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domingo, 25 de janeiro de 2015

Gregório de Matos, um dos maiores autores barrocos do Brasil, ficou conhecido pelas suas sátiras e poesias líricas


Falar do poeta Gregório de Matos sem falar do seu lado polêmico e satírico é contar apenas parte da sua vida e Ana Miranda explora bem essas nuances em “Musa Praguejadora”, biografia do poeta baiano que é considerado um menestrel do barroco brasileiro

São 560 páginas nas quais a autora traça uma panorâmica da vida do poeta e da cidade de Salvador no século 17. O trabalho é o resultado de uma pesquisa rigorosa e cheia de minúcias sobre o momento histórico e a própria vida do personagem, onde ela buscou informações em escritos antigos, bem como com pessoas que têm conhecimento da vida de Gregório. 

Nada fica de lado no trabalho de Ana Miranda, nem mesmo a luta interna de Gregório de Matos, dividido entre a vontade de viver as ruas e a culpa cristã introspectada nos anos de vivência e prática do catolicismo.

Histórico

Gregório de Matos na cidade de Salvador, Bahia. Filho de uma família rica, Gregório teve a sua formação acadêmica em Lisboa, na Universidade de Coimbra, onde estudou Direito. Em Portugal, atuou como advogado em Alcácer do Sal, no Alantejo.

Voltou para o Brasil em 1679 com a função de Desembargador da Relação Eclesiástica da Bahia. Em 1682, é nomeado por D. Pedro II como tesoureiro-mor da Sé. Entretanto, depois que o seu cargo aumentou, havia a necessidade de que Gregório vestisse a batina e vivesse uma vida "correta". O autor recusou aceitar imposições de ordens maiores e, por acharem que ele não estava apto para as funções que o tinham incumbido, foi destituído do cargo. A partir daí, o português iniciou a escrever os poemas difamatórios e polêmicos pelos quais ele ficaria conhecido.

Em suas obras, Gregório satiriza os costumes e a sociedade baiana, a qual ele apelida de "canalha infernal". Ninguém escapava de suas duras palavras – políticos, advogados, eclesiásticos, etc. Todos eram alvos das críticas e ironias do autor. Por conta disso, Gregório de Matos ficou conhecido como "boca do inferno".

O português escreveu poesia lírica, satírica e religiosa, sendo as suas sátiras as mais famosas. Os temas abordados em seus poemas eram coloquiais e a linguagem utilizada era a mesma do cotidiano. Por isso, suas obras são um ótimo material para analisar como era a sociedade baiana no fim do século XVII.
A característica mais comum em todas as suas criações é o teor erótico e grande uso de palavras de baixo calão. Entretanto, cada um dos seus estilos possui particularidades. A poesia lírico-religiosa mostra o quanto Gregório estava dividido entre o pecado e a religião e como ele busca por salvação. Quando ele percebe que está tomando atitudes erradas, age como se fosse o seu próprio advogado de defesa perante Deus. Esse estilo foi mais reproduzido no fim da sua vida, quando Gregório já começava a se arrepender da vida boêmia que havia levado.
Já a poesia lírico-amorosa retoma fortemente o teor erótico, mas possui uma profundidade a mais. O autor retrata o amor como fonte de prazer e sofrimento - essa dualidade é vista em quase todos os seus textos românticos e é um aspecto marcante de sua inspiração barroca. Além disso, a mulher é descrita por dois pontos de vista: como algo inacessível e espiritualizado, e também como a fonte de desejo carnal.

O outro estilo presente em algumas de suas obras é o lírico-filosófico. Nelas, Gregório de Matos mostra-se pessimista, angustiado perante a vida e aborda temas como o desconcerto do mundo. Ele discorre sobre a existência, as injustiças da vida e o que nos espera após a morte.

Mesmo sendo um autor tão complexo, as sátiras foram o motivo para a sua consagração e queda como autor. Ao mesmo tempo em que o português fez a sua fama por meio das sátiras, as autoridades ficaram descontentes com as suas críticas e ironias e começaram a persegui-lo. Depois de escrever um texto que difamava o governador da Bahia, Antônio Luis da Câmara Coutinho, foi preso e exilado em Angola, na África. Obteve autorização para voltar para o Brasil em 1696, porém, adquiriu uma doença durante a viagem e morreu no mesmo ano, em Recife.
Gregório de Matos não publicou nenhuma das suas obras enquanto estava vivo. Após 230 anos, a Academia Brasileira de Letras fez uma compilação de suas poesias conhecidas e as publicou com o título “Obras de Gregório de Matos", composta de 6 volumes.

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