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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Almanaque Pernambucano dos Causos, Mal-assombros e Lorotas, mostra o imaginário das lendas pernambucanas


Almanaque de folclore popular pernambucano é lançado pela Editora Massangana

Os curiosos pelo folclore pernambucano terminaram 2014 com uma boa novidade. A Editora Massangana lança o Almanaque Pernambucano dos Causos, Mal-assombros e Lorotas, escrito por Roberto Beltrão e Rúbia Lóssio

O volume do almanaque conta com 204 páginas e lendas divididas por meses – desde a cabra que se alimenta de crianças até a perna cabeluda e a Cumadre Fulozinha. 

Segundo Roberto, a ideia de estender para o restante de Pernambuco a pesquisa sobre assombrações que se fazia no Recife surgiu em 2010. “Queríamos fazer um documentário com as pessoas narrando essas histórias, mas não foi possível, então fomos fazer o livro”, conta Roberto.Pernambuco tem um trânsito privilegiado com o sobrenatural. 

A teoria é do jornalista e pesquisador Roberto Beltrão, um dos criadores do site O Recife Assombrado. Colecionador de lendas e mitos da capital, ele lançou recentemente o seu terceiro livro de contos, ‘Na escuridão das brenhas (Bagaço)’, em que amplia o repertório de histórias inexplicáveis para o interior de Pernambuco.

Rúbia foi a várias cidades do Estado para coletar novas lendas e histórias, com ajuda de seus alunos, e o material se juntou à pesquisa em livros feita por Roberto. “Não fomos em todas as cidades, mas passamos por locais que sabíamos que contavam com muitas lendas, como Triunfo, Petrolina, Surubim”, aponta o escritor. A sua preferida dessas novas descobertas é a história da pedra que engole gente, de Rio Formoso, no Litoral Sul do Estado. “Em um caminho, tem uma pedra que realmente parece um rosto humano, e os moradores começaram a criar essa lenda de que ela engole pessoas, que tem um tesouro. Eu acho fantástica”, entusiasma-se.

O volume tem uma linguagem acessível e divertida, funcionando como um desses almanaques de antigamente, cheios de curiosidades e com as ilustrações assustadoras e belas de Fábio Rafael. “Há toda uma importância na catalogação, mas queríamos fazer as história circularem, voltarem a fazer parte da cultura das pessoas. Por isso fizemos narrativas: o que é legal nas lendas é poder contar as histórias”, explica Roberto. Além de preservar esse conhecimento popular, a proposta do seu site, O Recife Assombrado, sempre foi levar os conhecimentos para outras plataformas, como a literatura, o cinema e as HQs.

“O imaginário popular diz muito sobre a nossa origem cultura, sobre a relação das sociedade com a natureza, por exemplo. Em Pernambuco, como Fátima Quintas diz, temos um trânsito próximo aos mortos, que eram enterrados ao lado da casa-grande”, analisa o escritor. Além disso, lembra que não só os portugueses eram muito supersticiosos: as culturas dos africanos e dos índios dialogavam bastante com o sobrenatural.

Além do Almanaque pernambucano dos causos..., Roberto adianta que outros trabalhos de O Recife Assombrado vem por aí. Ainda em janeiro, deve sair uma nova HQ, dando sequência ao volume Histórias em Quadrinhos d´O Recife Assombrado, que teve a tiragem esgotada. Com roteiro de André Balaio e traço de Téo Pinheiro, A história da perna cabulada será lançada pela Bagaço, com pouco mais de 30 páginas, e se passa nos tempos atuais. Outro projeto deste ano é renovar o site O Recife Assombrado, com verba do Funcultura. “Gilberto Freyre dizia que o Recife é uma cidade inglesa perdida nos trópicos. E nós somos meio ambiciosos: queremos fazer o gótico pernambucano”, resume Roberto.

Algumas lendas:

Mulher da Sombrinha -
Lenda de Catende, na Zona da Mata, é avistada por trabalhadores à noite, que logo ficam fascinados por ela e aceitam o convite para passear pelo cemitério. Apesar de temida, também virou um boneco gigante no Carnaval da cidade.

Perna Cabeluda – Boato surgido nos anos 1970 no Recife, a perna pulava só e dava chutes em quem encontrasse, especialmente se visse moças com vestidos curtos. Teve ampla repercussão em rádios e jornais na época.

Cabra que janta crianças – Com aparência comum, a Cabra-Cabriola lança fogo pelos olhos, narinas e boca e se alimenta de crianças – quantos mais desobedientes, maior o perigo.

Mulher de algodão – Uma assombração que pairava em banheiros de colégios. A origem mais famosa é de que se trata da vingança de uma mulher que cometeu suicídio depois de saber que o filho morreu trancado em um banheiro.

Pedra que engole gente – A Estrada da Siqueira, em Rio Formoso, abriga uma pedra negra de três metros com um rosto humano. Para atrair homens, a pedra vira uma mulher nua e engole os curiosos.

Cumadre Fulozinha – Vigilante implacável contra maus-tratos com animais, a Cumadre Fulozinha também tem o hábito de fazer tranças nas crinas de cavalos. Pode até ajudar pessoas perdidas, caso peçam auxílio humildemente.

Mula-sem-cabeça – Segundo as lendas populares, homens podem virar lobisomens. Para as mulheres, a maldição é outra: se tornar um cavalo com fogo no lugar da cabeça e com cascos afiados como navalhas. Vira mula-sem-cabeça aquela que foi amante de um padre.

A ideia do Almanaque é tratar o folclore regional popular com a mesma seriedade com que foi tratado por Gilberto Freyre, autor de Casa Grande e Senzala, e Mário Souto Maior. O livro, como os bons e antigos almanaques, junta histórias, personagens, provérbios, lendas e versos que podem despertar o interesse de estudantes, pesquisadores e do público em geral. Afinal, quem não gosta de conhecer e contar esses causos?

O Almanaque Pernambucano dos Causos, Mal-assombros e Lorotas, de 204 páginas, já está à venda na loja da Editora Massangana, na Av. 17 de agosto, nº 2187, Casa Forte, Recife.

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SERVIÇO

Livro: O Almanaque Pernambucano dos Causos, Mal-assombros e Lorotas

Editora Massangana (Fundaj)

Páginas: 204

Preço: R$ 30,00

Referência: JC On Line

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