Construção - Reforma - Manutenção

Construção - Reforma - Manutenção
Clientes encantados é a nossa meta!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

No ano do centenário, pintor Aldo Cardarelli tem vida e obra resgatadas





Cardarelli, mestre da arte pictórica, adepto do estilo acadêmico, retratou por mais de 60 anos a natureza e as pessoas em suas telas e foi, sem dúvida, um dos mais influentes pintores brasleiros. Para homenagear o centenário do artista, sua filha Thelma Cardarelli repara um site para manter viva a memória e o legado do pai


Para tanto, abriu o baú de registros históricos do pintor, que contém inúmeras publicações em jornais que abrangem o período de 1939 a 1995, e fotos da época, e mostrou-os com exclusividade para a reportagem. O acervo foi devidamente guardado pela mulher de Cardarelli, Maria dos Anjos, de 85 anos, companheira de toda vida.

Desde a infância
A ligação de Aldo Cardarelli com a arte se formou ainda na infância. Quando criança, gostava de rabiscar com carvão. Logo vieram os pincéis, tintas e telas, e aos 16 anos decidiu que pintar era seu ideal de vida. Nunca mais parou. Foi membro da Academia Brasileira e Paulista de Belas Artes, ganhador da Medalha de Honra do Salão Paulista de Belas Artes, além de vários outros prêmios, e professor de desenho e pintura na Faculdade de Arquitetura do Mackenzie, em São Paulo, e no Curso Livre de Artes da PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica).

Suas telas, muitas de grandes dimensões, estão espalhadas pelo Brasil e Exterior (Estados Unidos, Suíça, Japão, Alemanha, Portugal e Argentina). A mais famosa delas chama-se o "Canto do Paiol", feita quando o artista tinha 21 anos — na época, já havia tido aulas com o professor italiano Luiggi Franco, que lhe passou os primeiros conhecimentos.

O quadro tem aproximadamente 1,80 por 1,20 metro e foi vendido a um colecionador de Curitiba (PR). Cardarelli tentou recomprá-lo em 1976, mas não conseguiu.

Perseguição
O artista retratava com preciosismo a natureza, como matas, bosques e paisagens campestres, tanto que foi considerado o “mestre do verde”. E, segundo os preceitos da pintura acadêmica, não imitava a realidade, mas recriava a beleza ideal em suas obras, por meio da imitação dos clássicos, principalmente os gregos.

As peculiaridades do artista incomodaram o Grupo Vanguarda, que surgiu em Campinas no final dos anos 1950, cujo foco era a arte moderna, como relata a filha. “Parte do movimento chegou certa vez a retirar todas as pinturas acadêmicas que estavam expostas onde é hoje o Macc (Museu de Arte Contemporânea de Campinas). Quando meu pai soube, saiu correndo até lá, morávamos perto, mas estavam queimando as obras e não deu tempo dele salvar nada”, diz Thelma, que é restauradora.

Ela conta ainda que passou a ocorrer uma “perseguição” dos artistas clássicos pela classe modernista. “Ele foi muito provocado e, quando não aguentava mais, fez uma série de abstratos para provar que sabia fazer arte moderna, mas não era isso que queria.”

Thelma calcula que o pai produziu de 10 a 15 mil óleos sobre tela. Hoje, a maior parte dessa produção está com colecionadores particulares. Nenhum estudo mais profundo sobre a numerosa obra do artista foi feito e não existe catalogação do que ele pintou. “A família tem cerca de 100 quadros. É de fundamental importância a parceria com a sociedade para a captação das imagens e consequente catalogação das obras já comercializadas”, diz a filha, que espera um dia conseguir registrar todos os trabalhos e escrever a biografia do pintor.

Muita procura

Segundo ela, essa inexistência de catalogação é consequência da grande comercialização das obras ocorridas na época. “As obras eram muito procuradas. Ele fazia poucas exposições individuais porque nunca tinha material suficiente para abastecer uma (exposição) exclusiva. Acho fez duas ou três, apenas. Em uma delas, no Masp (Museu de Artes de São Paulo, em 1983), vendeu os 200 quadros”, lembra.

A única exposição em Campinas foi no Centro de Convivência Cultural, também em 1983, onde ocupou as três galerias do espaço. "Meu pai pintou todos os dias de sua vida, exceto em um período curto que ele, de repente, recolheu os pincéis, as tintas, a tela, e disse não pintaria mais. Ficou uns seis meses depressivo, sem pegar no pincel. Minha mãe ficou maluca. Certo dia, ela fez um arranjo ‘do tamanho de um trem’ e jogou para ele. Quis representar a natureza morta que ele fazia. No outro dia, ele voltou a pintar”, conta Thelma.

A galeria A do Centro de Convivência recebeu seu nome em 1988, quando já não estava mais vivo. Aldo Cardarelli morreu no dia 15 de agosto de 1986, vítima de enfarte.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário será publicado após análise.
Obrigado!