoneira que criou uma cidade satélite espiritual e que é tida como “Deus” entre os fiéis. Tudo isso acontece no Vale Amanhecer, a poucos quilômetros do Plano Piloto.

“Quando cheguei lá me deparei com mais de 25 mil seguidores, todos vestidos com roupas que parecem ter saído de filmes futuristas, como Star Treks”, conta.

Para os interessados em arquitetura, uma novidade. Pela primeira vez uma publicação revela a cidade que inspirou Lucio Costa a desenhar Brasília. “O protótipo é o Vällingby, um subúrbio Sueco fora de Estocolmo, que foi criado pelo sueco modernista Sven Markelius, conhecido entre outras coisas por ter desenhado um dos salões na sede da ONU, em Nova York. Vällingby foi inaugurado em 1954 e foi visitado por Lucio Costa antes de ele projetar o Plano Piloto de Brasília”, garante Henrik Jönsson, explicando que Vällingby é conhecido por ter sido residência do mais famoso primeiro-ministro da Suécia, Olof Palme.

O livro, já lançado e elogiado pela crítica na Suécia e no Canadá, chega ao Brasil, no próximo dia 21 de abril, coincidindo com as comemorações pelos 55 anos de Brasília.

"Fantasy Island – Brave New Heart Of Brazil"

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