sábado, 28 de fevereiro de 2015

Artistas reagem à segregação do mercado e querem discutir o papel do negro na história da arte nacional





Dentro os vários artistas negros que buscam seu espaço na arte do Brasil, uma em especial vem se destacando a artista e doutora em Artes Visuais, Renata Felinto. Em recente trabalho, ela traçou um panorama da presença do/a negro/a na história da arte nacional
De forma clara e inequívoca, ela mostra como esse grupamento de artistas presente, seja como representado ou representador, na denominada arte afro-brasileira. Com a implementação da lei 10.639 de 2003 – que institui a História e Cultura afro-brasileira e africana na Educação Básica – o ensino de artes nas escolas públicas ganhou um novo patamar no currículo escolar, por serem disciplinas que asseguram um lugar de destaque para expressividade individual e coletiva, viabilizando o trabalho com elementos que valorizem a identidade e o pertencimento dos/as estudantes negros/as dessas instituições.

Trabalho de pesquisa e observação

O diálogo das obras de Renata com a identidade das mulheres negras se dá por meio de observações: família, amigas, figuras femininas que não estão na mídia e no mercado de cosméticos, moda e beleza. “Não traduzo, nem interpreto nada. Coloco visualmente meu ponto de vista sobre estar e sentir no mundo”. A inspiração — para trabalhos como as performances White face and blonde hair e Danço na Terra em que piso, e a série de pinturas Afro Retratos — também está na ancestralidade, com amas de leite, mucamas, rainhas e deusas.

Apesar de serem muitos, ainda não ganharam o reconhecimento merecido. Renata Felinto, 36 anos, é uma das figuras de destaque na produção afro-brasileira. A obra da paulista tem como ponto de partida a condição de mulher afrodescendente e a reflexão sobre “os meios de reconstrução de uma identidade negra a partir das heranças de vários povos diversos entre si.”

“Abordar as temáticas de gênero e raça em um ambiente machista, racista e elitista é uma forma de gritarmos que ‘estamos aqui, apesar de...’. Até que há muitas mulheres artistas brancas com visibilidade atualmente. Veja bem, Beatriz Milhazes e Adriana Varejão são as artistas das que mais vendem no Brasil e no mundo, ambas brancas, se é que Milhazes não seria branca em nenhum outro país, só no Brasil”, observa Renata. “É persistir, é até dolorido. Os retornos são verbais e conceituais mas, raramente, financeiros”.

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