domingo, 19 de abril de 2015

Documentário "Eu Sou Carlos Imperial" revela talento de gênio e de mentiroso do home que revolucionou a MPB





Dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil, o documentário "Eu Sou Carlos Imperial" radiografa a trajetória de Imperial, figura ímpar do show business brasileiro, conhecido por descobrir talentos como Roberto Carlos, Tim Maia, Wilson Simonal e Elis Regina

Cafajeste, cínico, mulherengo e grande marqueteiro, Carlos Eduardo da Corte Imperial ficou conhecido como o apresentador de TV que fecundou a Jovem Guarda e lançou nomes como Roberto Carlos, Elis Regina, Tim Maia e Wilson Simonal. Mas ele foi muito mais: ator, compositor, dramaturgo, jornalista, cineasta, político e mentor intelectual do estilo musical "Pilantragem" - embora negasse, afinal "intelectual não come ninguém".

Ele fez todos acreditarem que os Beatles tinham gravado "Asa Branca", de Luiz Gonzaga. Rodou e deu entrevistas sobre um filme baseado em um conto do italiano Pier Paolo Pasolini. Trocou tabefes ao vivo com Erasmo Carlos em um programa da Rádio Bandeirantes. E, como se não bastasse tudo isso, deu em primeira mão a "notícia" de que o ator Mário Gomes estava em um hospital sofrendo com uma incidental cenoura enfiada em local impublicável do corpo.

Mulherengo e marqueteiro, ele também foi ator, compositor, dramaturgo, jornalista, apresentador de TV, cineasta e político. É autor de grandes sucessos da década de 1960, como "A Praça", "Vem Quente que eu Estou Fervendo", "Mamãe Passou Açúcar em Mim" e "Nem Vem que Não Tem". O filme faz sua estreia nacional no festival "É Tudo Verdade", que começa no próximo dia 9 de abril.

Famosas, algumas com status de lenda urbana, as mentiras de Carlos Imperial entraram para a história e agora viraram filme: "Eu Sou Carlos Imperial" - documentário que, por uma ironia que é a cara do biografado, estreia no festival "É Tudo Verdade", no próximo domingo (12).

Com a câmera na mão, era um diretor instintivo, que dispensava roteiros, autroproclamava-se o "Orson Welles brasileiro" —um Orson bem mais pornográfico. É dele também a autoria (termo talvez um pouco "forte") da entonação clássica do anúncio das notas na apuração das escolas de samba, que até hoje persiste. Gênio excêntrico para uns, picareta oportunista para tantos outros. Assim era Imperial, (quase) sempre um sinônimo de sucesso.

"Ele era tudo isso, sim, um multitalentos, mas costumo defini-lo como um grande ficcionista. Um cara que criava histórias e personagens para ele e para outros artistas", conta Ricardo Calil, um dos diretores do documentário, em recente entrevista. "Às vezes colava, às vezes, não. Ele inventou o Roberto Carlos como cantor de bossa nova, e não deu certo. Tentou fazer da Elis Regina uma cantora de rock, também não rolou. Dando certo ou não, era um criador em todos os sentidos. Admirava muito o Colonel Tom Parker, promotor do início da carreira do Elvis, que fazia tudo o que fosse necessário para ter sucesso."

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