quarta-feira, 11 de março de 2015

O bairro da Federação, na mais africana das capitais do país, Salvador, reúne a maior concentração de terreiros de candomblé da Bahia



O centenário bairro da Federação, em Salvador BA é um mais antigos da capital baiana e o que reúne a maior concentração de terreiros de candomblé e outras manifestações da cultura afrodescendente no estado

Em pesquisa recente, ele foi reconhecido como comunidade de resistência negra na cidade, afinal o bairro concentra cerca de terreiros de candomblé, além do busto de Mãe Runhó, único monumento público a uma secerdotisa de religião africana. 

A Federação concentra ainda faculdades e outras instituições de ensino, cemitérios, hospitais e um forte variado comércio. A sua artéria mais importantes é a Avenida Cardeal da Silva que corta todo o bairro, ligando-o à orla através do bairro do Rio Vermelho e ao coração da cidade, a praça do Campo Grande.
 

Atrativos
 

PARÓQUIA DE SANTA CRUZ

A Paróquia de Santa Cruz chegou no Engenho Velho da Federação em 1964. Esta igreja católica possui pastoral das crianças, pastoral familiar, grupo de jovens, grupo da melhor idade, e vários grupos de catequese. Também, por ela, já foi organizada uma caminhada ecumênica em busca da paz. O seu calendário festivo tem início no mês de março com a Assembléia Paroquial, Via Sacra, Semana Santa e Caminhadas Penitenciais. No mês de maio, o mês Mariano, tem Santo Antônio em doze casas das famílias e um dia na Igreja, e o Corpus Christi, quando fazem procissão nas ruas.

TERREIROS DE CANDOMBLÉ

- CASA BRANCA DO ENGENHO VELHO

Situada na Avenida Vasco da Gama, a Casa Branca do Engenho Velho, ou Ilê Axé Iyá Nassô, foi tombada em 1984 e é considerada o primeiro Monumento Negro do Patrimônio Histórico do Brasil. Conta-se que a Casa Branca é a primeira casa de candomblé aberta em Salvador. O centro foi fundado em um engenho de cana, então transferido para uma roça na Barroquinha – ainda nos limites urbanos da cidade. Com o crescimento do centro administrativo da cidade de Salvador, ocorre uma migração da população para outras áreas. Iya Nassô, uma das negras africanas fundadoras do terreiro, arrendou terras do Engenho Velho do Rio Vermelho de Baixo, estabelecendo aí o primeiro Terreiro de Candomblé. Este agrupamento conta com mais de 300 anos de existência, a sucessão da se dá através da linhagem familiar. Atualmente a Iyalorixá Altamira Cecília dos Santos é a mãe de santo da casa.

- TERREIRO DO BOGUM: ZOOGOODÔ BOGUM MALÊ RUNDÔ

Localizado na Ladeira Bogum, antiga Manoel Bonfim, o Terreiro do Bogum, Zoogodô Bogum Malê Rundó, diferente dos outros terreiros de Salvador, é de nação Jeje, com tradição ligada ao Benin. Os Jeje entraram no Brasil por volta do século XVII e início do século XVIII, sua marca cultural tem registro na Bahia e em Mina. A língua falada em seus rituais é o ewé, do povo fon, e as entidades cultuadas são os voduns do Daomé. A sucessão no Terreiro do Bogum se dá pela linnhagem e através dos búzios . Mãe Índia, chefe do terreiro do Bogum, é sobrinha-neta de Valentina, Mãe Runhó. Uma das tradições do Terreiro é a missa em homenagem a São Bartolomeu, realizada anualmente há duzentos anos. Conta-se que neste terreiro refugiavam-se escravos e negros malés

- TERREIRO ILÊ AXÉ OBÁ TONI

O Terreiro Ilê Axé Obá Toni, localizado na Ladeira da Paz no Engenho Velho da Federação, passou de Julieta Costa Ferreira para mãe Elza, que é filha de santo da Casa Branca, e atualmente é chefiado por Marivalda Ferreira. A sucessão é escolhida hereditariamente e através dos búzios. As festas da casa celebram Ogum, Omolu e Xangô em dezembro. Em janeiro, festas de Xangô, das Yabas, Oxum de mãe Elza, Oxalá e Iemanjá e festa dos Erês até antes do carnaval. Em julho tem festa de caboclo, em setembro, Amalá de Xangô.

- TERREIRO ILE AXÉ OMIRÉ OJU IRÊ

O terreiro Ile Axé Omiré Oju Irê foi fundado há anos no Engenho Velho da Federação, mas ele surge antes disso. Mãe Hildete conta que se tornou mãe de santo por imposição dos orixás. Seu pai tinha sessão de batida, ela é neta de Maçu de Oxum, filha de Joana de Ogum, e filha de santo de Conceição de Itinga, filha de santo de Adleía Santos, Ialorixá do Nordeste de Amaralina. A sucessão da chefia do terreiro, de nação ketu e língua ioruba, é feita hereditariamente. O calendário de obrigações da casa celebra Exu e Ogum em janeiro; em agosto, Omolu e Omolu Obaluaê; em setembro, Amalá de Xangô; em dezembro Ogum, Iemanjá, Oxum e Iansã. O terreiro oferece curso de percussão, pintura em tecido, trabalho com contas e palhas, bainha aberta.

Personagens
MÃE RUNHÓ

Maria Valentina dos Anjos Costa (1877 - 1975), Doné Runhó, foi uma alta sacerdotisa do Zogodô Bogum Male Rondó, nome sagrado do Terreiro do Bogum, único de cultura jejê-mahi em Salvador. Uma praça no Engenho Velho da Federação foi nomeada em sua homenagem. O seu busto, localizado no meio da praça, é a única homenagem pública a uma sacerdotisa da religião de matriz africana na cidade.

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