sábado, 11 de abril de 2015

Acervo do Banco Central reúne obras das mais significativas de autoria de Portinari





Um dos acervos mais ricos do Brasil, o Banco Central do Brasil possui um conjunto de cerca de 2.500 obras de arte brasileira, reunindo os nomes mais significativos do cenário artístico nacional, com destaque para os quinze trabalhos do celebrado pintor Candido Portinari

Compondo o acervo, pode-se destacar:

Doze painéis em óleo sobre tela e em têmpera sobre tela, de cerca de dois metros de altura por um e meio de base: Seringueiros, Jangada do Nordeste, Gaúchos e Vaqueiros do Nordeste, de 1954, e Bumba-meu-boi, Frevo, Samba, Baianas, Garimpo em Minas Gerais, Descobrimento, Anchieta e Bandeirantes, de 1956. Constituem a série Cenas Brasileiras;

O painel Descobrimento do Brasil, composição em têmpera e óleo sobre tela, de cinco metros de altura por quatro de base, concluído em 1955;
Duas paisagens, também em óleo sobre tela, datadas respectivamente de 1938 e 1952: Figura em Paisagem e Paisagem de Petrópolis

Os doze painéis da série Cenas Brasileiras foram elaborados para a sede da Revista O Cruzeiro, no Rio de Janeiro, por encomenda de Assis Chateaubriand, líder do grupo de comunicação Diários Associados. O painel Descobrimento do Brasil, nominado em alguns documentos como Descida dos Pioneiros, foi encomendado para decorar a sede do Banco Português do Brasil, no Rio de Janeiro, por intermédio de Raymundo de Castro Maya, mecenas da arte brasileira, colecionador e incentivador de Portinari.

Em fins dos anos 1960, com o declínio dos Diários Associados e o encerramento das atividades do Banco Português do Brasil, a série Cenas Brasileiras e o painel Descobrimento do Brasil passaram a integrar a coleção do Banco Halles de Investimentos. O Banco Central incorporou série e painel ao seu patrimônio, por conta de créditos que detinha perante aquela instituição, submetida à intervenção, em 1974.

As outras duas obras de Portinari - Figura em Paisagem, de 1938, e Paisagem de Petrópolis, de 1952 -, pertenciam, na década de 1970, à Galeria de Artes Collectio, intermediária no mercado de artes de São Paulo, e constituíam garantia de empréstimo tomado junto ao Banco Áurea de Investimentos. Quando da falência da galeria, em 1974, a instituição financeira as recebeu em pagamento. Mais tarde, o banco enfrentou problemas financeiros e as duas telas de Portinari vieram a integrar a coleção do Banco Central.

Desde então, as quinze pinturas de Candido Portinari integram o Acervo Principal da Coleção Banco Central e constituem um dos mais relevantes conjuntos de peças da lavra do mestre em poder de instituições públicas ou museológicas no Brasil.

História

Filho de imigrantes italianos que trabalhavam nos cafezais do interior paulista, Portinari cedo manifestou inclinação para a pintura, quando colaborou na decoração da capela de sua cidade natal, a pedido de um artista itinerante. Veio para o Rio de Janeiro em 1918, ingressando na antiga Escola Nacional de Belas Artes. 

Concorreu em diversas exposições promovidas pela ENBA, iniciando sua carreira artística já com várias premiações. Em 1928, recebeu o prêmio Viagem ao Estrangeiro, indo fixar-se em Paris, de onde empreenderia diversas viagens para as principais capitais europeias. De volta ao Brasil, afastou-se da ENBA, procurando estabelecer parâmetros mais autênticos para sua arte. 

Atravessou um período de certa dificuldade no plano profissional até o início de sua afirmação como artista, conquistada com a Menção Honrosa na exposição promovida pelo Instituto Carnegie, no ano de 1935, em Nova Iorque, com a tela "Café", hoje no acervo do Museu Nacional de Belas Artes (RJ). Sucederam-se a partir daí encomendas feitas por entidades nacionais e internacionais e atualmente museus de muitos países possuem suas obras. 

Como pintor, considerado como um dos mais representativos da arte brasileira, conseguiu promover a união fecunda entre a sua produção artística e a dimensão cultural e histórica do Brasil. O artista buscou captar todas as peculiaridades do povo brasileiro, através de uma visão antropológica das diversas regiões que compõem a nação, como exemplificam os 12 painéis da coleção do Banco Central.

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