sexta-feira, 27 de março de 2015

Tradição da Páscoa: consumir peixe da Quarta até a Sexta-Feira Santa e muito chocolate no domingo



Um dos mandamentos da Igreja Católica é abster-se de carne [vermelha] e observar o jejum nos dias por ela estabelecidos [Quarta-feira de Cinzas, Quinta e Sexta-feira Santas]. Essa convenção remonta ao século XI, quando o Papa Urbano II a determinou como prática de penitência

O peixe, símbolo profundo na tradição cristã, tornou-se assim, uma opção para o consumo de carne na Semana Santa. Em grego, a palavra peixe – ichtys – servia para a identificação entre os seguidores de Cristo quando eram perseguidos. São as letras iniciais da seguinte frase, em grego: “Jesus Cristo, Filho de Deus Salvador”.

Em quase todas as regiões brasileiras o peixe reina em inúmeras receitas culinárias elaboradas especialmente para o período da semana santa. A variedade de pescados típicos do litoral brasileiro estimula o seu preparo nas mais diversas formas. 

Os ingredientes locais, herança das culturas étnicas – portuguesa, hispânica, africana e ameríndia –, são responsáveis pela adequação dos alimentos do período pascal ao paladar de cada região. Neles são acrescentados condimentos africanos, indígenas, muito de adaptação do povo brasileiro aos costumes portugueses – azeite, vinhos e bacalhau –, temperos e iguarias.

Tradição do bacalhau

A presença do bacalhau na mesa brasileira remonta as primeiras décadas da colonização portuguesa e sua origem é, basicamente, do mar da Noruega. Bacalhau é o nome “genérico” de quatro peixes, o Saithe, o Ling, o Zarbo e, o mais nobre deles, o Cod. Com o bacalhau são elaborados pratos que, muitas vezes, seguem à risca a maneira como o povo lusitano o prepara ou de outra forma, com adaptações ou acréscimos, sem comprometer o sabor.

Já o costume português, incorpora, na Páscoa também a carne de cordeiro. Segundo o Antigo Testamento, na Páscoa dos judeus, um cordeiro era sacrificado e degustado na ceia. O animal deveria ser macho, de um ano e sem defeito, assado inteiro, sem quebrar os ossos, acompanhado de ervas amargas e pão ázimo. No Brasil, poucos fieis adotariam esse cardápio. A maioria prefere o bacalhau, camarão, lagosta, crustáceos e peixes de todos os tipos.

Ovos de Páscoa

A presença dos ovos na Páscoa remonta à antiga Pérsia – onde eram utilizados ovos de galinha – para evocar a vida no final do inverno. Os orientais tinham como costume cozinhá-los com beterraba e, após a infusão de ervas como açafrão, embrulhá-los com cascas de cebola. Os egípcios, persas e chineses distribuíam os ovos, que depois de retirados da casca ficavam com desenhos mosqueados, no início da primavera. Para eles, o ovo significa, sobretudo, a origem da vida. O hábito foi adotado, séculos depois, pelos cristãos como símbolo oficial da Páscoa representando a ressurreição da Humanidade.

Os ovos naturais foram utilizados durante alguns séculos pelos católicos, mas com o decorrer dos anos foram substituídos pelos de chocolate. Vindos de Paris, chegaram ao Brasil na segunda década de 1900 e poucos tinham acesso à guloseima. Depois do avanço dos processos industriais, que permitiu maior produção e diminuição do custo, o ovo de chocolate ganhou espaço na mesa de quase todas as famílias.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário será publicado após análise.
Obrigado!