terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

“Zona fantasma” é o box que reúne três de discos de Jorge Mautner e resgata o esquecido movimento Figa Brasil



Um CD com o inédito registro do show O poeta e o esfomeado - feito pelo cantor e compositor carioca Jorge Mautner, em 1987, com Gilberto Gil e o percussionista Repolho - é a deixa para atrair compradores para o combo denominado “Zona fantasma”

Produzido pelo pesquisador musical Marcelo Fróes para seu selo Discobertas, o box embala reedições dos álbuns feitos por Mautner nos anos 1980. Bomba de estrelas (Warner Music, 1981), Antimaldito (Nova República / Polygram, 1985) e Árvore da vida (Geléia Geral / Warner Music, 1988) - disco assinado por Mautner com o parceiro Nelson Jacobina (1953 - 2012) - são os álbuns encaixotados com a gravação inédita do show de 1987. Textos do jornalista Renato Vieira contextualizam os discos na obra fonográfica de Mautner.

A trinca da caixa mostra que Mautner continua a exercitar suas imersões na filosofia clássica do século 19, começo do século 20, sintetizando-a em letras que são um misto de nonsense, naïf e escrita automática surrealista. Dos três, o mais acessível é, obviamente, o primeiro, cravejado de estrelas da MPB especialistas em música para tocar no rádio. Embora não tenha tocado, apesar de ser um dos mais pop e acessível do cantor.

Os outros dois são os menos conhecidos álbuns de Mautner, sobretudo, Árvore da vida. Naquele ano, Gilberto Gil foi eleito vereador em Salvador e convocou Jorge Mautner para a chefia do seu gabinete, o que explica o disco quase não ter sido divulgado. Foi o único creditado também ao parceiro Nelson Jacobina (falecido em 2012, aos 58 anos). Antimaldito (produzido por Caetano Veloso) tem canções, inéditas, que remontam a 1958, como A bandeira do meu partido e o nonsense O tataraneto do inseto.

Jorge Mautner, que comentou faixas dos três relançamentos destes discos (ver ao lado) observa: “Fazem parte das minhas ideias, dos meus livros, entrevistas, minhas vidas, com duas motivações simultâneas: nunca mais novamente o Holocausto, e a ressurreição da humanidade é o Brasil”.

Referência: JC ONLINE

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