quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Diante da decadência da axé music, os blocos afros tornaram-se o grande destaque do carnaval de Salvador





A cada ano, a música baiana se deteriora e, ao invés das composições do três décadas atrás, sobressai-se aquelas cujo único tema é a banalização do sexo ou apologia às drogas e violência, levando todas as veias culturais a entrarem em um perigoso processo de decadência


Não se pode negar que as tempos mudam e com ele também a baixa qualidade populacional, a falta de estudo e educação doméstica, são os maiores culpados pela decadência musical. Porque se ninguém comprasse não haveria demanda. A nossa aquarela mudou mesmo para pior. Diante de tantos refrãos ridículos, repetitivos, e imorais sem o mínimo de criatividade, e sem decência, tornaram-se comum os casos de plágios de músicas lindas dos anos 70 até os dias de hoje reproduzidas com versões grosseiríssimas por oportunistas fantasiados de compositores. Embora caiam na "boca do povo”, essas músicas logo se transformam numa insuportável composição.

Para quem teve A Cor Do Som Novos Baianos, Moraes Moreira, Camisa de Vênus e o grande Marcelo Nova no T.C.A, além de outros astros levando o nome da Bahia com todo esplendor, não pode deixar de entretecer-se. Quem é que não gosta do Armandinho com sua maravilhosa guitarra baiana, um grande talento desde os 15 anos de vida até hoje? ... e por aí vai...

Nem todo baiano gosta de axé. Isso é uma grande verdade. É bom lembrar que toda unanimidade é burra. É bom lembrar que a imbecilidade na qual se transformou a axé music é sinônimo de regressão da cultura intelectual.

Espaço aberto para as tradições afro

Diante desse quadro desolador, ficamos com a tradição e a beleza dos blocos afro que representam uma das muitas marcas culturais de Salvador, já que mantêm a ligação da cidade com suas raízes africanas. No carnaval deste ano, 58 blocos que trazem a cultura africana como tema desfilaram pelos circuitos baianos mostrando a beleza negra, a musicalidade, a religiosidade e o apelo social.

A Banda Didá, fundada em 1993, saiu nas ruas levando a campanha “Vá na moral ou vai se dar mal”. Formados apenas por mulheres, tanto a banda quanto o bloco levaram ao público mensagem contra a violência feminina.

A trupe é numerosa: somente em cima do trio, são 14 mulheres tocando músicas relacionadas a temas africanos. No meio da multidão, quase 60 delas, vestidas de amarelo e dourado, se somam à musicalidade afro com o batuque dos tambores. As cores das vestimentas são uma homenagem à religiosidade africana. É a energia de Oxum, a energia dourada, da fertilidade, da suavidade, do ouro e da riqueza.

Filhos de Gandhi: um espetáculo à parte
Outro bloco que já é tradição na folia baiana é o Filhos de Gandhi. Neste caso, apenas homens desfilam, vestidos de branco e azul, também trazendo mensagem de paz e resgatando as culturas afro e hindu. Há 66 anos de carnaval soteropolitano, o bloco traz à folia deste ano o tema “Águas Sagradas”, para lembrar as ligações religiosas entre o Brasil, a Índia e os países africanos.

O bloco Filhos de Gandhi surgiu como forma de pregar a paz, mas lamenta que ainda exista intolerância religiosa, principalmente em relação às religiões de matrizes africanas.

Uma revelação é o significado da grande quantidade de colares que os homens levam no pescoço durante os desfiles, que incorporou é a tradição do bloco exclusivamente masculino trocar os adereços por beijos durante a folia.

A essência de ser filho de Gandhi representa paz, axé, alegria, felicidade, energias positivas. Os colares são uma homenagem aos orixás, mas as meninas adoram receber o colar e acabou virando uma brincadeira a troca do colar por um beijo, durante o desfile do cortejo.

Os blocos afros, em Salvador, desfilam nos principais circuitos da cidade, mas é na Avenida Carlos Gomes, no centro da capital baiana, que eles trazem o batuque, arrastando multidões que fazem questão de conhecer um pouco da cultura africana.

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