segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Na contra mão: grande sucessos do cinema internacional ganham versão em livros




Filmes de sucesso inspirados em livros já são rotina no mercado cinematográfico, mas o mercado editorial inverte o fluxo e leva para a literatura histórias já consagradas nas telonas, algo impensável há algumas décadas atrás


Com o sucesso da parceria entre mídias, o caminho inverso também passou a ser trilhado para estimular o imenso público espectador a se tornar leitor. Um dos casos emblemáticos é a saga de seis filmes Guerra nas estrelas, exibida entre 1977 e 2005, com bilheteria total de mais de US$ 4 bilhões. 

No ano passado, a editora Aleph apostou na tradução do livro Star Wars - Herdeiro do império e vendeu, segundo o portal Publishnews, mais de 6 mil exemplares. Outros lançamentos já haviam trilhado o mesmo caminho, ao pegar carona na divulgação dos filmes, mas tiveram menor visibilidade. 

Foi o caso de As aventuras de Tintim: O romance (2012), Branca de Neve e o caçador (2011), O discurso do rei (2011), A garota da capa vermelha (2011), Garota infernal (2009).Mais de uma dezena de filmes indicados ao Oscar 2015 são adaptados ou inspirados em livros – A teoria de tudo, Sniper americano, Garota exemplar, Vício inerente, Jogo da imitação, O Hobbit, Invencível, Livre, Os Boxtrolls, Grande hotel Budapeste. 

A relação entre cinema e literatura, contudo, não é nada recente. Na primeira cerimônia organizada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, em 1929, foram premiados três longas-metragens com roteiro criado a partir de obras literárias: Lágrimas de homem, Sedução do pecado e A vida privada de Helena de Tróia. Quase três décadas antes, em 1901, o filme Os fantasmas de Scrooge já propunha uma releitura dos escritos de Charles Dickens.

Nicho cinematográfico capaz de render bilheterias astronômicas, as franquias de super-heróis já foram alvo de tentativas por parte do mercado editorial, mas não se mostraram tão promissoras quando contadas em verso e prosa. Na década de 1990, a editora Abril traduziu volumes de contos do Batman e do Super-Homem, além de um romance protagonizado por Clark Kent. 

Em 2006, foi a vez da Panini lançar livros do Homem-Aranha, Wolverine e X-men. Não vingou. Com a popularização recente da cultura nerd (ou geek?) e as cifras cada vez maiores alcançadas pelas adaptações de quadrinhos para o cinema, mais uma leva de obras do gênero começa a chegar às livrarias.

Fruto de negociação com a norte-americana Marvel Comics, a editora Novo Século publicou recentemente os títulos Guerra civil (com Homem de Ferro e Capitão América) e Homem-Aranha – Entre trovões. Com forte estratégia de divulgação, programada para coincidir com os próximos filmes das franquias, a casa editorial tem um calendário com mais outros 13 romances de heróis. Vem por aí X-Men – Espelho negro (março), Homem de Ferro – Vírus (abril), Vingadores – Todos querem dominar o mundo (maio), Homem-formiga (junho), Guerras secretas (julho), Wolverine – Arma X (agosto) e Capitão América – A morte do Capitão América (setembro), Novos vingadores – Fuga (outubro) e Homem-Aranha – A última caçada de Kraven (novembro).

"No mercado norte-americano tem feito muito sucesso as histórias romanceadas dos heróis. Queremos dar continuidade à saga até 2017, e alcançar tanto os fãs de quadrinhos quanto aqueles menos interessados em HQs, mas frequentadores de cinema e leitores de romances”, justifica a editora de título estrangeiros da Novo Século, Renata de Mello. 

Para ela, quem está ligado ao universo geek encontra similaridade com as narrativas originais dos gibis, pois são produtos complementares, escritos e editados por profissionais com atuação no meio. “É a oportunidade se aprofundar em informações não encontradas nos filmes (com limitação de tempo) ou nas HQs (com caracteres reduzidos). No livro, a palavra corre solta”.

Referência: Correio Braziliense

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