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domingo, 15 de fevereiro de 2015

A importância da convivência interpessoal na contemporaneidade



Nos dias atuais, onde a busca por sucesso pessoal e profissional limita drasticamente o tempo dedicado à convivência com amigos e até familiares, há que se pensar de forma muita profunda sobre a qualidade de vida de que queremos

A batalha pela qualidade de vida e satisfação pessoal vai muito além da dedicação exacerbada ao trabalho ou a necessidade que sentimos de estarmos sempre antenados e à frente do nosso tempo. Essa satisfação passa necessariamente pela convivência com pessoas cuja companhia seja agradável e lhe proporcione momentos de descontração e harmonia, longe de um ambiente de competitividade ou de discórdia.

Em um desses impagáveis momentos, uma dileta amiga sugeriu: “Euriques, porque você não posta uma matéria sobre a convivência entre amigos?” encampei a ideia e encontrei o texto abaixo da Claudia Montezuma que, sob a minha ótica, resume com maestria o tema da convivência interpessoal, o qual compartilho com os amigos que nos acompanham aqui no Artecultural. Excelente domingo de Carnaval a todos!

Euriques Carneiro



“Não tenho mais dúvidas. É a convivência que fortalece as relações e constrói laços muito difíceis de desfazer. Podem ser laços de amor, de amizade, ou até de algum sentimento sem nome. O fato é que, ainda que tenha havido brigas e desentendimentos com quem você conviveu, ainda que você pense que aquela relação morreu e os dois estão impregnados de ressentimentos, na hora H é com essas pessoas que você pode contar e são as que, de fato, vão se importar com você sem fazer julgamentos, sem se importar se sua mão está torta, sem medo de ver você chorar, sem levar em conta que elas acabaram de chegar e você quer ir dormir.

Chamo de conviver o dormir e acordar junto. O estar presente nos mínimos acontecimentos da vida, o passar junto situações diversas – fáceis e difíceis, o brigar, o se desentender e depois perdoar, o estar perto mesmo que seja a coisa mais banal do mundo.

Dizem que o que importa para os relacionamentos não é a quantidade de tempo que você passa junto, mas a qualidade. Inclusive com os filhos. Não concordo com isso. A quantidade conta muito também.

Nunca se pode prever quando uma coisa importante vai acontecer ou ser dita num relacionamento. Daí, quanto mais tempo se passa junto, maior a probabilidade de se viver e dividir momentos importantes e, muitas vezes, definitivos.

Quando sua filha vai dividir um sentimento importante para ela? Não tem hora marcada. Pode ser no café da manhã, pode ser quando uma está fazendo xixi e a outra se maquiando na frente do espelho, pode ser durante um jogo domingo à tarde ou uma andada no shopping. E isso só é possível se houver quantidade de tempo juntas.

Marido, namorado, amigos, a mesma coisa. Nem vou falar da família porque essa é a maior convivência de todo mundo e, salvo famílias muito desestruturadas, ela é, em geral, o grande esteio que temos na vida. Pai, mãe, irmãos, primos, sobrinhos. Esses são quase extensões da gente e é quase sempre vital sua participação nas nossas vidas.

Digo isso porque agora que estou doente, está ficando muito claro. Quem está sempre presente, liga todo dia, vem me visitar sempre, tenta ajudar o tempo todo, além da família que é incansável? Meu ex-marido e os amigos da vida toda.

Com o ex, embora tenhamos tido todo desentendimento do mundo, embora tenhamos mágoas que talvez nunca se apaguem, fica claro para os dois (sem que se precise dizer) que o problema atual é mais importante e requer atenção. Pode ser que quando tudo isso passar, voltemos ao padrão antigo (de quase nunca ver nem conversar), mas por hora é no meu bem estar que estamos focados. Se fosse com ele eu me comportaria da mesma forma.

Com os amigos a mesma coisa. De que vidas você, no fundo, faz parte? Da das pessoas com quem conviveu, das vidas em que sempre esteve presente. Pode ser por longuíssima duração ou por intensidade (muito em pouco tempo). Não importa, mas só dá para ser assim com quem você conviveu muito. Esse carinho fica lá, escondido muitas vezes, mas o tempo e/ou a intensidade o construíram e ele se revela quando é importante.

Descobri também, que sinto um imenso amor pela filha do meu ex-marido, nascida do primeiro casamento. Um amor de mãe mesmo. Porque a vi crescer. Porque convivemos muitos anos e dividimos os momentos mais banais – desde as brigas até o contar histórias para ela dormir e tomar banho sem reclamar. Não nos vemos muito agora, mas ela está passando por problemas e sabe que pode contar comigo. Sinto um enorme amor e isso me faz estar ao lado dela mesmo não fazendo mais parte da minha vida cotidiana.

Me dando conta desse amor que sinto por ela, é que percebi o quanto é possível amar plenamente um filho adotado. Exatamente porque é a convivência que faz brotar esse amor. Não faz a menor diferença se é seu filho biológico ou não.

A mesma coisa se dá com os amigos com os quais você conviveu muito na escola ou no trabalho. Passaram juntos por situações de “desespero”, prazos e metas inalcançáveis, períodos de saco cheio conjunto, problemas pessoais divididos em sala de aula ou no almoço do trabalho. Risos, lágrimas, aniversários, almoço diário. Isso é conviver e a mim me parece que a convivência vai tecendo uma trama invisível, mas muito poderosa que se manifesta nos momentos cruciais das nossas vidas.

Não que as pessoas com quem você não teve a oportunidade de conviver, mas admira, acha muito legais e gosta muito, também não possam gostar muito de você e fazer muita diferença na sua vida. Mas, certamente, uma diferença de outra ordem, de outra dimensão.

O chato de ter isso tão claro, é que aos 54 anos, não dá tempo de conviver muito com mais ninguém. Quem tinha que fazer parte da sua vida já faz e os outros relacionamentos podem ser muito importantes mas, necessariamente, menos profundos, sem esse conhecimento mútuo quase total, sem ser “da família” por assim dizer.

Uma pena. Acho que essa é a única coisa que lamento com relação à idade. A impossibilidade de novas e longas convivências.”

Claudia Montezuma 

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