quinta-feira, 5 de março de 2015

Música sertaneja: são raras, mas existem exceções nesse ramo do mercado fonográfico


A música sertaneja original surgiu em 1929, quando Cornélio Pires, pesquisador, compositor, escritor e humorista, começou a gravar "causos" e fragmentos de cantos tradicionais rurais da região cultural caipira, que abrange a área do interior paulista, norte e oeste paranaenses, sul e triângulo mineiros, sudeste goiano e matogrossense

Na época das gravações pioneiras de Cornélio Pires, o gênero era conhecido como música caipira, cujas letras evocavam a beleza bucólica e romântica da paisagem, assim como o modo de vida do homem do interior em oposição à vida do homem da cidade. Hoje tal gênero é denominado música sertaneja raiz, com as letras dando ênfase ao cotidiano e maneira de cantar. De uma maneira mais ampla, a música sertaneja seria também o baião, o xaxado e outros ritmos do interior do Norte e Nordeste.

Tradicionalmente a música sertaneja é interpretada por um duo, geralmente de tenores, com voz nasal e uso acentuado de um falsete típico. O estilo vocal se manteve relativamente estável, enquanto a instrumentação, ritmos e contorno melódico gradualmente incorporaram elementos estilísticos de gêneros disseminados pela indústria cultural. Inicialmente tal estilo de música foi propagado por uma série de duplas, com a utilização de violas e dueto vocal.

No início dos anos 90, o estilo sertanejo ganhou outros contornos com pelo menos duas dezenas de duplas com suas vozes anasaladas e em falsete, tendo um único tema para as músicas: a síndrome do homem traído. Os grandes “clássicos” dessa safra são centrados na dor do homem enganado epla mulher e, como não poderia deixar de ser, com letras melosas e piegas onde há sempre um cara implorando a volta da mulher amada, mesmo após ser trocado por outro:

· Pense em mim (Leandro & Leonardo)

· Ainda ontem chorei de saudade (João Mineiro & Marciano)

· Fio de cabelo (Chitãozinho & Chororó)

· O cheiro da maçã (Zezé di Carmargo & Luciano)


E assim poderíamos enumerar mais de uma centena delas, falando da mesma sina.

Raras exceções

Um ponto fora dessa curva é o clássico maior da dupla Milionário & Zé Rico, “Estrada da Vida”. Longe de falar de amores não correspondidos, a canção é um chamamento à reflexão sobre a busca incessante pelo sucesso, pelo ápice na vida, seja pessoal ou profissional. 

Após uma luta árdua, onde nem sempre os limites da ética e do amor ao próximo são respeitados, questiona-se se tudo aquilo valeu a pena. O autor José Rico foi extremamente feliz ao compor o verso 

“Nós devemos
Ser o que somos
Ter aquilo que bem merecer”

Nesta data, quando a dupla perdeu José Rico, prestamos a homenagem ao músico e transcrevemos abaixo a letra da música.

Euriques Carneiro
                               
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Estrada da Vida

Milionário e José Rico

Compositor: José Rico

Vou correndo não posso parar
Na esperança de ser campeão
Alcançando o primeiro lugar
Na esperança de ser campeão
Alcançando o primeiro lugar

Mas o tempo
Cercou minha estrada
E o cansaço me dominou
Minhas vistas se escureceram
E o final da corrida chegou....

Este é o exemplo da vida
Para quem não quer compreender
Nós devemos
Ser o que somos
Ter aquilo que bem merecer

Nós devemos
Ser o que somos
Ter aquilo que bem merecer...

Mas o tempo
Cercou minha estrada
E o cansaço me dominou
Minhas vistas se escureceram
E o final desta vida chegou....

                              -o-o-o-o-o-o-

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