sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Danton Mello tenta em "Superpai" se firmar em um mercado onde seu irmão Selton Mello já pode ser considerado um veterano





O título pode enganar. Mas a tagline (instrumento que os produtores usam para resumir o argumento de “venda” de um filme), não: “uma comédia nem um pouco família”, que explora um filão que, se não é inédito, é pouco investigado pelo cinema nacional


Na trama, Diogo (Mello) é um pai de família desempregado, pouco atencioso e que não se importa em dar um bom exemplo ao filho Luca, de seis anos. Sua mulher, Mariana (Mônica Iozzi), ama o marido, mas já não suporta mais suas atitudes infantis. No dia da festa de reencontro dos vinte anos da formatura do colegial, Diogo vê uma oportunidade de resolver uma pendência do passado: transar com a amiga de escola Patrícia Ellen (Juliana Didone). 

Se Diogo já não era um "superpai", a chance da traição termina colocando sua família ainda mais em risco.Herói dramático de comédias nacionais recentes, como O Concurso e Vai que Dá Certo, Danton Mello tenta em Superpai se firmar como essa espécie de Jason Segel brasileiro, mas, entre as coisas que ficam faltando ao filme do diretor Pedro Amorim (Mato sem Cachorro), ainda falta a Danton o carisma de seu irmão Selton Mello.

Da comédia para as piadas preconceituosas e de gosto duvidoso

É o arco dramático que parece caber a Mello nessa leva de comédias: deixar de ser um adolescente crescido e aprender com seus erros a ser um adulto. Superpai tenta convencer o espectador do amadurecimento de Diogo, mas essa "jornada noite adentro" parece forçada. Mesmo com comediantes de sucesso no elenco de apoio, como Antônio Tabet e Dani Calabresa, os personagens apresentam pouca química entre si, deixando para Tabet o serviço de ser o alívio cômico, com suas tiradas que parecem saídas de um vídeo do Porta dos Fundos.

O terceiro ato, mesmo com todos os exageros do decorrer do longa, nos apresenta uma solução pouco coerente, que beira o absurdo e não mostra a evolução dos personagens. Um ponto positivo é a caracterização de Nando (Thogun Teixeira), negro e homossexual, e único amigo bem sucedido e consciente dentro os comparsas de Diogo. 

Embora Superpai recorra a piadas étnicas (como a do menino "Jaspion"), é um alívio ver uma comédia nacional que desarma o estereótipo do gay caricato. Está aí um elemento recorrente das comédias da geração de Jason Segel (as minorias como exemplo de sucesso e a maioria heterossexual e branca em crise) que Amorim importa com êxito.

O longa talvez funcionasse melhor se a malandragem de Diogo, tão exaltada no início, fosse mais destacada no decorrer das situações. O protagonista se entrega a resolver os problemas que causou, mas não passa a impressão de que vai aprender com suas atitudes - ou que pelo menos vamos nos divertir com elas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário será publicado após análise.
Obrigado!