sábado, 28 de fevereiro de 2015

Em meio à falta de criatividade da TV brasileira, o “ABC do Ziraldo” se destaca como um incentivador do hábito da leitura entre as crianças


Incentivar o hábito da leitura é a ideia, esse é o propósito maior do ABZ do Ziraldo, programa apresentado pelo escritor e cartunista Ziraldo e que é exibido aos domingos, às 12h, com participação de um coral infantil e de uma plateia repleta de crianças estudantes de escolas públicas

A cada domingo, um escritor será convidado para divulgar sua obra e ser entrevistado por Ziraldo e pelas crianças. O programa ainda abre espaço para o contador de história, com apresentação rica de objetos cênicos, acompanhamento musical e interatividade das crianças da plateia.

Temporada 2015

A partir do dia 15 de março a criançada vai poder curtir os novos episódios do programa mais maluquinho da TV Brasil. A quinta temporada do ABZ do Ziraldo vem cheia de novidades.

O personagem mais famoso da literatura infantil brasileira, Menino Maluquinho, estará presente contando aventuras inéditas no programa. Ele apronta cada uma...

O Coral Maluquinho também passou por mudanças. Novos cantores assumem o posto sob a regência do maestro Ronald Valle e interpretam versões personalizadas de grandes sucessos da música popular brasileira.

Artistas reagem à segregação do mercado e querem discutir o papel do negro na história da arte nacional





Dentro os vários artistas negros que buscam seu espaço na arte do Brasil, uma em especial vem se destacando a artista e doutora em Artes Visuais, Renata Felinto. Em recente trabalho, ela traçou um panorama da presença do/a negro/a na história da arte nacional
De forma clara e inequívoca, ela mostra como esse grupamento de artistas presente, seja como representado ou representador, na denominada arte afro-brasileira. Com a implementação da lei 10.639 de 2003 – que institui a História e Cultura afro-brasileira e africana na Educação Básica – o ensino de artes nas escolas públicas ganhou um novo patamar no currículo escolar, por serem disciplinas que asseguram um lugar de destaque para expressividade individual e coletiva, viabilizando o trabalho com elementos que valorizem a identidade e o pertencimento dos/as estudantes negros/as dessas instituições.

Trabalho de pesquisa e observação

O diálogo das obras de Renata com a identidade das mulheres negras se dá por meio de observações: família, amigas, figuras femininas que não estão na mídia e no mercado de cosméticos, moda e beleza. “Não traduzo, nem interpreto nada. Coloco visualmente meu ponto de vista sobre estar e sentir no mundo”. A inspiração — para trabalhos como as performances White face and blonde hair e Danço na Terra em que piso, e a série de pinturas Afro Retratos — também está na ancestralidade, com amas de leite, mucamas, rainhas e deusas.

Apesar de serem muitos, ainda não ganharam o reconhecimento merecido. Renata Felinto, 36 anos, é uma das figuras de destaque na produção afro-brasileira. A obra da paulista tem como ponto de partida a condição de mulher afrodescendente e a reflexão sobre “os meios de reconstrução de uma identidade negra a partir das heranças de vários povos diversos entre si.”

“Abordar as temáticas de gênero e raça em um ambiente machista, racista e elitista é uma forma de gritarmos que ‘estamos aqui, apesar de...’. Até que há muitas mulheres artistas brancas com visibilidade atualmente. Veja bem, Beatriz Milhazes e Adriana Varejão são as artistas das que mais vendem no Brasil e no mundo, ambas brancas, se é que Milhazes não seria branca em nenhum outro país, só no Brasil”, observa Renata. “É persistir, é até dolorido. Os retornos são verbais e conceituais mas, raramente, financeiros”.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Pouco conhecido do grande público,John Legend foi laureado com o Oscar de Melhor canção original pela faixa Glory, do longa-metragem Selma



Grande parte do público brasileiro tem a impressão de que nunca ouviu falar de John Legend antes de o cantor receber o Oscar de Melhor canção original pela faixa Glory, do longa-metragem Selma, mas uma boa parcela pode não estar ligando o nome aos trabalhos anteriores do artista 

Você já ouviu All of me, música que tirou Happy, de Pharrell Williams, do topo das paradas da Billboard em fevereiro do ano passado? Pois é: John Legend é o intérprete. A canção estava há seis semanas na vice liderança quando desbancou o hit do rapper. Pelo clipe oficial também se pode mensurar o tamanho do sucesso, pois o número de visualizações atingiu a marca de 404 milhões.

Nove Grammy Awards no curriculo

John Legend nasceu John Roger Stephens no dia 28 de dezembro de 1978 em Springfielf, no Estado o Ohio, nos Estados Unidos. O cantor norte-americano já conquistou nove Grammy Awards e em 2007, recebeu o prêmio Songwritters Hall of Fame. A carreira de John Legend atingiu o auge depois de ter feito uma série de colaborações com Kanye West, Jay-Z, Alicia Keys e a Lauryn Hill.

Músico precoce, começou a tocar piano quando tinha sete anos e quando tinha 10 anos, os seus pais separam-se e o cantor ingressou na North High School, saindo quatro anos depois. Na Universidade da Pensilvânia, John Legend estudou inglês com um foco na Literatura Afro-americana e ai conheceu Lauryn Hill, que lhe foi apresentada por um amigo. A partir desse encontro, a cantora contratou-o para tocar piano em ‘Everything is everything’, uma música do álbum ‘The Miseducation of Lauryn Hill’.

John Legend terminou o seu curso em 1999 e começou a trabalhar no Boston Consulting Group e depois disso lançou dois álbuns independentes ‘Demo’, em 2000 e ‘Live at Jimmy’s Uptown’, em 2001. Em dezembro de 2004, John Legend lança o álbum ‘Get Lifted’ e esse trabalho foi apresentado no número sete do Billboard 200, vendendo 116,000 cópias na primeira semana. Os grandes singles deste álbum foram ‘Ordinary People’ e ‘Used to love u’ e as vendas chegaram a ser 3 milhões por todo o mundo.

Danton Mello tenta em "Superpai" se firmar em um mercado onde seu irmão Selton Mello já pode ser considerado um veterano





O título pode enganar. Mas a tagline (instrumento que os produtores usam para resumir o argumento de “venda” de um filme), não: “uma comédia nem um pouco família”, que explora um filão que, se não é inédito, é pouco investigado pelo cinema nacional


Na trama, Diogo (Mello) é um pai de família desempregado, pouco atencioso e que não se importa em dar um bom exemplo ao filho Luca, de seis anos. Sua mulher, Mariana (Mônica Iozzi), ama o marido, mas já não suporta mais suas atitudes infantis. No dia da festa de reencontro dos vinte anos da formatura do colegial, Diogo vê uma oportunidade de resolver uma pendência do passado: transar com a amiga de escola Patrícia Ellen (Juliana Didone). 

Se Diogo já não era um "superpai", a chance da traição termina colocando sua família ainda mais em risco.Herói dramático de comédias nacionais recentes, como O Concurso e Vai que Dá Certo, Danton Mello tenta em Superpai se firmar como essa espécie de Jason Segel brasileiro, mas, entre as coisas que ficam faltando ao filme do diretor Pedro Amorim (Mato sem Cachorro), ainda falta a Danton o carisma de seu irmão Selton Mello.

Da comédia para as piadas preconceituosas e de gosto duvidoso

É o arco dramático que parece caber a Mello nessa leva de comédias: deixar de ser um adolescente crescido e aprender com seus erros a ser um adulto. Superpai tenta convencer o espectador do amadurecimento de Diogo, mas essa "jornada noite adentro" parece forçada. Mesmo com comediantes de sucesso no elenco de apoio, como Antônio Tabet e Dani Calabresa, os personagens apresentam pouca química entre si, deixando para Tabet o serviço de ser o alívio cômico, com suas tiradas que parecem saídas de um vídeo do Porta dos Fundos.

O terceiro ato, mesmo com todos os exageros do decorrer do longa, nos apresenta uma solução pouco coerente, que beira o absurdo e não mostra a evolução dos personagens. Um ponto positivo é a caracterização de Nando (Thogun Teixeira), negro e homossexual, e único amigo bem sucedido e consciente dentro os comparsas de Diogo. 

Embora Superpai recorra a piadas étnicas (como a do menino "Jaspion"), é um alívio ver uma comédia nacional que desarma o estereótipo do gay caricato. Está aí um elemento recorrente das comédias da geração de Jason Segel (as minorias como exemplo de sucesso e a maioria heterossexual e branca em crise) que Amorim importa com êxito.

O longa talvez funcionasse melhor se a malandragem de Diogo, tão exaltada no início, fosse mais destacada no decorrer das situações. O protagonista se entrega a resolver os problemas que causou, mas não passa a impressão de que vai aprender com suas atitudes - ou que pelo menos vamos nos divertir com elas.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O Brit Awards 2015 não empolgou e o tombo de Madonna foi o destaque do evento



Sem grandes atrativos, o Brit Awards 2015 tinha como momento mais esperado a performance de Madonna, mas a pop star não se destacou pela apresentação e sim por um tombo inesperado tombo de costas

Entrando no palco para cantar "Living for Love", Madonna não conseguiu desamarrar uma capa que usava e que foi puxada pelos bailarinos, derrubando-a de costas. A cantora, visivelmente nervosa, continuo a performance, mas segundo relatos, machucou o braço esquerdo.
Pontualidade britânica

A edição 2015 do Brit Awards começou neste ano exatamente às 17h (horário de Brasília) com uma apresentação de Taylor Swift, com a música "Blank Space". O primeiro premiado da noite foi Ed Sheeran, que venceu na categoria melhor cantor solo britânico. Ele concorreu com George Ezra, Paolo Nutini e Sam Smith.

A festa, considerada o Grammy inglês, teve como apresentadores os comediantes Anthony McPartlin e Declan Donnelly, que anunciaram a presença de Kanye West. "Queremos dizer que Kanye West está no recinto. Atenção vencedores: se ganharem, é melhor entregar o prêmio para ele", em referência a uma atitude de Kanye durante o Grammy deste ano, ao tentar retirar o prêmio de Beck.

Os grandes vencedores foram os cantores Sam Smith e Ed Sheeran que ganharam dois prêmios cada um. Smith foi indicado a seis categorias e ganhou o Brit Global Success e o revelação britânica. Já Sheeran foi indicado a quatro categorias e ganhou cantor solo britânico e o de álbum britânico, o mais importante da noite.

A premiação também foi marcada pela ausência de três vencedores, Pharell Williams, Foo Fighters e One Direction que não puderam comparecer mas mandaram representantes receberem os prêmios ou enviaram vídeos de agradecimentos.

O cantor Pharrell Williams ganhou o prêmio de melhor cantor solo internacional. O artista, no entanto, não pode comparecer e agradeceu o prêmio por meio de um vídeo, exibido durante o evento.

Lionel Richie subiu ao palco para apresentar o prêmio de melhor single britânico, vencido por Mark Ronson, com a canção "Uptown Funk", feita em parceria com Bruno Mars. Em seus agradecimentos, Ronson agradeceu a Lionel Richie e Commodores, antiga banda do cantor e influência para Ronson.

Em mais uma ausência, a banda Foo Fighters venceu na categoria melhor grupo internacional. Em um vídeo, eles agradeceram. "Estamos na Califórnia. Desculpe não estarmos presentes. Gostaríamos de agradecer ao prêmio. Em breve estaremos aí", disse o vacalista Dave Grohl.

A boy band One Direction ganhou o prêmio de melhor vídeo britânico. Os garotos, que estavam em turnê no Japão, também não puderam comparecer. O prêmio foi recebido pelo produtor Simon Cowell, jurado do programa X-Factor, onde o grupo foi descoberto.

Björk será tema de exposição no MoMA de Nova York, quando comemora os 20 anos de carreira





A islandesa Björk vai muito além da música, a artista que se desafia com obras no cinema, moda , design e artes visuais e, celebrando os 20 anos de carreira da artista, um dos maiores museus do mundo realizará uma exposição contando a sua retrospectiva


Apenas 100 visitantes por vez poderão entrar na exposição, todos portando fones de ouvidos, passando por diversas salas, que contam a carreira de 20 anos de Björk. Objetos únicos e irreverentes como o vestido de cisne (usado na cerimônia do Oscar 2001) de Marjan Pejowski, fonte de inspiração até mesmo para nomes consagrados como o estilista italiano Valentino.

A mostra será um marco, não apenas para a carreira de Björk, mas essa será a primeira exposição do MoMa que irá interagir com um aplicativo para smartphone, desenvolvido para promover o álbum “Biophilia“, lançado em 2011.

Björk é esperada no lançamento da exposição, além da visita ao MoMa, a cantora fará shows em Nova York da nova turnê que promove o álbum “Vulnicura“, lançado em janeiro, com shows já esgotados no Carnegie Hall, Ki

A exposição está aberta o público entre os dias 8 de março a 7 de junho, no Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMa.




quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Ao receber o Oscar de melhor filme, reitera críticas à corrupção e impunidade no México




O diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, grande vencedor do Oscar com o filme ‘Birdman’, reiterou as críticas à situação de seu país e denunciou que a injustiça, a corrupção e a impunidade chegaram a "níveis insuportáveis" em seu país 


Na cerimônia de premiação ele afirmou: "Quero dedicar este prêmio aos meus compatriotas mexicanos. Aos que vivem no México, rezo para que possamos construir um governo que esteja à altura e aos que vivem aqui [nos Estados Unidos] e que espero que sejam tratados com a mesma dignidade e respeito que aqueles que constroem esta incrível nação de imigrantes”.

Massacre

O México ainda está abalado com o desaparecimento e suposto massacre de 43 estudantes no estado de Guerrero (sul do país) em setembro do ano passado, um caso que envolveu policiais corruptos e narcotraficantes e comoveu o mundo, por evidenciar o nível de violência no México.

"Todos concordamos que as coisas devem mudar de uma vez para sempre", reiterou González Iñárritu, convencido de que os mexicanos devem lutar em conjunto por "uma vida mais digna, mais segura, com mais garantias e mais direitos". 

Sem polêmica

Na segunda-feira, o presidente Enrique Peña Nieto felicitou González Iñárritu pelos prêmios de melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro original por 'Birdman' e fez referência às declarações que o cineasta havia feito em Los Angeles.

"Como país, nos orgulha saber que mexicanos podem triunfar, decolar, ter êxito aqui e fora do México, porque como governo hoje tentamos semear as melhores condições para que isto aconteça", disse o presidente, esquivando-se de uma eventual polêmica em torno das afirmações do cineasta.


Champagne: história de uma das mais nobres das bebidas



Em meados da década de 70, enquanto Hélio Contreiras “viajava o mundo nas estampas Eucalol”, eu o fazia através das páginas do gibi ZZ7, acompanhando as aventuras e peripécias da agente da CIA Brigitte Monfort, uma espécie de James Bond de saias. A intrépida agente era apreciadora de um dos mais famosos champagne do mundo: o Don Pérignon, safra de 1955

Atendendo solicitação de amigos que nos acompanham aqui no Artecultural, disponibilizamos abaixo para apreciadores e curiosos, um breve histórico sobre uma das bebidas mais apreciadas do planeta.

Euriques Carneiro

O Champagne é considerado por muitos como o “rei dos vinhos” e por muito tempo, a região de Champagne, que fica a 150 quilômetros de Paris, lutou para que os demais vinhos gaseificados fossem denominados de ‘espumante’, ficando o nome champagne exclusivo para aqueles produzidos naquela parte da França. Apesar da decisão, aqui no Brasil, mesmo constando nos rótulos a qualificação de espumante, muitos ainda se referem à bebida como champagne.

Antes mesmo da origem da bebida, os romanos já haviam introduzido a produção de espumantes na França. A questão era que as uvas da região de Champagne produziam um efeito diferente das outras, provocando uma fermentação secundária e gerando pequenas bolhas de gás.

História

A descoberta da bebida é atribuída ao monge Dom Pérignon (1668-1715), responsável pelas adegas da Abadia de Hautvilleres, naquela região francesa e ficou curioso com a afirmação dos vinicultores de que certos tipos de vinhos fermentavam novamente depois de engarrafados. Acontece que, nesse processo, os gases estouravam as rolhas ou arrebentavam as garrafas.

Dom Pérignon então experimentou garrafas mais fortes e rolhas amarradas com arame, descobriu o ‘champenoise’, conseguindo obter a segunda fermentação dentro do recipiente... e assim surgiu um vinho espumante e delicioso que depois seria batizado de Champagne.

No entanto, havia um problema com o vinho: os resíduos da segunda fermentação permaneciam na garrafa, fazendo com que a bebida tivesse uma aparência feia, o líquido turvo e não límpido como é hoje. Foi então que a célebre viúva Clicquot (Viuve Clicquot), que também virou uma marca de Champagne, inventou os processos de remuage (girar as garrafas) e dégorgement (degolar). No primeiro os funcionários da adega inclinam e giram as garrafas, fazendo com que os resíduos se descolem do corpo do recipiente e fiquem acumulados no gargalo. Aí então entra o dégorgement, que retira todas as impurezas, fazendo que o vinho fique límpido e transparente.

Até 1846, o Champagne era uma bebida de paladar doce, não existindo o seco (brut) ou o meio seco (demi-sec). Foi uma firma inglesa que primeiro encomendou um vinho espumante sem açúcar, durante certo tempo somente consumido na Inglaterra. Hoje o mundo inteiro (inclusive os franceses) aprecia e consome o Champagne seco, mais vendido que o doce. 


Famosa desde o século XVII

Mesmo sendo criado no final do século XVII, só no reinado de Luís XV (1710-1774), o Champagne tornou-se uma bebida famosa. Sua amante, Madame Pompadour, que ficou conhecida também pelo apoio que dava às artes, exaltava a bebida. Dizem que a origem do formato das taças usadas para se tomar o vinho foi inspirada no formato dos seus seios. Que seja. Mas, durante a Revolução Francesa, o Champagne tornou-se uma bebida maldita por sua associação com a nobreza e o luxo da corte francesa. 

No Império de Napoleão o vinho foi reconduzido ao seu lugar de destaque. A primeira marca de luxo do Champagne (Cuvée de Prestige) foi feita por ordem do Czar Alexandre II, quando da ocupação da França pelas tropas russas. As primeiras embalagens foram feitas em garrafas de cristal puro. Daí a marca Cristal. O sucesso do vinho atingiu o apogeu na Bèlle Èpoque e a partir daí acabou conquistando todo o mundo.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Com documentário sobre o compositor pernambucano, o Cais do Sertão, em Recife PE, homenageia Zé Dantas



 








A homenagem ao parceiro de Luiz Gonzaga não foi algo aleatório pois, se estivesse vivo, o músico completaria 94 anos, no fim deste mês e, para celebrar a data, toda a programação de fevereiro do museu Cais do Sertão está rendendo homenagem ao artista 
Dentro da programação do museu, a cada dois meses, o Cais do Sertão homenageia um grande nome da música. Para fechar a programação de fevereiro, a casa apresentará o documentário ‘Psiu!’, que conta um pouco sobre a trajetória do poeta, cantor e compositor, Zé Dantas.

“Toda a programação voltou-se para ele: os educadores receberam os visitantes com uma gravatinha borboleta, adereço que singularizava o traje do compositor e apresentado ao público no espaço DNA do Baião, dentro do território temático intitulado ‘Cantar’. No ‘Imbalança’, espaço de vivência com instrumentos musicais típicos da cultura sertaneja, todas as músicas trabalhadas pelo educativo foram de autoria de Zé Dantas”, pontuou Mario Ribeiro.

A exibição do curta-metragem está prevista para as 19h. A entrada é gratuita.

Serviço:

Exibição do documentário Psiu!

Terça (24) | 19h

Museu Cais do Sertão (Av. Alfredo Lisboa, s/n, Antigo Armazém 10 do Porto do Recife)


Medicina e música


José de Souza Dantas Filho, Zé Dantas ou Zedantas, como costumava assinar, nasceu no município de Carnaíba de Flores, Sertão do Alto Pajeú de Pernambuco, no dia 27 de fevereiro de 1921.

Em 1947, quando ainda estudava Medicina, já com certa fama de artista "improvisador" e compositor no meio universitário recifense, já era grande admirador do cantor e compositor Luiz Gonzaga, procurou o Rei do Baião e entregou-lhe algumas composições suas, mas em destaque “A volta da Asa Branca”, um contraponto à já popularíssima “Asa Branca” de Humberto Teixeira.

Gonzagão decidiu gravar a canção mas Zé Dantas fez-lhe apenas um pedido: que nos créditos do compositor não figurasse o seu nome. Explicou: “é que, se meu pai descobre que eu estou metido com música, corta minha mesada e adeus vida boêmia e o curso de Medicina, no Rio de Janeiro...” A música foi gravada com o um pseudônimo de Zé Dantas e, ainda hoje, é um dos grandes sucessos da carreira de Luiz “Rei do Sertão” Gonzaga.

Zedantas nunca estudou música nem sabia tocar qualquer instrumento. Compunha marcando o compasso com o auxílio de uma caixa de fósforos. Tinha muita facilidade em fazer versos. Autodefinia-se como pesquisador e divulgador da cultura popular do Nordeste brasileiro. Como compositor, poeta e folclorista, foi um dos grandes responsáveis pela fixação do baião como um gênero musical de sucesso no Brasil, através das suas parcerias com O Rei do Baião, desde 1950.

“Zona fantasma” é o box que reúne três de discos de Jorge Mautner e resgata o esquecido movimento Figa Brasil



Um CD com o inédito registro do show O poeta e o esfomeado - feito pelo cantor e compositor carioca Jorge Mautner, em 1987, com Gilberto Gil e o percussionista Repolho - é a deixa para atrair compradores para o combo denominado “Zona fantasma”

Produzido pelo pesquisador musical Marcelo Fróes para seu selo Discobertas, o box embala reedições dos álbuns feitos por Mautner nos anos 1980. Bomba de estrelas (Warner Music, 1981), Antimaldito (Nova República / Polygram, 1985) e Árvore da vida (Geléia Geral / Warner Music, 1988) - disco assinado por Mautner com o parceiro Nelson Jacobina (1953 - 2012) - são os álbuns encaixotados com a gravação inédita do show de 1987. Textos do jornalista Renato Vieira contextualizam os discos na obra fonográfica de Mautner.

A trinca da caixa mostra que Mautner continua a exercitar suas imersões na filosofia clássica do século 19, começo do século 20, sintetizando-a em letras que são um misto de nonsense, naïf e escrita automática surrealista. Dos três, o mais acessível é, obviamente, o primeiro, cravejado de estrelas da MPB especialistas em música para tocar no rádio. Embora não tenha tocado, apesar de ser um dos mais pop e acessível do cantor.

Os outros dois são os menos conhecidos álbuns de Mautner, sobretudo, Árvore da vida. Naquele ano, Gilberto Gil foi eleito vereador em Salvador e convocou Jorge Mautner para a chefia do seu gabinete, o que explica o disco quase não ter sido divulgado. Foi o único creditado também ao parceiro Nelson Jacobina (falecido em 2012, aos 58 anos). Antimaldito (produzido por Caetano Veloso) tem canções, inéditas, que remontam a 1958, como A bandeira do meu partido e o nonsense O tataraneto do inseto.

Jorge Mautner, que comentou faixas dos três relançamentos destes discos (ver ao lado) observa: “Fazem parte das minhas ideias, dos meus livros, entrevistas, minhas vidas, com duas motivações simultâneas: nunca mais novamente o Holocausto, e a ressurreição da humanidade é o Brasil”.

Referência: JC ONLINE

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Oscar 2015: surpresas, previsões que se confirmaram, lágrimas, agradecimentos... nada de novo no front!




A meca do cinema teve a sua festa maior ontem,com transmissão pelo canal TNT, com os comentários da maior autoridade no assunto do país, Rubens Ewald Filho, onde foram conhecidos os vencedores nas diversas categorias e as celebridades receberam as tão almejadas estatuetas

Como sempre, algumas premiações inesperadas mas também previsões que se confirmaram como os favoritos Whiplash e O Grande Hotel Budapeste, que levaram destaque em diversas categorias.

A surpresa mesmo foi para O Jogo da Imitação que conseguiu o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado e Birdman que conquistou o Melhor Roteiro Original e ainda o cobiçado premio de Melhor Filme.

Abaixo, o resultado das mais importantes categorias do Oscar 2015.


LISTA DE VENCEDORES:

Melhor filme:

Birdman - VENCEDOR

Melhor diretor:

Alejandro Gonzáles Iñárritu (Birdman) - VENCEDOR

Melhor ator:

Eddie Redmayne (A teoria de tudo) - VENCEDOR

JK Simons (Whiplash) - VENCEDOR

Melhor atriz:

Julianne Moore (Para sempre Alice) - VENCEDORA

Melhor atriz coadjuvante:

Patricia Arquette (Boyhood) - VENCEDORA

Melhor filme em língua estrangeira:

Ida (Polônia) - VENCEDOR

Melhor documentário:

CitizenFour - VENCEDOR

Melhor documentário em curta-metragem:

Crisis Hotline: Veterans Press 1 - VENCEDOR

Melhor animação:

Operação Big Hero - VENCEDOR

Melhor animação em curta-metragem:

Feast - VENCEDOR

Melhor curta-metragem em ficção:

The phone call - VENCEDOR

Melhor roteiro original:

Birdman - VENCEDOR


Melhor roteiro adaptado:


O jogo da imitação - VENCEDOR

Melhor fotografia:

Emmanuel Lubezki (Birdman) - VENCEDOR

Exposição “Retratos da Brasilidade” chega a São Paulo e exibe obras de Portinari, Di Cavalcanti e Lasar





Com curadoria de José Luis Hernández Alfonso, a mostra apresenta 70 obras, entre gravuras, pinturas, fotografias e esculturas, que retratam a riqueza e a diversidade cultural do país, datados dos séculos XIX e XX, que focam a fauna, a flora e a cultura popular brasileira

A exposição Retratos da Brasilidade, pode ser vista até o dia 10 de maio no Museu de Arte Brasileira da Faap (MAB-Faap), tem entrada franca e apresenta 70 obras, entre gravuras, pinturas, fotografias e esculturas de diversos períodos, tendências e técnicas.
O público terá acesso às gravuras de Johann Moritz Rugendas, com representação de cenas do século 19 no Brasil; à tela Caboclas Montadas, de Lasar Segall; à pintura Carnaval, de Di Cavalcanti, além de fotografias de Pierre Verger, retratando a cultura popular tradicional.Nomes de peso da arte brasileira estão representados, entre eles Johann Moritz Rugendas, Lasar Segall, Di Cavalcanti Pierre Verger, trazendo aos visitantes o olhar desses artistas sobre o Brasil, cada um em seu período de produção das obras. 


Os organizadores fizeram um levantamento de todas as obras do acervo do MMAB-Faap que tinham temáticas ligadas ao Brasil. Logo após, foram agrupados em blocos segmentando cenas de costumes do século 19; festas populares; carnaval; futebol; flora e fauna brasileira; imaginário religioso; e cenas de trabalho.

Estão expostas ainda obras como o desenho Capoeira, de Carybé, a pintura naïf Festa de São João, de Aldir Sodré de Souza, e o desenho a carvão sobre papel Garimpeiro, de Cândido Portinari. O curador destaca essa última e conta que a incluiu por ser uma obra muito significativa e pelo que representa dentro do modernismo brasileiro.

Foi selecionada uma obra de Portinari pelo valor artístico e estético, representando um momento da história do Brasil, vinculado ao ciclo da mineração. É uma obra de rara beleza, com traçado perfeito e digna de estudo. Portinari é um artista que valorizou o cenário brasileiro por meio de sua arte. Após passar um ano na França, voltou no começo dos anos 30 e decidiu retratar o país. Sua obra é permeada pela história, o povo, a cultura, flora e fauna.

Referência: EBC

domingo, 22 de fevereiro de 2015

A exemplo das maiores estrelas da MPB, grandes nomes do rock estão a caminho da aposentadoria




Quando o assunto é MPB, os maiores expoentes do segmento já estão na casa do 70 anos e, quando estendemos a análise para as estrelas do rock mundial, constatamos a mesma situação, a exemplo do vocalista do Iron Maiden, setentão e doente, que luta pela recuperação da saúde


Passando por um período particularmente infértil, a nossa MPB ainda vive daquilo que foi produzido há 40, 50 anos atrás. Estrelas como Caetano Veloso, Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Paulinho da Viola, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethania, passando ainda por Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Fagner e o ‘foragido’ Belchior, ainda lotam os seus shows, mas desfilam um rosário de sucessos do início das suas carreiras.

Nada de novo surge no cenário nacional que possa sugerir substitutos para esses nomes que, apesar de ser monstros sagrados da nossa música, já ultrapassaram a barreira dos 70 anos. Tempos atrás, surgiu um nome que parecia beber na mesma fonte das estrelas acima citadas: Chico Cesar... compôs um punhado de músicas boas para, logo em seguida, mergulhar no limbo da mesmice, sem manter a pegada inicial.

Também tivemos o movimento dos Tribalistas, que reuniu Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes e a maravilhosa Marisa Monte. Fizeram um belo disco e... nada mais. Aliás, o timbaleiro Brown tem sido os dos poucos que conseguem manter um bom ritmo de produção, embora escorregue em algumas composições vazias e sem nexo.

Se hoje, clássicos composto em meados do século passado como Carinhoso e “As rosas não falam” ainda são músicas que educam a audição, a impressão que temos é que na próxima década, ainda continuaremos ouvindo “Sampa”, “Travessia”, “Foi um rio que passou na minha vida” e “Como nosso pais”, entre outras, por absoluta falta de nomes e composições novas com a qualidade dos clássicos citados.

Rock internacional

Para não dizer que não falei do rock, na última quinta-feira, o Iron Maiden anunciou pela página oficial da banda no Facebook que o vocalista, Bruce Dickinson está em tratamento para recuperação de um tumor na língua. A notícia deixou em alerta os fãs de lendárias bandas do rock, com a possibilidade do ídolo enfrentar uma doença grave e ficar um tempo longe dos palcos.

Antes de Bruce, Malcom Young, do AC/DC, Bono Vox, do U2, e Morrissey, do The Smiths, entre outros (ver quadro), já haviam sofrido doenças e/ou acidentes graves, que os obrigaram a ficar de molho e afastados das turnês. Apesar de veteranos e com décadas de carreira, suas bandas ainda atraem multidões de fãs devotos por onde tocam e são queridinhas dos mais famosos festivais de música do mundo. Com o fim da linha cada vez mais próximo, estaria a indústria da música preparada para a aposentadoria desses gigantes do rock?

Rock in Rio

O que se viu de novo nas últimas edições do Rock in Rio? Quem atraiu milhares de fãs ao evento foram bandas como Metallica, Iron Maiden, Guns’n’Roses e Bruce Springsteen, todos com mais de 30 anos de carreira. Elas se revezaram como as principais atrações das noites roqueiras do evento.

O U2 — cujo vocalista, Bono Vox, sofreu um acidente de bicicleta no fim do ano passado e, devido às fraturas pode nunca mais tocar guitarra novamente — é dono da turnê mais lucrativa e popular de todos os tempos. A 360º Tour, que começou em 2009 e terminou em 2011, conseguiu arrecadar cerca de US$ 736 milhões (R$ 1,2 bilhão) e foi assistida por mais de 7 milhões de pessoas no mundo.

Quanto ao resto da lista, percebe-se o domínio dos veteranos: Rolling Stones, Roger Waters, AC/DC, The Police, Bruce Springsteen, todos com turnês relativamente recentes, estão entre os artistas que o público mais quer ver ao vivo. E os novatos, onde estão? O que acontecerá com o rock internacional quando essas feras se aposentarem ou se mudarem ‘para o andar de cima”? aqui como lá, não há nada que nos deixe otimistas.

Euriques Carneiro

FRAMBOESA DE OURO 2015: “SAVING CHRISTMAS” DOMINA PREMIAÇÃO DOS PIORES FILMES




O Framboesa de Ouro é uma espécie de Oscar ao contrário e “premia” os piores filmes do ano passado. Além de ‘Sarvin Christmas’, personalidades como Michael Bay, Cameron Diaz e Megan Fox também forma ‘homenageados’


Na madrugada deste sábado (21), um dia antes do Oscar , o Framboesa de Ouro anunciou seus vencedores. Kirk Cameron's Saving Christmas , que ainda não estreou no Brasil, foi o grande vencedor do Razzies, o troféu dos piores filmes de Hollywood, com quatro estatuetas.
Michael Bay foi lembrado como pior diretor, assim como Megan Fox, pior atriz coadjuvante por Tartarugas Ninjas. Ben Affleck foi o primeiro vencedor do prêmio redentor, para antigos vencedores do Framboesa que agora concorrem ao Oscar. Confira a lista dos principais ‘vencedores’:

Pior filme:

Kirk Cameron's Saving Christmas (VENCEDOR)
O Apocalipse
The Legend of Hercules
As Tartarugas Ninja
Transformers 4

Pior ator:

Kirk Cameron (Kirk Cameron's Saving Christmas) (VENCEDOR)
Nicholas Cage ( O Apocalipse )
Kellan Lutz ( The Legend of Hercules )
Seth MacFarlane ( Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola )
Adam Sandler ( Juntos e Misturados )

Pior atriz:

Drew Barrymore ( Juntos e Misturados )
Cameron Diaz ( Mulheres ao Ataque e Sex Tape - Perdido na Nuvem ) (VENCEDORA)
Melissa McCarthy ( Tammy )
Charlize Theron ( Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola )
Gaia Weiss ( The Legend of Hercules )

Pior ator coadjuvante:

Mel Gibson ( Os Mercenários 3 )
Kelsey Grammer ( Os Mercenários 3, Legends of Oz, Think Like a Man Too, Transformers 4 ) (VENCEDOR)
Shaquille O'Neal ( Juntos e Misturados )
Arnold Schwarzenegger ( Os Mercenários 3 )
Kiefer Sutherland ( Pompeia )

Pior atriz coadjuvante:

Cameron Diaz ( Annie )
Megan Fox ( As Tartarugas Ninja ) (VENCEDORA)
Nicola Peltz ( Transformers 4 )
Susan Sarandon ( Tammy )
Brigitte Ridenour (Kirk Cameron's Saving Christmas)

Pior diretor:

Michael Bay ( Transformers 4 ) (VENCEDOR)
Darren Doane (Kirk Cameron's Saving Christmas)
Renny Harlin ( The Legend of Hercules )
Jonathan Liebesman ( As Tartarugas Ninja )
Seth MacFarlane ( Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola )

Rio 450 anos: século 16 foi praticamente apagado da cidade





Há 450 anos, o colonizador português Estácio de Sá desembarcava em uma praia entre os morros Cara de Cão e Pão de Açúcar, onde hoje fica o bairro da Urca. O objetivo principal era expulsar franceses que tinham se estabelecido na Baía de Guanabara sem autorização da coroa portuguesa anos antes e travar uma guerra contra os índios tamoios. Ali, o Rio de Janeiro foi fundado pela primeira vez, em 1º de março de 1565


Desse período, no entanto, pouco restou além de relatos. Pouquíssimas estruturas físicas dos primeiros anos de colonização da cidade sobreviveram a esses quatro séculos e meio. Das construções do século 16, quase nada ficou de pé.Vencida a guerra, em 1567, dois anos depois da fundação da cidade, o governador-geral Mem de Sá, tio de Estácio, resolveu mudar de lugar a precária vila, passando da Urca para o Morro do Castelo, deixando ali apenas um forte e algumas casas. Por motivos estratégicos, o Rio era “fundado” pela segunda vez.

Segundo o geógrafo João Baptista Ferreira de Mello, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que promove passeios por roteiros históricos do Rio de Janeiro, a maioria das construções dos primórdios da cidade usava métodos e materiais precários. Por isso, tais edificações ou desapareceram ou foram sendo substituídas por construções mais sólidas.

“As igrejas, por exemplo, começaram a ser construídas no século 16, mas eram de taipa e de palha. A antiga catedral, de Nossa Senhora do Carmo [na Praça XV], foi fundada no século 16, mas ela foi sendo ampliada e nada ficou do original. Assim também aconteceu com o Mosteiro de São Bento”, conta.

Outro motivo para essa carência de edificações históricas primordiais foi a destruição do Morro do Castelo, o núcleo original da segunda fundação. Em 1922, o prefeito do Rio de Janeiro na época, Carlos Sampaio, arrasou o morro que tinha construções como o Colégio dos Jesuítas e a Igreja de São Sebastião, com o objetivo de modernizar a cidade para sediar a exposição universal que celebraria os 100 anos da independência.

“O Morro do Castelo tinha não só essas construções, como também muitos casebres. Ele reunia uma massa urbana pobre. Então, houve uma grande discussão sobre a demolição do morro com o intuito de modernizar e abrir mais a circulação de ar na cidade. No Rio, muito se debateu entre preservar os marcos mais antigos e modernizar a cidade. Isso provocou uma discussão enorme na imprensa. No fim, foi vitorioso o grupo que defendeu a derrubada”, afirma a historiadora Marieta de Moraes Ferreira, da Fundação Getulio Vargas, organizadora do livro Rio de Janeiro: uma cidade na história.

Entre os remanescentes desses primeiros anos está a Ladeira da Misericórdia, único remanescente do Morro do Castelo. A ladeira, com calçamento de pé-de-moleque, é considerada uma das primeiras ruas da cidade e teria sido construída logo no início do povoamento na segunda metade do século 16.

Outro possível remanescente do século 16 é o prédio do centro de visitantes do Jardim Botânico, na zona sul. O edifício já foi a sede de um dos primeiros engenhos de cana-de-açúcar da cidade, o Engenho D'El Rey, construído pelo governador Antônio Salema, na década de 1570.

Antes de tornar-se centro de visitantes, a antiga sede do engenho passou por muitas reformas e ampliações. Por isso, é difícil dizer o que há – se é que há – alguma estrutura original de quatro séculos atrás. Mas funcionários do Jardim Botânico acreditam que pelo menos a fachada lateral, onde hoje fica a entrada do centro de visitantes ainda é daquela época.

Do núcleo original da primeira fundação da cidade, na Urca, só restou a Fortaleza de São João, um complexo militar que começou a ser erguido em 1565, logo nos primeiros dias de colonização portuguesa. O problema é que, com o tempo, vários acréscimos, modificações e reconstruções foram feitas ali. Dos primeiros tempos, possivelmente nada restou.

Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a estrutura mais antiga da fortaleza ainda de pé é o portão. Segundo o responsável pelo setor cultural da Fortaleza de São João, coronel Thadeu Marques de Macedo, a estrutura, tombada pelo Iphan, é do início do século 17.

Ele explica que, com o tempo, o forte precisou ser aprimorado para manter sua função militar. Por isso, as construções originais foram sendo substituídas por estruturas mais resistentes. “A evolução da arte bélica fez com que as fortificações também evoluíssem”, disse o coronel.

Se o Rio perdeu quase todo seu patrimônio arquitetônico do século 16, pelo menos conseguiu preservar seu marco de fundação: um monumento, em mármore branco, com o escudo de Portugal talhado em uma face e a cruz de Cristo em outra. O marco, que já esteve na Urca e no Morro do Castelo, hoje se encontra exposto em uma lateral da Igreja dos Capuchinhos, na Tijuca, zona norte da cidade, com pouco destaque.

Na mesma igreja encontra-se o túmulo do fundador da cidade, Estácio de Sá, datado de 1583. Estácio morreu em 1567, com uma flechada no rosto. Seus restos mortais foram inicialmente sepultados na Urca e depois transferidos para a extinta Igreja de São Sebastião, que ficava no Morro do Castelo. Data dessa época, a lápide feita a pedido de seu primo, o então governador Salvador de Sá. O túmulo foi finalmente transferido para a Igreja dos Capuchinhos em 1922.

Editor: Graça Adjunto (EBC)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Obra do maestro Claudio Santoro pode ser declarada de interesse público





O acervo do maestro e compositor Claudio Santoro, que morreu em 1989, está guardado em caixas e pastas embaixo do sofá, do piano em que ele trabalhou e em armários na casa da viúva, a coreógrafa e musicista Gisèle Santoro


“O acervo está em dificuldades porque permanece na minha casa, que não tem as condições de conservação ideais, de temperatura e umidade. Está apenas mantido aqui, sendo que algumas coisas correm o risco de se perder, como toda a produção eletroacústica, feita diretamente em fita magnética que, com o tempo, se deteriora, vai perdendo a informação nela gravada. 

Os manuscritos estão dentro dos armários e também correm o risco de se perder porque muitos foram feitos a lápis. Além disso, a obra fica de difícil acesso para pesquisadores e músicos”, disse Gisèle, de 75 anos.O acervo é composto de mais de 400 obras musicais, como partituras de sinfonias, quadros pintados por Santoro, correspondências, publicações sobre a carreira dele e prêmios. Gisèle está preocupada com o destino do acervo, que é mantido em seu apartamento sem as condições adequadas de conservação.

A situação, porém, deve começar a mudar em breve. A superintendente do Arquivo Público do Distrito Federal, Marta Célia Bezerra Vale, informou que o órgão vai iniciar um processo para declarar o acervo de interesse público e social.

“A previsão é que a gente possa iniciar [o processo] em março. Isso significa fazer um inventário preliminar do que tem e um histórico da personalidade para mostrar a relevância dele, tanto em nível local quanto nacional”, disse Marta.

Ela explicou que o passo seguinte é enviar a documentação para análise da Procuradoria-Geral do DF, para a assessoria jurídica do governador e para o Conselho Nacional de Arquivos, vinculado ao Ministério da Justiça. Se esses órgãos derem parecer favorável, os governos estadual e federal podem emitir a declaração de interesse público e social. “Com a declaração, o dono do acervo consegue recursos por meio das leis de fomento à cultura, inclusive para ajudar na organização desse acervo”, acrescentou Marta.

A obra musical e pictórica do maestro foi tombada como patrimônio imaterial pelo governo do Distrito Federal em 2009. Gisèle explicou que, na prática, esse tombamento não resolve o problema, já que sem a declaração de que a obra tem interesse público não é possível destinar verbas para a conservação e a organização do acervo.

Umas das possibilidades defendidas pela família é que o material seja abrigado em um espaço constituído como o Memorial Claudio Santoro. “Acho que seria muito justo, visto que ele dedicou a vida, depois que conheceu Brasília, a esta cidade. No Brasil, a memória tem muito pouco valor, é muito pouco preservada. O patrimônio material ainda é preservado, mas o patrimônio imaterial fica nas mãos de Deus. Você conhece Beethoven e sabe o que é a Alemanha. O patrimônio imaterial representa um povo, o grau de civilização e cultura que atingiu.”

Embora fosse amazonense de nascimento e tivesse vivido fora do país, o maestro se considerava brasiliense por opção. Ele chegou à cidade no início da década de 60 para ajudar a fundar o Departamento de Música da Universidade de Brasília (UnB).

O vínculo com a capital federal foi reforçado quando, após dez anos de exílio na Alemanha durante o governo militar, decidiu retornar ao país e escolheu Brasília para viver. Ele fundou e passou a reger a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional em 1979, até sua morte, em 27 de março de 1989, aos 69 anos. O maestro teve um infarto quando regia o ensaio geral do primeiro concerto da temporada.

Cláudio Cohen, maestro titular da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, conta que teve a oportunidade de trabalhar com ele desde o primeiro ensaio da orquestra. “Foi uma oportunidade rara de conviver com um grande nome. É um gênio da música brasileira. Ele está no rol dos grandes compositores nacionais, como Carlos Gomes e Villa-Lobos. Eles representam internacionalmente a qualidade artística do Brasil”.

Segundo Cohen, Santoro pesquisou muito a música nacional. “Temos uma fase dele, nacionalista, que é muito importante e traduz os nossos ritmos. Ele viveu muito tempo fora do Brasil e a sua formação é muito sólida. O fato de experimentar as diversas correntes da música, como o dodecafonismo, uma forma inusitada de fazer música por meio de uma série de 12 tons escolhidos, quase uma fórmula matemática, passando pela música eletrônica, e também o nacionalismo, criou um universo de formação do maestro em que pôde ter uma experiência muito grande com a música. Ele soube explorar isso em suas 14 sinfonias.”

Fonte: EBC

O físico Stephen Hawking e o seu lado humano dissecado em “A Teoria de Tudo”



Baseado na biografia de Stephen Hawking, o filme mostra como o jovem astrofísico fez descobertas importantes sobre o tempo, além de retratar o seu romance com a aluna de Cambridge Jane Wide e a descoberta de uma doença motora degenerativa, quando ele tinha apenas 21 anos
Assim como O Jogo da Imitação, A Teoria de Tudo é a cinebiografia de um genial cientista britânico que não teve uma vida fácil (no caso, o físico Stephen Hawking). Da mesma forma, o(s) filme(s) traz(em) elementos que costumam agradar as academias responsáveis pelas premiações. 

A ver: baseia-se de uma história real (CapoteErin Brockovich - Uma Mulher de Talento); o retratado é do tipo “problemático” (o fator “não teve uma vida fácil”, sabe?, como Uma Lição de AmorMeu Pé Esquerdo); um papel que exige uma transformação física do ator protagonista (Clube de Compras DallasMonster - Desejo Assassino); deixar correr, em paralelo, as histórias profissional e amorosa do personagem central (PollockForrest Gump - O Contador de Histórias).


A emoção aflora com “A Teoria de Tudo”, em especial quando se tem alguma familiaridade com a história e os maneirismos do físico Stephen Hawking, provavelmente o único cientista vivo com status de celebridade global. Não que o filme force a barra no sentimentalismo –a narrativa é bastante contida. O que acontece é que os atores que interpretam Hawking e sua primeira mulher, Jane (Eddie Redmayne e Felicity Jones), incorporam de forma tão visceral a aparência e o comportamento dos personagens reais que a sensação é ter viajado no tempo, de volta à Cambridge dos anos 1960.


Parte da carga emocional do filme vem da deterioração que ambos sofrem ao longo de décadas do casamento: Hawking por conta da doença neurodegenerativa que lhe rouba os movimentos e a fala, Jane porque o peso de cuidar de três filhos e de um marido brilhante, mas cabeça-dura, acaba levando à separação dos dois.
Essas dificuldades crescentes são temperadas com triunfos e bom humor. Ao mesmo tempo em que Redmayne vai progressivamente assumindo a postura contorcida que a doença deu a Hawking, o ator consegue mimetizar o olhar zombeteiro e a autoconfiança que caracterizam o físico.

Estereótipo

Se a aparência e a personalidade dos protagonistas da história real foram recriadas com capricho, não dá para dizer o mesmo sobre a ciência que celebrizou Hawking. É compreensível: o foco do filme é a história de amor, não as equações, e, de fato, não é a coisa mais fácil do mundo explicar os conceitos da relatividade e da mecânica quântica.
Mas a sensação é que o filme acaba seguindo as soluções mais fáceis e abraçando os clichês ao falar de ciência. 

Quando está trabalhando, o Hawking de “A Teoria de Tudo” vira o estereótipo do gênio solitário, cujos insights repentinos o ajudam a entender a natureza do Cosmos sem sair da cadeira de rodas –ele percebe que buracos negros podem “evaporar” ao prestar atenção nas brasas da lareira.



Sobre o filme:

· A Teoria de Tudo é baseado no livro de memórias Travelling to Infinity: My Life with Stephen, escrito pela mulher do biografado, Jane Hawking.

· Eddie Redmayne perdeu quase 10 quilos para interpretar o físico. Além disso, ele fez uma extensa pesquisa sobre a doença e estudou a fundo os trejeitos de Stephen Hawking.

· Para o treinamento do lado físico, o ator teve aulas com uma dançarina que criou os movimentos dos zumbis em Guerra Mundial Z (2013).

· Cinco dias antes das filmagens Redmayne conheceu Hawking. “Ter a chance de conhecê-lo foi um misto de desespero e terror. Tive receio de encontrá-lo e perceber que minha preparação estava completamente errada, de ter me distanciado do verdadeiro Stephen”, declarou o ator em entrevista coletiva no Festival Internacional de Cinema de Toronto.

· Stephen Hawking começou a ter os primeiros sintomas da ELA (esclerose lateral amiotrófica) aos 21 anos. Os médicos lhe deram pouco tempo de vida, mas ele continua vivo e aos 72 anos pôde conferir sua cinebiografia.

· A produção venceu o Globo de Ouro de Melhor Ator (Eddie Redmayne) e Melhor Trilha Sonora.

· Eddie Redmayne venceu o SAG 2015 de Melhor Ator de Drama.

· A Teoria de Tudo concorre ao Oscar de Melhor Filme, Ator (Eddie Redmayne), Atriz (Felicity Jones), Roteiro Adaptado e Trilha Sonora.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Qual o significado da Quaresma para os cristãos?



















A Quaresma começa na quarta-feira de cinzas e vai até o domingo de páscoa. Ela começou nos primeiros dias da igreja cristã como um período de preparação para a páscoa. Embora não seja mencionada na bíblia, ela é uma das mais antigas tradições cristãs

Porque cobrir as imagens dos santos?

É costume muito antigo na Igreja, a partir do quinto Domingo da Quaresma – também chamado de Primeiro Domingo da Paixão, na forma extraordinária do Rito Romano, (sendo na verdade o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, o Segundo Domingo da Paixão) – cobrir com pano roxo as cruzes, quadros e imagens sacras. As cruzes ficam cobertas até o final da liturgia da Sexta – Feira Santa, os quadros e demais imagens até a celebração da noite de Páscoa.

O sentido profundo desse ato de cobrir as imagens sacras, fundamenta-se no luto pelo sofrimento de Cristo Nosso Senhor, levando os fiéis a refletir, ao contemplar esses objetos sagrados cobertos do roxo, que simboliza a tristeza, a dor e a penitência. O ápice do despojamento ocorre após a Missa da Ceia do Senhor na Quinta-Feira Santa, quando retiram-se as toalhas do altar. A cruz coberta lembra-nos a humilhação de N. Senhor Jesus Cristo, que teve de ocultar-se para não ser apedrejado pelos judeus

Outros ritos da Quaresma

Duração

A Quaresma dura 40 dias, sem contar os domingos, para as religiões cristãs ocidentais, incluindo os protestantes, católicos e anglicanos.
Simbolismo

De acordo com o reverendo Ken Collins, a Quaresma representa o retiro que Jesus fez no deserto por 40 dias em jejum.

Jejum

O jejum não significa abandonar a comida ou a água por completo. Ele normalmente significa abster-se de carne, peixe, produtos lácteos ou uma combinação destes alimentos durante a Quaresma, para simular o jejum de Jesus.
Propósito

De acordo com a Igreja Evangélica Luterana na América, os cristãos consideram a Quaresma como um período de disciplina e penitência.

Quarta-feira de cinzas

Na quarta-feira de cinzas, o cristão foca em seu próprio pecado. As cinzas são usadas para lembrá-los da sua mortalidade.

Semana Santa

A última semana da Quaresma, conhecida como semana santa, comemora a última semana da vida de Jesus na terra. Na quinta-feira santa celebra-se a última ceia e na sexta-feira santa representa-se o julgamento e crucificação de Jesus.




‘O Sal da Terra': Brasil consegue a indicação de Melhor Documentário no Oscar 2015


Sal da Terra / Foto: cordiolli.com


O Brasil não conseguiu entrar na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, mas conseguiu marcar presença no maior prêmio do cinema, mas ‘O Sal da Terra‘ (Salt of the Earth), que acompanha a história de vida do renomado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, foi um dos cinco indicados ao prêmio de Melhor Documentário


O documentário é uma coprodução entre Brasil, França e Itália. Dirigido pelo também brasileiro Juliano Salgado e pelo alemão Wim Wenders, ‘O Sal da Terra‘ recebeu o prêmio especial da seção Um Certo Olhar no Festival de Cannes.

Nos últimos 40 anos, o fotógrafo Sebastião Salgado tem viajado através dos continentes, aos passos de uma humanidade sempre em mutação. Ele testemunhou alguns dos principais eventos da nossa história recente; conflitos internacionais, a fome e o êxodo. 

Ele agora embarca na descoberta de territórios imaculados, da flora e da fauna selvagem e de paisagens grandiosas como parte de um enorme projeto fotográfico. Uma homenagem à beleza do planeta.

A Imovision lança ‘O Sal da Terra‘ no Brasil dia 12 de Março. É aguardar para conferir.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Escritor Luiz Alberto Moniz é indicado ao Nobel de Literatura pela União Brasileira de Escritores (UBE)





Durante décadas o Brasil depositou suas esperanças de um Nobel de Literatura em Jorge Amado, mas o prêmio não veio. Depois foi a vez das fichas serem apostadas em Paulo Coelho, também em vão. Agora, a expectativa de que um brasileiro receba a importante premiação está sobre os ombros de Luiz Alberto Moniz

A pedido da Real Academia Sueca, responsável pelo prêmio Nobel, a União Brasileira de Escritores (UBE) indicou o nome do historiador e cientista político Luiz Alberto de Vianna Moniz para concorrer à distinção de Literatura deste ano.

"Moniz Bandeira é um intelectual que vem repensando o Brasil há mais de 50 anos. Com fundamentação absolutamente consistente, suas narrativas são exercícios da literatura aplicada ao conhecimento dos meandros da política exterior, não só do Brasil mas de outros países cujas decisões afetam, para o mal ou para o bem, a vida, a nacionalidade e a própria identidade brasileira", explicou o presidente da UBE, Joaquim Maria Botelho, em nota.

O intelectual, que atua como cônsul honorário do Brasil na Alemanha, é autor de mais de 20 obras. 

Origem do prêmio Nobel

Um belo dia de 1888, Alfred Nobel acordou e foi ler os jornais. Abriu na página de obituários e encontrou um texto intitulado “O rei da dinamite”. Lá, o jornal afirmava que Alfred Nobel, o “mercador da morte”, o homem que tinha construído uma fortuna explodindo coisas – e pessoas –, estava morto. A notícia não procedia, é claro – Nobel, o milionário sueco de 55 anos, que naquele exato momento lia seu próprio obituário, estava vivíssimo. Ao escrever o texto, um repórter confundiu o nome de Alfred com o de seu irmão Ludwig, esse sim morto no dia anterior.

Mal sabia o anônimo repórter que detonaria, com seu erro, uma longa história de vitórias heroicas, derrotas humilhantes e vice-versa, de injustiças, polêmicas e triunfos. O infeliz obituário levou Nobel, o químico brilhante que inventou a dinamite e enriqueceu com isso, a repensar toda sua vida. Ele não queria entrar para a história com aquela imagem. Em 1895, Nobel terminou seu testamento, no qual detalhava os prêmios internacionais que deveriam ser dados, anualmente, em seu nome. 

Os vencedores, além de ganhar uma medalha de ouro e um diploma bonito, dividiriam entre si os juros sobre a fortuna que Nobel deixou. Os prêmios seriam dados em cinco categorias: Química, Física, Literatura, Medicina ou Fisiologia e Promoção da Paz. O de Economia seria criado só em 1968, para comemorar o tricentenário do Banco da Suécia.

O retorno dos discos de vinil leva-nos à atualíssima expressão de Antoine Lavoisier: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.”

Em meados da década de 90 foi decretada a morte dos discos de vinil, os chamados ‘bolachões’, que reinaram absolutos desde os anos 20 do século passado. Os recém chegados CDs não arranhavam com facilidade, ocupavam pouco espaço, tinham maior capacidade de armazenar músicas e o toca discos era muito menor que o pick up com suas agulhas que quebravam com frequência

Após ter seu fim decretado pela indústria, os discos der vinil voltam a ganhar espaço nas prateleiras das já escassas lojas de discos e catálogos de venda online. No Brasil, artistas de uma nova geração - em sua grande maioria, da música independente - afinam seus repertórios na mídia que é a aposta para suceder os já obsoletos Compact Disc (CD): o vinil. Quem diria!

Exagero talvez. Mais preciso é dizer que, diante da popularização do mp3, transmitido massivamente pela internet e conduzidos facilmente em pen drives, o CD começa a entrar em desuso comercialmente, sendo relegados, em muitos casos, ao patamar de ferramenta promocional dos novos lançamentos. Nesse caso, os discos de vinil ressurgem como uma mescla de opção vendável, produzidos em séries limitadas para os fãs mais aguerridos; ideal de qualidade, reproduzindo um som orgânico, sem as perdas das digitalizações e compressões; e como realizador de sonhos, dando aos artistas da nova geração o gosto de ter suas obras impressas na mais clássica e cultuada das mídias.

Lançamentos

"Quando pensei em gravar o disco, a primeira vontade era fazer em vinil. A ideia da capa, projeto gráfico, foi todo pensado para vinil. Sempre gostei muito, especialmente da arte", comenta a cantora e desenhista Tulipa Ruiz, que em 2011 debutou em vinil com seu disco Efêmera (2010). Lançado cerca de um ano depois do CD, o vinil veio em edição limitada de 500 unidades, prensadas em Londres pelo selo Vinyl Land e vendido em shows e pela internet.

"Gosto muito do ritual que é ouvir o disco. Você vai e escolhe, depois tem que virar o disco. Parece que a audição vem em outra velocidade. Me encanta esse ritual todo, esse tempo de escuta", diz Tulipa, revelando-se apaixonada pelo formato. No hall de lançamentos de 2011 estão ainda Criolo, Planta e Raiz, B Negão, Karina Buhr, Lucas Santanna, Autoramas, Nina Becker, DJ Tudo, China, Bixiga 70, Anelise Assumpção e ainda nomes vinculados a grandes gravadoras como Nação Zumbi, com "Fome de tudo"; Pitty, com "Chiaroscuro"; e, em 2010, "África Brasil" e "A Tábua de Esmeralda", de Jorge Bem; "Nós vamos invadir sua praia", do Ultraje a Rigor; e "Onde Brilhem os Olhos Seus", de Fernanda Takai.

"Essa volta é interessante porque as pessoas voltam a ouvir o disco inteiro. Isso pega um lado conceitual do projeto, que se perde um pouco com o CD, com o mp3", argumenta Beto Bruno, vocalista da banda Cachorro Grande, que relançou em 2010 em vinil o seu álbum "Cinema" pela Polysom, única fábrica em atividade no Brasil.

Apesar de estar em início de carreira, formada em 2010, a banda independente Bixiga 70 investe no vinil como formato ideal para suas produções. Eles estrearam em disco pelo vinil, com o compacto "Di Malaika", lançado em 2011 e, ainda no mesmo ano, o LP "Bixiga 70".

"A nossa ideia sempre foi lançar vinil. Além de metade da banda ter começado a vida musical com vinil, nós também sabemos que a nossa área de atuação é bastante ocupada por Djs", argumenta o guitarrista da banda, Maurício Fleury, destacando, além da questão afetiva, o lado comercial do disco vinil. Por fazerem uma música bastante apreciada por Djs que utilizam vinil, explica, o lançamento no formato veio como uma forma de ampliar a divulgação do som do grupo.

A obra, destaca, é pensada primeiramente, no entanto, para o formato vinil, trazendo faixas bônus complementares no CD e mp3. "Pensamos lado A e lado B, a ordem das músicas. É uma opção estética que é anterior ao disco estar pronto. Tudo foi pensado para termos um ´discão´ como os que a gente sempre admirou", reforça Fleury.

Para o público, defende o músico, ao contrário do que acontece com o CD, ainda que possuam as músicas em mp3, o vinil é ainda um objeto de desejo, com valor, arte e qualidade sonora diferenciada. "Esse fenômeno mundial da volta do vinil é sintomático de uma exigência do publico. É um objeto que traduz um pouco a relação que o fã tem com o som", argumenta. Em pouco mais de um ano, os discos do grupo já registraram cerca de 20 mil downloads e a banda vendeu mais da metade do material gravado em vinil, entre 500 Lps e 500 compactos.

O resgate da produção é feito no exterior

A nova onda de difusão do vinil, esbarra, no entanto, em um problema estrutural: a produção. Todas as fábricas brasileiras em escala industrial foram fechadas após 1997, quando foi decretada a morte comercial do formato. Encarando o desafio de produzir os discos fora do Brasil e importar para venda no País, o representante da fábrica tcheca GZ Media, Clênio Lemos, já lançou discos de 60 artistas.

Cearense, natural de Jaguaretama, ele reside na República Tcheca desde 2009, quando começou efetivamente a produzir os discos. Proprietário de lojas de disco na Inglaterra, ele teve que fechar as portas após a queda na venda de Cds. Trabalhando com a GZ desde 2008, ele custou a convencer artistas brasileiros da viabilidade e atualidade de se lançar em vinil. "Quando cheguei, o pessoal falou, ´isso acabou, volta para Europa´", conta. "Mas eu insisti, voltava, mostrava para um, para outro, ia nas gravadoras. O primeiro pedido foi do DJ Tudo (Alfredo Belo)", completa.

Aos poucos as encomendas deslancharam e hoje ele já contabiliza no currículo nomes como a Orquestra Contemporânea de Olinda, Sepultura, Bixiga 70, China, BID, Planta & Raiz e até Wanessa (ex-Camargo). Ele avalia 2011 como o ano de maior aumento na procura por lançar discos em vinil. O custo de produção, aponta, é ainda uma das grandes barreiras. A fábrica trabalha com uma prensagem mínima de 250. Somando os custos com a fabricação, transporte para o Brasil e taxas de importação, ele revela que nesta tiragem mínima o preço dos discos sai por R$27 a unidade, no formato LP (12 polegadas), incluindo capa.

Referência: diário do nordeste