terça-feira, 24 de março de 2015

Eventos dedicados ao Brasil ainda são destaque após o Salão do Livro de Paris





O Salão do Livro de Paris, que neste ano teve o Brasil como convidado de honra, chegou ao fim na segunda-feira (23), mas a programação em torno das letras brasileiras ainda se estende por alguns dias, em diferentes instituições de Paris e do interior da França


Da primeira participam nomes como Antônio Torres (presidente da Academia Brasileira de Letras), Nélida Piñon, Ana Maria Machado, Luiz Ruffato e Fernando Morais. À segunda devem comparecer o escritor Daniel Munduruku e a antropóloga Betty Mindlin.

Nesta terça (24) e amanhã, quarta-feira (25), o Centro de Pesquisas sobre Países Lusófonos da Universidade Sorbonne Nouvelle (Paris 3) promove jornadas, respectivamente, sobre a relação entre autor, editor e tradutor e sobre o elo entre literatura e imaginário ameríndio.

Também na quarta tem início na Universidade Sorbonne (Paris 4) a segunda edição da Primavera Literária Brasileira, com mesas sobre romance policial, quadrinhos, dramaturgia e ilustração produzidos no país. Adriana Lisboa, Luiz Ruffato, Edney Silvestre, Sérgio Rodrigues e Sérgio Roveri são alguns dos convidados. A programação completa pode ser acessada no site http://etudeslusophonesparis4.blogspot.fr/.

Na quinta (26), o museu Quai Branly, dedicado às culturas dos continentes africano, americano, asiático e da Oceania, sedia o encontro "Histórias Mestiças, Histórias Plurais", com a presença dos escritores Conceição Evaristo e Daniel Munduruku, além da antropóloga Lilia Moritz Schwarcz.

Por fim, na segunda (30), no centro de arte moderna e contemporânea Georges Pompidou, realiza-se a mesa redonda "O Mundo Visto do Brasil", com Paulo Lins, Tatiana Salem Levy, Conceição Evaristo, Bernardo Carvalho e Sérgio Roveri. O debate será precedido pela projeção do documentário "Saudade do Futuro" (2000), de César Paes.

Integrantes da delegação brasileira também estão escalados para encontros com o público nos próximos dias em universidades em Poitiers (centro-oeste do país) e em Bordeaux (sul).

EDITORES
O Salão do Livro de Paris é mais identificado como um evento de apelo popular do que como um balcão de negócios para editores. No cenário europeu, as feiras de Londres (em abril) e Frankfurt (esta, a maior do mundo, realizada em outubro) superam o encontro francês em termos de negociações e contratos.

Tanto que, mesmo se tratando de uma edição especial para o Brasil, uma editora de grande porte como a Companhia das Letras não enviou ninguém à capital da França. A Londres irá cinco profissionais da casa, que despachou comitiva de mesmo tamanho para Frankfurt em 2013, quando a literatura brasileira foi saudada por lá.

Entre as editoras presentes ao salão parisiense estavam Cosac Naify, Boitempo, Estação Liberdade e Record, mas nenhuma delas compareceu aos quatro dias da feira.

Editor-executivo da Record, Carlos Andreazza fez uma avaliação positiva da participação brasileira. Elogiou a disposição espacial do estande do país (de 500 m²) e o fato de haver uma livraria temática (Fnac) dentro dele, o que permitiu aos visitantes adquirir obras nacionais imediatamente após os debates com os autores.

A ressalva de Andreazza foi à curadoria da participação brasileira, à qual ele avaliou ter faltado ousadia.

"Achei pouco criativa, previsível, apesar de correta. Fazer mesa em 2015 sobre futebol e literatura é dar um passo para trás", disse ele à reportagem, por telefone. "Fiquei incomodado com os tipos de recortes feitos [para agrupar os escritores]: regionais, da periferia...".

Como exceção bem-vinda, ele destacou o caráter inusitado do encontro entre Daniel Galera, 35, e Nélida Piñon, 77, em torno do mote "A literatura como projeto de vida", no primeiro dia do salão.

A curadoria da passagem do Brasil por Paris foi dividida entre a professora da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), Guiomar de Grammont, e o professor da Sorbonne, Leonardo Tonus. Grammont foi editora de ficção nacional da Record até 2013, quando foi substituída no cargo justamente por Carlos Andreazza, que já respondia pela divisão de não ficção da casa.

Referência: Jornal de Piracicaba

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