sexta-feira, 20 de março de 2015

Retratando um Brasil globalizado, nova geração de escritores brasileiros produz literatura urbana e universal

Aos clássicos, nossas sinceras desculpas, mas evoluir é preciso. Descortina-se no Brasil uma nova geração de autores com variados estilos e tendências e essa nova geração quer resgatar o gosto pela nossa literatura, quem perdido espaço para títulos do exterior

Temas como identidade nacional e histórias ambientadas no interior, típicos de gerações anteriores, deram lugar a relatos subjetivos e urbanos, que poderiam se passar em qualquer lugar do mundo. Essa é a nova geração de autores nacionais.

"Cresciam as roças de cacau, estendendo-se por todo o sul da Bahia, esperavam as chuvas indispensáveis ao desenvolvimento dos frutos acabados de nascer, substituindo as flores nos cacauais", descrevia Jorge Amado em Gabriela, cravo e canela, de 1958. "O trânsito fica horrível, a cidade, esse caos que está hoje, e além do mais eu acabo sempre perdendo o guarda-chuva", escreveu Carola Saavedra quase 50 anos depois, em Toda Terça, de 2007.

A realidade brasileira mudou nas últimas décadas, e isso se reflete na literatura. Apesar da variedade de temas em meio a um país mais industrializado e globalizado, é possível apontar algumas tendências na atual geração de escritores. Se antes predominava um ambiente rural ou tropical, hoje as histórias se passam num Brasil urbano ou até mesmo fora de um cenário brasileiro identificável. Os jovens autores são menos preocupados com a identidade nacional.

"Por muitos anos, essa identidade foi definida como um retorno ao campo ou ao Brasil 'autêntico'", diz o prefácio da edição O melhor dos jovens romancistas brasileiros da revista literária britânica Granta, de 2012. Já os escritores de hoje, "filhos de uma nação mais próspera e aberta, são cidadãos do mundo tanto quanto são brasileiros".

A Granta publicou trechos de 20 jovens autores, como Saavedra, Daniel Galera e Michel Laub. Estes e outros novos nomes figuram entre os 70 escritores que representarão o Brasil na Feira de Frankfurt deste ano. O equilíbrio entre autores consagrados e os da nova geração foi um dos critérios de escolha, afirma o crítico literário Manuel da Costa Pinto, um dos três responsáveis pela seleção.

Costa Pinto aponta que, a partir da década de 1970, é difícil falar em homogeneidade na literatura brasileira, e o recorte geracional passou a ser simplesmente temporal. Mas ele reconhece a recorrência da temática urbana.

"Existe uma tendência de se falar da experiência do indivíduo urbano, culto, de classe média, envolto com questões subjetivas e pessoais, mas tendo como pano de fundo – mais ou menos – a questão brasileira", diz.

Apoio a novos autores
Atendendo à grande demanda de novos talentos literários que apareceram no país, surgiram editoras que procuram conciliar os interesses do autor em consonância com objetivos da empresa.

Com a política inovadora, o novo autor não precisa aguardar diversos meses para obter uma resposta efetiva sobre a publicação de sua obra, e a editora tem a oportunidade de apresentar aos seus leitores novas promessas literárias que poderão se firmar como grandes escritores.

Mas, como nem tudo são flores, as obras candidatas à publicação terão que ser avaliadas por prepostos da editora e seus parceiros e só serão aprovadas se realmente possuírem qualidade literária.

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