domingo, 1 de março de 2015

2015 é o ano de relembrar as 8 décadas sem Chiquinha Gonzaga e a sua posição de vanguarda da mulher na música brasileira





O cenário musical brasileiro atual tem a presença de diversas mulheres que, como cantoras, compositoras ou instrumentistas, conseguem se sustentar com seu trabalho artístico
A compositora, pianista e maestrina é responsável por mais de duas mil canções populares, e entre elas está a primeira marchinha composta para o carnaval: "Ô abre alas", de 1889, que hoje faz parte do imaginário brasileiro. Seu aniversário, em 17 de outubro, é lembrado como o Dia Nacional da Música Popular Brasileira, desde a aprovação de uma lei para este fim, em maio de 2012.

O que hoje parece natural, há cerca de um século era raro: mulheres que ousavam se manter neste meio eram vistas com preconceito e sofriam discriminação. Neste sábado, 28 de fevereiro, completam-se 80 anos da morte de uma artista que, com sua obra e sua postura, começou a mudar esse cenário e a abrir alas para muitas outras mulheres na música do Brasil: Chiquinha Gonzaga.

Vida

A menina Francisca Edwiges Neves Gonzaga nasceu em outubro de 1847, em uma família comandada pela postura rígida de José Basileu Gonzaga, general do Exército Imperial Brasileiro. Sua mãe, Rosa Maria Neves de Lima, era uma negra, filha de escrava, que se casou com o militar de alta patente após dar à luz sua primeira filha.

Chiquinha Gonzaga, como ficou conhecida, teve como padrinho Luís Alves de Lima e Silva – O Duque de Caxias, e foi educada pelos professores mais gabaritados do Rio de Janeiro na época. Na música, teve aulas com Maestro Lobo e ainda criança, aos 11 anos, compôs sua primeira obra: a música "Canção dos Pastores", feita para a noite de natal em família, em 1858.

Ainda jovem, com 16 anos de idade, foi obrigada a se casar com o empresário Jacinto Ribeiro do Amaral, marido escolhido por seu pai. O marido queria que Chiquinha Gonzaga abrisse mão da carreira musical e, por este motivo, o casamento durou apenas dois anos. Ela abandonou a união e passou a viver com o engenheiro João Batista de Carvalho. Na primeira união, ela teve três filhos: João Gualberto, Maria do Patrocínio e Hilário. Da segunda união, nasceu Alice Maria.


Chiquinha Gonzaga e João Batista viveram alguns anos juntos, mas devido a traições do marido, ela preferiu se separar novamente. Assim, passou a trabalhar como musicista independente, dando aulas de piano e fazendo apresentações em bailes, para criar o seu filho mais velho, João Gualberto. Enfrentando uma sociedade rígida na época - que ainda não tinha o divórcio legalizado -, Chiquinha perdeu a guarda de seus filhos quando se separou, em ambos os casamentos. Foi-lhe permitido apenas ficar com o filho mais velho.

Aos 52 anos, quando já era uma musicista consagrada, Chiquinha conheceu o aprendiz de músico João Batista Fernandes Lage, que em 1899 tinha apenas 16 anos. O jovem português tornou-se seu companheiro, com quem ela viveu pelo resto da vida.

Música

A educação musical fez parte da vida de Chiquinha Gonzaga desde sua infância: ainda criança ela teve aulas de piano com Maestro Lobo, e frequentava rodas de lundu, umbigada e outros ritmos oriundos da África que eram comuns nas rodas dos escravos.

Seu trabalho como compositora ficou marcado pela constante aproximação do piano ao gosto popular. Sua primeira composição de sucesso foi a polca "Atraente", editada em 1877. Nascida de uma roda na casa do compositor Henrique Alves de Mesquita, "Atraente" se tornou um clássico da música instrumental brasileira, passando a integrar o grande repertório do choro. Foi regravada por diversos artistas, como o impagável Pixinguinha.


Fonte: EBC

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