sábado, 31 de janeiro de 2015

Um dos mais marcantes movimentos da música brasileira, o show “Opinião” foi utilizado como grito de contestação ao regime ditatorial da época





Meio século depois, vale relembrar os dois artistas que protagonizaram, ao lado de Nara Leão, um dos momentos mais importantes da música popular brasileira: o antológico show "Opinião", de 1964, quando se iniciava a ditadura militar, uma das maiores máculas da história nacional

Para marcar a data,a TV Brasil criou uma edição especial que remonta parte do repertório dessa apresentação e as parcerias entre Zé Keti, João do Vale e Nara Leão. O episódio exibe cenas do acervo da emissora nas quais os músicos interpretam composições criadas especialmente para o espetáculo e outras que marcaram uma geração como, por exemplo, Carcará, Opinião e A voz do Morro.
No repertório do programa, imagens de Zé Keti interpretando Acender as Velas, A voz do morro, Diz que fui por aí, Malvadeza Durão e Máscara Negra. Já as músicas de João do Vale, exibidas pela edição, são Catirina, Coronel Antonio Bento, O canto da Ema, Asa do vento, Pisa na fulô, Farinhada e A voz do povo. E ainda a interpretação de Nara Leão da música Diz que fui por ai, gravada em 1984.

Zé Keti
José Flores de Jesus nasceu no subúrbio do Rio de Janeiro. Sambista por vocação, compunha com uma caixinha de fósforos nas mãos. Suas músicas foram gravadas por vários cantores brasileiros renomados e algumas delas integraram a trilha sonora dos filmes de Nelson Pereira dos Santos,Rio 40º e Rio, Zona Norte. O cantor era uma espécie de mestre de cerimônia do bar Zicartola, no qual aconteceu o encontro que gerou a ideia do show-manifesto Opinião.

João do Vale

A história de João do Vale começa em Pedreiras, no Maranhão. Veio para o Rio de Janeiro aos 17 anos e chegou a trabalhar como pedreiro. Sem uma formação ele recebeu o título de Poeta do Povo. Compôs centenas de músicas que retratam a realidade do Nordeste. No show representava o povo oprimido de sua terra natal.

Em 1965 lançou "Acender as velas" considerada sua melhor composição. Idealizou e participou do famoso conjunto A Voz do Morro com Elton Medeiros, Paulinho da Viola, Anescarzinho do Salgueiro, Jair do Cavaquinho, José da Cruz, Oscar Bigode e Nelson Sargento. Zé Kéti foi compositor de cerca de duzentas músicas, sendo as mais famosas "A voz do morro", "Máscara negra", "Malvadeza Durão", "Nega Dina", "Acender as velas" e outras. Em 1998 recebeu o Prêmio Shell pelo conjunto de sua obra. Faleceu em 14/11/1999 no Rio de Janeiro.

Nara Leão

Nara Lofego Leão nasceu em Vitória ES, em 19/1/1942. Com um ano de idade mudou-se com a família para o Rio de Janeiro. Por ser muito ligada à música, abriu seu apartamento na Avenida Atlântica em Copacabana aos músicos do movimento Bossa Nova, no final dos anos 50 a meados dos 60 e tornou-se uma espécie de MUSA da bossa nova. 
Seu início de carreira profissional foi em 1963 integrando o elenco do musical "Pobre menina rica" de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra. Nesse mesmo ano participou da trilha sonora do filme "Ganga Zumba Rei dos Palmares" de Cacá Diegues, com quem viria a se casar mais tarde. Em 1964 gravou seu primeiro LP "Nara" com músicas de bossa nova e de representantes do "samba de morro". 
Segundo o musicólogo Ricardo Cravo Albin, Nara Leão "foi muito mais que musa da bossa nova. Nara não apenas institucionalizou os compositores da bossa nova na sua fase mais eloquente, como foi muito mais longe, pois teve a sensibilidade de abraçar os ideais de justiça social apregoados pelo CPC Centro Popular de Cultura da UNE União Nacional dos Estudantes e pelo Cinema Novo bem como ouvir e deixar-se encantar pela magia dos poetas do morro". 
Nara teve uma carreira brilhante e terá seu nome para sempre marcado na história da MPB. Faleceu precocemente em 7/6/1989 no Rio de Janeiro.



sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Como a aceitação de valores que em nada agregam à formação dos nosso jovens, acaba por criar uma permissividade exacerbada na sociedade como um todo



A matéria abaixo nada tem a ver com arte ou cultura, mas resolvi publicá-la como uma espécie de alerta à nossa sociedade. Vejam que um garoto de apenas 12 anos, recém saído das fraldas, já se diz artista (sic!) e se apresenta para outros garotos e adolescentes com músicas, - será que podemos rotular essa aberração como música? – cujo teor das letras só fala de sexo. Aliás, da banalização do sexo.
Onde estão os pais que permitem que seus filhos frequentem estes shows? Que espécie de cidadãos eles esperam que seus filhos sejam, sendo criados com essa influência? Onde está o Ministério Público que não coíbe esse tipo de comportamento? Onde estão os zelosos Conselhos Tutelares que não tomam nenhuma providência? A rigor, poderia um garoto de 12 anos, estar se apresentando às madrugadas e ainda cantando e pregando esse tipo de comportamento totalmente avesso aos valores da sociedade? 
Temos visto notícias na mídia de pais que precisam trabalhar para buscar o sustento, deixando os filhos em casa e, basta acontecer um pequeno acidente doméstico, logo vem uma legião de 'autoridades' ameaçando-os de prisão e ou de perda da guarda desses filhos. Porque esse garoto tem toda essa liberdade que não é permitida a outrem? 
Finalizando a opinião do Artecultural,fica o nosso alerta contra essa permissividade da sociedade e os nossos efusivos PARABÉNS ao Ministério Público do Ceará.
Euriques Carneiro
MP quer proibir músicas de MC Pedrinho em todo o território nacional 
O show do funkeiro MC Pedrinho marcado para o próximo sábado (31) em Fortaleza não vai mais acontecer. O Ministério Público do Ceará conseguiu uma liminar para impedir a apresentação do cantor de 12 anos de idade sob a alegação de que o conteúdo de suas músicas seria impróprio.

No documento, o promotor de Justiça Luciano Tonet argumenta que o adolescente, que tem entre suas músicas "Planeta da Putaria", "Vem Piriquita" e "Novinha Sapeca. Tá Doendo?", se apresenta com repertório musical dotado de "nítida conotação sexual, alto teor de erotismo, pornografia, baixo calão e todo tipo de vulgaridade, incompatíveis com a condição peculiar de pessoa em desenvolvimento".

A proibição foi obtida junto à 6ª Promotoria de Tutela Coletiva da Infância e Adolescência do Ceará. A pena para desobediência da decisão é de R$ 1 milhão.

"Modelo para os demais"

Além disso, o promotor pediu que a Procuradoria da República em São Paulo, local de residência do adolescente, ajude a tomar "providências cabíveis" para lidar com a abrangência das músicas de MC Pedrinho em todo o território nacional.

A ação alerta para os danos que podem ser causados se o cantor "servir de modelo aos demais". Uma cópia do texto foi enviada para o Juízo da Infância e Promotoria de Justiça de São Paulo.

O UOL entrou em contrato com a produtora de MC Pedrinho, que informou que ele e seu empresário, Juninho Love, não comentariam o caso.

Fonte: UOL Entretenimento

Os astros já chegaram à melhor idade e o físico já mostra o sinal dos tempos, mas as franquias de filmes de ação ainda produzem frutos rentáveis





Parecia pouco provável, mas após tentativas pouco inspiradas e a saída de James Cameron do comando da série, a ideia de um novo O Exterminador do Futuro foi recebida com entusiasmo

Com o Superbowl acontecendo (e seus intervalos comerciais milionários), um novo teaser de Gênesis mostra mais Schwarza e uma versão levemente alterada do T-1000… Ou será que estamos vendo uma novíssima versão do vilão deste Exterminador do Futuro?

Poucos esperavam muito do reboot, mas depois da divulgação do primeiro trailer, que explora a ideia de linhas temporais paralelas e altera a trama estabelecida na ficção científica original de 1984, o novo filme passou a figurar na lista de produções mais esperadas de 2015.

Sinopse

No ano de 2029, a guerra pelo futuro está quase chegando ao fim e um grupo de rebeldes humanos está perto de derrotar o sistema de inteligência artificial Skynet. John Connor (Jason Clarke) é o líder da resistência e Kyle Reese (Jai Courtney) é seu soldado mais confiável.

John envia Kyle de volta a 1984 para salvar sua mãe, Sarah Connor (Emilia Clarke), do cyborgTerminator T-800 (Arnold Schwarzenegger), programado para matá-la e, assim, impedir que ela dê a luz a John anos mais tarde. Mas esse plano é alterado em função da viagem no tempo e, desta vez, é Sarah que precisa salvar Kyle.

Veja também:
O Exterminador do Futuro (1984)
O Exterminador do Futuro 2 (1991)
O Exterminador do Futuro 3 - A Rebelião das Máquinas (2003)
O Exterminador do Futuro 4: A Salvação (2009)


Curiosidades sobre a série

· A produção é um reboot da franquia O Exterminador do Futuro.

· Os quatro primeiros filmes da franquia arrecadaram, juntos, mais de US$ 1 bilhão, mundialmente.

· A atriz Emilia Clarke é mais conhecida por viver Daenerys Targaryen na série Game of Thrones.

· Para o papel de Sarah Connor, Emilia Clarke desbancou as atrizes Margot Robbie e Brie Larson.

· Para manter Arnold Schwarzenegger na franquia, seu personagem, o cyborg Terminator T-800 aparece mais velho, mostrando que ele tem a capacidade de envelhecer assim como os humanos. Mas na trama ainda traz a sua versão jovem. Vale lembrar que no primeiro longa da franquia, o ator tinha 37 anos e nesse novo ele já sustenta seus 66 anos.

· Tom Hardy foi cotado para o papel de John Connor.

· Taylor Kitsch e Nicholas Hoult foram sondados para viver Kyle Reese.

· O orçamento da produção é estimado em US$ 170 milhões.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Programa estimula investimentos em projetos culturais de jovens da periferia do Rio de Janeiro





Jovens de comunidades do Rio de Janeiro estão se apresentando desde ontem (27), até quinta-feira, projetos de empreendedorismo na área cultural como parte do Programa Favela Criativa, em feira que aproxima jovens de investidores interessados nos projetos apresentados


Também serão oferecidas palestras sobre economia criativa e formação artística. No último dia do evento, a banca formada pela secretaria e pelos patrocinadores anunciarão os projetos que receberão ajuda de custo. Esses trabalhos obedecem ao critério de serem feitos ou por jovens das periferias ou para eles. 
Entre os 60 inscritos, 40 serão premiados com R$ 50 mil reais cada.O evento contará com uma série de atividades que poderão garantir patrocínios, como o piching, termo dado a apresentação de projetos para uma plateia de investidores; rodadas de negócios, conversas com consultores, curadores de festivais e programadores de espaços culturais; consultorias e oficinas em gestão cultural.

O programa é resultado da parceria entre o poder público e a iniciativa privada e conta com recursos de 14 milhões repassados pela secretaria, empresas privadas, Programa de Eficiência Energética da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O Favela Criativa teve início em 2014 e tem vigência prevista de dois anos. Gerente de Cultura Urbana da secretaria de estado e um dos idealizadores do programa, Tiago Gomes acredita na possibilidade de a iniciativa se tornar política pública. “Se tiver repercussão, creio que o programa pode se tornar algo permanente. Espero que as gestões futuras da secretaria e do governo entendam que a grande vanguarda da cultura do Rio de Janeiro vem das favelas e isso precisa ser fomentado pelo estado”, disse.

Tiago Gomes destacou que o programa já trouxe impactos no cenário cultural das comunidades, apesar de ter sido criado em junho de 2014. “Temos mais de 4,5 mil jovens atendidos, 3 mil somente no Complexo de Manguinhos, na zona norte. Eles têm acesso a filmes com preços populares, além de oficinas de teatro, música, cinema e redação”.

Ele disse que o programa tem mostrado que a periferia é “um espaço de criatividade” e de invenção da cidade. O gerente da Secretaria de Cultura acrescentou que o Favela Criativa tem contribuído para mudar a imagem das comunidades do Rio, geralmente vinculadas a violência, ao tráfico de drogas e à miséria.

O produtor cultural de Rio Bonito, Zeca Novais, concorre aos prêmios com o projeto Lona na Lua. “Há cinco anos fazemos oficinas artísticas e acompanhamento pedagógico com cerca de 200 jovens em Rio Bonito. Pretendemos ampliar para regiões vizinhas se vencermos o concurso. Esse é o único equipamento cultural do município, lá não tem teatro ou cinema, então nosso trabalho é muito importante para democratização do acesso à cultura para a população de lá”, relatou.

O cantor Samuel Roco também concorre aos prêmios oferecidos pelo programa. Ele concorre com um CD com canções que misturam diversos ritmos brasileiros agregados ao funk. “Trazemos uma proposta musical inovadora. Sabemos o quanto é difícil captar recursos com o funk, ainda existe muito preconceito. Queremos mostrar que é possível gerar um produto de qualidade, comercial e que contagia por meio desse estilo musical”.

Fonte: EBC

Mesmo enfrentando o preconceito interno, muitos filmes brasileiros já foram premiados no exterior





O cinema nacional é riquíssimo e, ao contrário do que muitos pensam, ele vai muito além das comédias lançadas por uma certa rede de TV que em nada colabora para o crescimento da filmografia brasileira, mas que cobrem boa parte da bilheteria arrecadada anualmente
Mas não é de hoje que o nosso cinema é bem visto aos olhos de grandes festivais e premiações. Nós já tivemos diversos trabalhos, ao longo da nossa história, que foram aclamados e premiados internacionalmente.

Destaque de Pernambuco
A verdade é que o bom cinema nacional fica restrito às salas alternativas e não chega ao grande público. Muitas vezes, o próprio povo brasileiro não tem acesso a seus grandes filmes, e as obras, acabam ganhando repercussão internacional e fazendo mais sucesso lá fora. O atual cinema pernambucano é uma prova disso. 

Grandes filmes estão sendo feitos por lá nos últimos anos, filmes de qualidade com forte teor político e social, alguns inclusive ganhando repercussão internacional como é o caso de O Som ao Redor, mas que aqui em seu país de origem, fez uma bilheteria na casa dos 60 mil espectadores.

Na lista a seguir, relacionamento alguns desses filmes, que mostram a força da indústria cinematografia nacional, com premiação nos grandes centros do planeta.


CIDADE DE DEUS (2003), direção: Fernando Meirelles
Foi indicado a 4 Oscars (Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição e Melhor Fotografia), além de uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira e outras duas indicações ao BAFTA, o Oscar britânico. Ao todo, venceu mais de 50 prêmios em todo o mundo, e é o 21º filme mais bem avaliado do IMDb, na frente de clássicos como Casablanca e Tempos Modernos. Foi considerado pelo aclamado jornal britânico The Guardian, o 6º melhor filme de ação da história, dividindo a lista com “Apocalypse Now” de Francis Ford Coppola e “Intriga Internacional” de Alfred Hitchcock. Em 2009, pela revista britânica Empire, ficou em 7º lugar na lista dos 100 melhores filmes do cinema mundial.


PIXOTE: A LEI DO MAIS FRACO (1981), direção: Héctor Babenco

Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, o filme venceu outras diversas premiações estrangeiras. Um marco para o nosso cinema, a história do jovem infrator sem perspectivas, que tenta sobreviver numa sociedade cruel e hostil, chamou a atenção da crítica internacional no início dos anos 80. Roger Ebert (falecido ano passado), considerado um dos maiores críticos de cinema da história, considerou na época o longa um clássico instantâneo e deu nota máxima. No Rotten Tomatoes, Pixote possui uma aceitação da crítica de 100% e de público, 94%.

O PAGADOR DE PROMESSAS (1962), direção: Anselmo Duarte

O único filme brasileiro até então vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, O Pagador de Promessas é um clássico do nosso cinema, que ainda se mantêm muito atual ao fazer críticas políticas e religiosas. Além disso, foi indicado ao Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, porém perdeu para o francês “Sempre aos Domingos”.

CINEMA, ASPIRINAS E URUBUS (2005), direção: Marcelo Gomes

O longa de estreia do pernambucano Marcelo Gomes foi muito bem recebido pela crítica internacional. De cara, fez sucesso no Festival de Cannes em 2005 e faturou o Prêmio do Sistema Educacional Francês. Para se ter uma ideia, no ano seguinte, o vencedor dessa categoria foi “Maria Antonieta” de Sofia Coppola. Tem uma avaliação muito positiva no Rotten Tomatoes de 86% e no Metacritic nota 8.5 de 10.

O QUATRILHO (1995), direção: Fábio Barreto
O Brasil passou por um período difícil no cinema, que perdurou por décadas, principalmente pela falta de incentivo do governo. Mas no início dos anos noventa, por volta de 1994, houve a chamada “retomada” do cinema nacional, e um dos “filmes-símbolo” desse movimento, foi O Quatrilho, indicado ao Oscar em 1996, mais de 30 anos depois do primeiro filme a conseguir tal feito (O Pagador de Promessas). O Quatrilho não venceu, mas abriu precedentes. Além disso, no Festival de Havana venceu nas categorias de Melhor Atriz (Glória Pires), Melhor Direção de Arte e Melhor Música.

CENTRAL DO BRASIL (1998), direção: Walter Salles

Um dos maiores sucessos do nosso cinema, Central foi indicado a dois Oscars (Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz), perdeu para o italiano A Vida é Bela e Fernanda Montenegro para a atriz Gwyneth Paltrow. Mas o filme fez bonito em diversas outras importantes premiações, como o Globo de Ouro e o BAFTA, onde venceu como Melhor Filme Estrangeiro. No Festival de Berlim, venceu o Urso de Ouro de melhor filme e o Urso de Prata de melhor atriz, além de abocanhar o Prêmio Especial do Júri. No César Awards, a mais importante premiação do cinema francês, também ganhou uma indicação de Melhor Filme Estrangeiro. Ao todo, foram mais de 30 prêmios internacionais para um retrato simples e honesto do povo brasileiro.

EU SEI QUE VOU TE AMAR (1986), direção: Arnaldo Jabor

Fernanda Montenegro não deu sorte no Oscar de 1999, e perdeu o prêmio de melhor atriz. Mas o que poucos sabem que é sua filha, a também grande atriz Fernanda Torres, foi eleita a melhor atriz do Festival de Cannes em 1986. Ela tinha apenas 20 anos na época, e já despontava com um prêmio desse porte. Além disso, o longa foi indicado à Palma de Ouro. Algo parecido só viria a acontecer mais de 20 anos depois, em 2008, quando a atriz Sandra Corveloni venceu o prêmio de melhor atriz por sua atuação no filme Linha de Passe de Walter Salles.

CABRA MARCADO PARA MORRER (1985), direção: Eduardo Coutinho

O aclamado cineasta brasileiro, falecido recentemente, realizou ao longo de mais de quatro décadas de carreira diversos documentários aclamados. Talvez seu maior destaque seja Cabra Marcado Para Morrer, que se trata de uma narrativa semidocumental da vida de um líder camponês da Paraíba, assassinado em 1962. Em razão do golpe militar, as filmagens foram interrompidas em 1964. A equipe foi cercado por forças policiais e parte dela, presa sob a alegação de “comunismo”. O trabalho foi retomado 20 anos depois com a mesma equipe e rendeu à Coutinho dois prêmios no Festival de Berlim.

TROPA DE ELITE (2007), direção: José Padilha

O polêmico filme que sofreu com a pirataria antes mesmo do lançamento na época, dividiu opinião no Festival de Berlim, mas garantiu o Urso de Ouro, o prêmio mais importante.

O QUE É ISSO COMPANHEIRO? (1997), direção: Bruno Barreto

Baseado em fatos reais, o filme que conta com o vencedor do Oscar Alan Parkin (Pequena Miss Sunshine) no elenco, foi indicado na categoria Melhor Filme Estrangeiro do Oscar em 1998. Além disso, venceu o prêmio de melhor filme pelo público no American Film Institute e foi indicado ao Urso de Ouro no Festival de Berlim.

BÔNUS: Glauber Rocha, diretor.
Glauber Rocha é um dos diretores mais importantes na história do nosso cinema. Fez parte do movimento chamado de “Cinema Novo”, no início dos anos 60, uma espécie de Nouvelle Vague brazuca. Seus filmes mais aclamados são Deus e o Diabo na Terra do Sol, Terra em Transe e O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro. Por “Deus e o Diabo”, foi indicado à Palma de Ouro em Cannes. Já Por Terra em Transe, além de ser indicado à Palma, venceu o FIPRESCI, prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema. Já com “Dragão da Maldade”, além de indicado à Palma de Ouro em Cannes, venceu na categoria Melhor Diretor . Seus filmes servem até hoje como inspiração e referência para cineastas brasileiros e estrangeiros, como Martin Scorsese, que já se declarou fã de Glauber.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

No ano em que comemora os 20 anos de fundação, a DreamWorks enfrenta a maior crise da sua história





Crise bate às portas da indústria do entretenimento levando os estúdios DreamWorks a promover downsize, demitir centenas de funcionários e reduzir lançamentos previstos para 2015


As coisas não estão fáceis para ninguém e a crise chegou aos estúdios DreamWorks Animation, que acumula perdas de cerca de US$ 150 milhões com três filmes - A Origem dos Guardiões, Turbo e As Aventuras de Peabody & Sherman - colocaram o estúdio em grave crise. Quinhentos funcionários foram demitidos e, pondo em prática o downsize, vários cargos de chefia foram reordenados. A ideia de lançar três filmes por ano foi abortada e apenas seis produções chegarão aos cinemas entre 2016 e 2018:

Kung Fu Panda 3 - março de 2016

Trolls - novembro de 2016

Boss Baby - janeiro de 2017

Os Croods 2 - dezembro de 2017

Larrikins - fevereiro de 2018

Como Treinar o Seu Dragão 3 - junho de 2018

B.O.O.: Bureau of Otherworldly Operations e Bollywood Superstar Monkey, previstos para 2015 e 2017 respectivamente, agora estão com status "em desenvolvimento". Capitão Cueca continua em 2017, mas foi "terceirizado" e será produzido fora do estúdio. Nada foi comentado sobre Madagascar 4 e Gato de Botas 2. Em 2015 o único lançamento será Cada Um Na Sua Casa, que estreia em 26 de março.

Segundo o diretor da companhia, Jeffrey Katzenberg, fazer três filmes anualmente era muito "ambicioso". "Precisamos de dois sucessos por ano. De volta ao básico."

O novo teto dos orçamentos é de US$ 120 mi. "A prioridade número um da DreamWorks Animation é produzir sucessos consistentes em termos artísticos e financeiros. Estou confiante que o novo plano estratégico gerará grandes filmes, resultados melhores nas bilheterias e rentabilidade crescente em nossos negócios", disse ainda o executivo.

Mais recente lançamento da Dreamworks Animation, Os Pinguins de Madagascar custou US$ 132 milhões e não se pagou com a bilheteria dos EUA. A salvação está sendo o mercado internacional. A animação vem fazendo sucesso e segue em cartaz.

Auschwitz: 70 anos do campo de concentração que simboliza a maior barbárie da raça humana





Hoje, 27 de janeiro, o mundo relembra o fim do campo de concentração de Auschwitz, a página mais horripilante da história da humanidade. Muito mais que exterminar seres humanos, os atos que lá foram cometidos faz-nos pensar se aqueles eram, de fato, animais racionais. Não bastava degradar apenas, tinha que agredir física e moralmente, estuprar, dilacerar seres humanos que, após assassinados, nada se perdia. Os cabelos serviam como enchimento de travesseiros e até criou-se um tear que fabricava roupas a partir desse material.

Retiravam-se ainda, ouro das dentaduras dos cadáveres, chegando-se a acumular até 10 quilos em um único dia, tamanha era a escala de extermínio nas câmaras de gás. Para finalizar o traço macabro das mortes, a gordura dos cadáveres, - do pouco que restava daqueles corpos esquálidos, - era transformada em sabonetes que eram oferecidos aos próprios prisioneiros, por ocasião dos banhos coletivos terrivelmente gelados. Em suma, tudo era reaproveitado dos milhões de presos, já que roupas, óculos, sapatos e todos os demais pertences eram confiscados tão logo eles desciam dos trens em Auschwitz.

Para marcar essa página nefasta da história, o Artecultural, disponibiliza abaixo, um breve histórico das atrocidades cometidas pelas forças do III Reich, comandadas pelo Führer Adolf Hitler, para que a humanidade não se esqueça dessa passagem que vai de encontro a qualquer forma de sanidade.

Euriques Carneiro


Há exatos 70 anos, em 27 de janeiro de 1945, as forças aliadas libertaram Auschwitz, o maior e mais terrível campo de extermínio dos nazistas. Em suas câmaras de gás e crematórios foram mortas pelo menos um milhão de pessoas

Auschwitz foi o maior e mais terrível campo de extermínio do regime de Hitler. Em suas câmaras de gás e crematórios foram mortas pelo menos um milhão de pessoas. No auge do Holocausto, em 1944, eram assassinadas seis mil pessoas por dia. Auschwitz tornou-se sinônimo do genocídio de judeus, sintos e roma e tantos outros grupos perseguidos pelos nazistas.

As tropas soviéticas chegaram a Auschwitz, hoje Polônia, na tarde de 27 de janeiro de 1945, um sábado. A forte resistência dos soldados alemães causou um saldo de 231 mortos entre os soviéticos. Oito mil prisioneiros foram libertados, a maioria em situação deplorável devido ao martírio que enfrentaram.

"Na chegada ao campo de concentração, um médico e um comandante questionavam a idade e o estado de saúde dos prisioneiros que chegavam", contou Anita Lasker, uma das sobreviventes. Depois disso, as pessoas eram encaminhadas para a esquerda ou para a direita, ou seja, para os aposentos ou direto para o crematório. Quem alegasse qualquer problema estava, na realidade, assinando sua sentença de morte.

Câmaras de gás e crematórios


Auschwitz-Birkenau foi criado em 1940, a cerca de 60 quilômetros da cidade polonesa de Cracóvia, região que concebeu Karol Wojtyla, o Papa João Paulo II. Formatado inicialmente como centro para prisioneiros políticos, o complexo foi ampliado em 1941. Um ano mais tarde, a SS (Schutzstaffel) instituiu as câmaras de gás com o altamente tóxico Zyklon B. Usada em princípio para combater ratos e desinfetar navios, quando em contato com o ar a substância desenvolve gases que matam em questão de minutos. Os corpos eram incinerados em enormes crematórios.

Um dos médicos que decidia quem iria para a câmara de gás era Josef Mengele. Segundo Lasker, ele se ocupava com pesquisas: "Levavam mulheres para o Bloco 10 em Auschwitz. Lá, elas eram esterilizadas, isto é, se faziam com elas experiências como se costuma fazer com porquinhos da Índia. Além disso, faziam experiências com gêmeos: quase lhes arrancavam a língua, abriam o nariz, coisas deste tipo..."

Trabalhar até cair


Os que sobrevivessem eram obrigados a trabalhos forçados. O conglomerado IG Farben, por exemplo, abriu um centro de produção em Auschwitz-Monowitz. Em sua volta, instalaram-se outras firmas, como a Krupp. Ali, expectativa de vida dos trabalhadores era de três meses, explica a sobrevivente.

"A cada semana era feita uma triagem", relata a sobrevivente Charlotte Grunow. "As pessoas tinham de ficar paradas durante várias horas diante de seus blocos. Aí chegava Mengele, o médico da SS. Com um simples gesto, ele determinava o fim de uma vida com que não simpatizasse."

Marcha da morte


Para apagar os vestígios do Holocausto antes da chegada do Exército Vermelho, a SS implodiu as câmaras de gás em 1944 e evacuou a maioria dos prisioneiros. Charlotte Grunow e Anita Lasker foram levadas para o campo de concentração de Bergen-Belsen, onde os britânicos as libertaram em abril de 1945. Outros 65 mil que haviam ficado em Auschwitz já podiam ouvir os tiros dos soldados soviéticos quando, a 18 de janeiro, receberam da SS a ordem para a retirada.

"Fomos literalmente escorraçados", lembra Pavel Kohn, de Praga. "Sob os olhos da SS e dos soldados alemães, tivemos de deixar o campo de concentração para marchar dia e noite numa direção desconhecida. Quem não estivesse em condições de continuar caminhando, era executado a tiros", conta. Milhares de corpos ficaram ao longo da rota da morte. Para eles, a libertação chegou muito tarde.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Na contra mão: grande sucessos do cinema internacional ganham versão em livros




Filmes de sucesso inspirados em livros já são rotina no mercado cinematográfico, mas o mercado editorial inverte o fluxo e leva para a literatura histórias já consagradas nas telonas, algo impensável há algumas décadas atrás


Com o sucesso da parceria entre mídias, o caminho inverso também passou a ser trilhado para estimular o imenso público espectador a se tornar leitor. Um dos casos emblemáticos é a saga de seis filmes Guerra nas estrelas, exibida entre 1977 e 2005, com bilheteria total de mais de US$ 4 bilhões. 

No ano passado, a editora Aleph apostou na tradução do livro Star Wars - Herdeiro do império e vendeu, segundo o portal Publishnews, mais de 6 mil exemplares. Outros lançamentos já haviam trilhado o mesmo caminho, ao pegar carona na divulgação dos filmes, mas tiveram menor visibilidade. 

Foi o caso de As aventuras de Tintim: O romance (2012), Branca de Neve e o caçador (2011), O discurso do rei (2011), A garota da capa vermelha (2011), Garota infernal (2009).Mais de uma dezena de filmes indicados ao Oscar 2015 são adaptados ou inspirados em livros – A teoria de tudo, Sniper americano, Garota exemplar, Vício inerente, Jogo da imitação, O Hobbit, Invencível, Livre, Os Boxtrolls, Grande hotel Budapeste. 

A relação entre cinema e literatura, contudo, não é nada recente. Na primeira cerimônia organizada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, em 1929, foram premiados três longas-metragens com roteiro criado a partir de obras literárias: Lágrimas de homem, Sedução do pecado e A vida privada de Helena de Tróia. Quase três décadas antes, em 1901, o filme Os fantasmas de Scrooge já propunha uma releitura dos escritos de Charles Dickens.

Nicho cinematográfico capaz de render bilheterias astronômicas, as franquias de super-heróis já foram alvo de tentativas por parte do mercado editorial, mas não se mostraram tão promissoras quando contadas em verso e prosa. Na década de 1990, a editora Abril traduziu volumes de contos do Batman e do Super-Homem, além de um romance protagonizado por Clark Kent. 

Em 2006, foi a vez da Panini lançar livros do Homem-Aranha, Wolverine e X-men. Não vingou. Com a popularização recente da cultura nerd (ou geek?) e as cifras cada vez maiores alcançadas pelas adaptações de quadrinhos para o cinema, mais uma leva de obras do gênero começa a chegar às livrarias.

Fruto de negociação com a norte-americana Marvel Comics, a editora Novo Século publicou recentemente os títulos Guerra civil (com Homem de Ferro e Capitão América) e Homem-Aranha – Entre trovões. Com forte estratégia de divulgação, programada para coincidir com os próximos filmes das franquias, a casa editorial tem um calendário com mais outros 13 romances de heróis. Vem por aí X-Men – Espelho negro (março), Homem de Ferro – Vírus (abril), Vingadores – Todos querem dominar o mundo (maio), Homem-formiga (junho), Guerras secretas (julho), Wolverine – Arma X (agosto) e Capitão América – A morte do Capitão América (setembro), Novos vingadores – Fuga (outubro) e Homem-Aranha – A última caçada de Kraven (novembro).

"No mercado norte-americano tem feito muito sucesso as histórias romanceadas dos heróis. Queremos dar continuidade à saga até 2017, e alcançar tanto os fãs de quadrinhos quanto aqueles menos interessados em HQs, mas frequentadores de cinema e leitores de romances”, justifica a editora de título estrangeiros da Novo Século, Renata de Mello. 

Para ela, quem está ligado ao universo geek encontra similaridade com as narrativas originais dos gibis, pois são produtos complementares, escritos e editados por profissionais com atuação no meio. “É a oportunidade se aprofundar em informações não encontradas nos filmes (com limitação de tempo) ou nas HQs (com caracteres reduzidos). No livro, a palavra corre solta”.

Referência: Correio Braziliense

Projeto do Sesi oferece oportunidade a novos dramaturgos de terem seus textos encenados





Quem milita na área da arte e da cultura no Brasil sabe as dificuldades que enfrentam para tocar os projetos. A maioria dos empresários têm urticária quando se fala em patrocinar a cultura, pois eles enxergam essa ação como gasto e não como investimento. Apenas uma pequena parcela consegue vislumbrar que, vincular a imagem da sua empresa a uma marca que ligada às artes e a cultura, traz mais retorno de imagem que fazê-lo a um programa televisivo, por exemplo, que atenta contra a moral e os preceitos de família
 
Dentre as entidades que dedicam parte dos seus recursos à promoção da cultura, destaca-se o Sesi que, com uma série de leituras que começa nesta segunda-feira (26) no Teatro Sesi, no Rio, colhe os frutos do projeto Núcleo de Dramaturgia Sesi, iniciado no ano passado.

Em três noites de leituras dramatizadas, sete novos dramaturgos brasileiros, ainda desconhecidos do público, terão a oportunidade de ver seus textos interpretados por atores veteranos. A série de leituras, que começa nesta segunda-feira (26) no Teatro Sesi, no Rio, é o resultado do projeto Núcleo de Dramaturgia Sesi, iniciativa surgida nos primeiros meses de 2014 com o objetivo de formar novos autores para o teatro brasileiro.

Todos na faixa etária dos 30 anos, os autores Herton Gustavo, Leandro Bacellar, Leandro Bellini, Nívea Oliveira, Rafael Cal, Tita Elmor e Thales Paradella são os finalistas de um processo que teve início no primeiro semestre, a partir de uma seleção de 20 alunos que enviaram textos para serem trabalhados pelo Núcleo de Dramaturgia. No segundo semestre, ocorreu uma nova seleção, reduzindo para sete o número de alunos cujos textos inéditos começaram a ser preparados para o ciclo de leituras dramatizadas.

“O projeto funciona como uma vitrine para esses novos dramaturgos, com suas obras lidas por atores consagrados. Após as leituras, um texto será escolhido para ser montado, sob a direção de Inez Vianna, e mais três serão publicados por uma editora específica do ramo”, explica o ator e diretor Pedro Nercessian, que dirige o ciclo. Entre os atores convidados para as leituras estão nomes como Roberto Bomtempo, Miriam Freeland, Rosane Gofman, Paulo Giardini, Armando Babaioff e Alessandra Colassanti.

Nesta segunda-feira, a partir das 19h, será feita a leitura das peças Romantic, de Leandro Bacellar, e Os atrasados, de Leandro Bellini. A primeira é a história de um homem que volta para casa, após dez anos na cadeia por ter assassinado o tio, e a segunda é uma comédia que discute o completo descaso na prestação de serviço nos dias atuais.

Uma semana depois, no dia 2 de fevereiro, também às 19h, será a vez da leitura dos textos Entre, de Rita Elmor, e Amores Flácidos, de Herton Gustavo. O primeiro discute a questão da velhice, ao enfocar o drama de um pai com demência, cujas filhas precisam decidir se vão interná-lo em uma casa de repouso. O segundo é uma história surpreendente que tem como fio condutor o amor entre um homem magro e uma sereia gorda.

No último dia do ciclo, 9 de fevereiro, serão lidas as peças Amores Precários, de Thales Paradela, Vende-se uma geladeira azul, de Rafael Cal, e Na estrada, de Nívea Oliveira. A primeira narra o encontro entre um pai e uma filha que nunca conviveram e têm apenas o tempo de um jantar para resgatar suas histórias.

A segunda é a história de três irmãos que recebem de herança da avó uma geladeira usada, e a terceira é uma comédia sobre os limites pessoais – um grupo de pessoas tenta chegar a um determinado lugar e não consegue.

O ciclo de leituras é aberto ao público e com entrada gratuita. O Teatro Sesi fica na Avenida Graça Aranha, 1, no centro do Rio.

Pioneiro no Rio de Janeiro pelo formato continuado, de um ano de trabalho, o projeto vai iniciar uma nova fase de seleção ainda no primeiro semestre de 2015.

Referência: EBC

domingo, 25 de janeiro de 2015

Umberto Eco acaba de lançar “Número Zero”, seu novo livro que aborda os escândalos de corrupção na Itália no início dos anos 90



O famoso escritor e ensaísta italiano Umberto Eco apresentou nesta semana na Itália seu novo romance, "Número Zero", tido por muitos como uma espécie de manual do mau jornalismo ambientado na redação de um diário imaginário
O novo trabalho do influente intelectual italiano, autor do famoso romance "O Nome da Rosa" e de importantes tratados de semiótica, é uma história de ficção ambientada em 1992, um ano particularmente difícil para a Itália da época, marcado pelos escândalos de corrupção e pela investigação "Mani Pulite" (Mãos limpas), que arrasou boa parte da classe política da época.

O livro se concentra, sobretudo, nos mistérios não resolvidos que sacudiram nestes anos a Itália, entre eles o protagonizado pela loja maçônica Propaganda 2 do temido Licio Gelli, que queria dar um "golpe branco". Um outro escândalo é o que teve como protagonista a loja maçônica Propaganda 2 do temido Lucio Gelli, destacando-se ainda o suposto assassinato do papa João Paulo I, que faleceu com apenas 33 dias de papado.

Umberto Eco

Nascido no dia 5 de janeiro de 1932, na cidade de Alexandria, Piemonte,Itália, além de escritor, filósofo, semiólogo e lingüista, destacou-se também como bibliófilo de fama internacional. Foi titular da cadeira de semiótica e diretor da escola superior de ciências humanas da Universidade de Bolonha. Ensinou temporariamente na Universidade de Yale, na Universidade de Columbia, na Universidade de Harvard, as três nos Estados Unidos.

Embora tenha começado a carreira como filósofo e analista da obra de Santo Tomás de Aquino, celebrizou-se como romancista, principalmente por causa do clássico “O Nome da Rosa”, adaptado para o cinema em 1986. O livro foi lançado no Brasil pela Editora Record em 1989.

Gregório de Matos, um dos maiores autores barrocos do Brasil, ficou conhecido pelas suas sátiras e poesias líricas


Falar do poeta Gregório de Matos sem falar do seu lado polêmico e satírico é contar apenas parte da sua vida e Ana Miranda explora bem essas nuances em “Musa Praguejadora”, biografia do poeta baiano que é considerado um menestrel do barroco brasileiro

São 560 páginas nas quais a autora traça uma panorâmica da vida do poeta e da cidade de Salvador no século 17. O trabalho é o resultado de uma pesquisa rigorosa e cheia de minúcias sobre o momento histórico e a própria vida do personagem, onde ela buscou informações em escritos antigos, bem como com pessoas que têm conhecimento da vida de Gregório. 

Nada fica de lado no trabalho de Ana Miranda, nem mesmo a luta interna de Gregório de Matos, dividido entre a vontade de viver as ruas e a culpa cristã introspectada nos anos de vivência e prática do catolicismo.

Histórico

Gregório de Matos na cidade de Salvador, Bahia. Filho de uma família rica, Gregório teve a sua formação acadêmica em Lisboa, na Universidade de Coimbra, onde estudou Direito. Em Portugal, atuou como advogado em Alcácer do Sal, no Alantejo.

Voltou para o Brasil em 1679 com a função de Desembargador da Relação Eclesiástica da Bahia. Em 1682, é nomeado por D. Pedro II como tesoureiro-mor da Sé. Entretanto, depois que o seu cargo aumentou, havia a necessidade de que Gregório vestisse a batina e vivesse uma vida "correta". O autor recusou aceitar imposições de ordens maiores e, por acharem que ele não estava apto para as funções que o tinham incumbido, foi destituído do cargo. A partir daí, o português iniciou a escrever os poemas difamatórios e polêmicos pelos quais ele ficaria conhecido.

Em suas obras, Gregório satiriza os costumes e a sociedade baiana, a qual ele apelida de "canalha infernal". Ninguém escapava de suas duras palavras – políticos, advogados, eclesiásticos, etc. Todos eram alvos das críticas e ironias do autor. Por conta disso, Gregório de Matos ficou conhecido como "boca do inferno".

O português escreveu poesia lírica, satírica e religiosa, sendo as suas sátiras as mais famosas. Os temas abordados em seus poemas eram coloquiais e a linguagem utilizada era a mesma do cotidiano. Por isso, suas obras são um ótimo material para analisar como era a sociedade baiana no fim do século XVII.
A característica mais comum em todas as suas criações é o teor erótico e grande uso de palavras de baixo calão. Entretanto, cada um dos seus estilos possui particularidades. A poesia lírico-religiosa mostra o quanto Gregório estava dividido entre o pecado e a religião e como ele busca por salvação. Quando ele percebe que está tomando atitudes erradas, age como se fosse o seu próprio advogado de defesa perante Deus. Esse estilo foi mais reproduzido no fim da sua vida, quando Gregório já começava a se arrepender da vida boêmia que havia levado.
Já a poesia lírico-amorosa retoma fortemente o teor erótico, mas possui uma profundidade a mais. O autor retrata o amor como fonte de prazer e sofrimento - essa dualidade é vista em quase todos os seus textos românticos e é um aspecto marcante de sua inspiração barroca. Além disso, a mulher é descrita por dois pontos de vista: como algo inacessível e espiritualizado, e também como a fonte de desejo carnal.

O outro estilo presente em algumas de suas obras é o lírico-filosófico. Nelas, Gregório de Matos mostra-se pessimista, angustiado perante a vida e aborda temas como o desconcerto do mundo. Ele discorre sobre a existência, as injustiças da vida e o que nos espera após a morte.

Mesmo sendo um autor tão complexo, as sátiras foram o motivo para a sua consagração e queda como autor. Ao mesmo tempo em que o português fez a sua fama por meio das sátiras, as autoridades ficaram descontentes com as suas críticas e ironias e começaram a persegui-lo. Depois de escrever um texto que difamava o governador da Bahia, Antônio Luis da Câmara Coutinho, foi preso e exilado em Angola, na África. Obteve autorização para voltar para o Brasil em 1696, porém, adquiriu uma doença durante a viagem e morreu no mesmo ano, em Recife.
Gregório de Matos não publicou nenhuma das suas obras enquanto estava vivo. Após 230 anos, a Academia Brasileira de Letras fez uma compilação de suas poesias conhecidas e as publicou com o título “Obras de Gregório de Matos", composta de 6 volumes.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Apenas para os que curtem a folia: Onde passar o carnaval? Rio de Janeiro, Recife ou Salvador?





Durante o carnaval, difícil mesmo é encontrar lugares onde a música e os foliões não tenham tomado conta. Atraindo turistas de todos os cantos do mundo, inúmeras cidades brasileiras se transformam em um imenso salão de festa a céu aberto, com hora marcada, mas sem previsão para acabar. Claro que nesse sem fim de possibilidades, alguns destinos se destacam. É o caso do carnaval no Rio de Janeiro, Recife e Salvador
Rio de Janeiro
As três belíssimas cidades contam com agenda bem variada, conseguindo a façanha de agradar diferentes perfis de visitante, principalmente os mais festeiros. Mesmo assim, na hora de escolher o melhor lugar para curtir os dias de folia, a dúvida é inevitável: onde passar o carnaval? Para tentar ajudar os indecisos, destacamos abaixo as principais características da festa momesca em dada uma das capitais: do samba, do frevo e do axé. Depois de conferir as dicas, é só se preparar para cair na estrada e ter uma boa viagem!

Na lista dos maiores carnavais do mundo, o Rio de Janeiro é mestre em proporcionar os melhores momentos de folia. Isso porque a comemoração já faz parte da tradição da cidade, que foi a segunda capital do Brasil. Ainda no século 18, os cariocas saíam às ruas para celebrar a data e, conforme o tempo foi passando, novos costumes foram incorporados

Passando pela polca e marchinhas, chegamos ao samba e aos enredos cantados pelas escolas de samba, responsáveis pelos desfiles que podem ser considerados os mais bonitos do mundo. Hoje, diferentes eventos fazem parte dos dias de folia, sendo possível encontrar vários tipos de festa.

Os famosos blocos de rua, para começar, são indicados para quem gosta de pular, dançar e se divertir entre a multidão. Se reunindo em bairros como Zona Sul, Centro e Santa Tereza, cada bloco tem suas características próprias, atraindo um tipo de público. Os que tomam conta de bairros como Leblon, Ipanema e Copacabana (Zona Sul) têm nas praias a maior vantagem. Assim, no final da festa, é possível se refrescar em algumas das praias mais belas da Cidade Maravilhosa.

Quem quer algo mais tradicional e familiar, os blocos do Centro são a escolha perfeita, além da vantagem da boa localização, já que a região central recebe as principais linhas de ônibus e táxi do Rio de Janeiro. Em dias de carnaval, não compensa transitar com veículo próprio, já que muitas ruas da cidade ficam fechadas para garantir a segurança da folia.

Melhor alternativa para quem quer se divertir e ainda acompanhar os desfiles das escolas de samba, os sambódromos fascinam com o vai e vem de carros alegóricos e sambistas que sabem, como ninguém, animar a festa. Impossível não se contagiar com o clima que toma conta da imensa passarela e arquibancadas.

Se a ideia for curtir uma festa mais seleta, nada mais indicado que os famosos bailes de carnaval, que acontecem nos clubes e casas noturnas do Rio. Depois de garantir seu ingresso, o próximo passo é preparar fantasias e máscaras, para que a folia seja completa.

Recife


Mantendo as tradições seculares e com um toque mais cultural, o carnaval em duas cidades (Olinda fica a dez minutos da capital pernambucana), quem decide passar a data em Recife encontra ainda outras vantagens.

Lar do maior bloco carnavalesco do mundo, o famoso Galo da Madrugada, a programação da cidade inclui ainda diferentes shows, desfiles e festas de rua, garantindo animação para todos os dias de folia. Como se não bastassem todas essas particularidades, o carnaval recifense é conhecido como o mais democrático dos carnavais. Para participar, não é preciso pagar nada na maioria dos pontos de encontro, basta ter disposição e muita empolgação, para acompanhar o ritmo das multidões.

Saindo da capital e indo para Olinda, os foliões encontram outras manifestações artísticas, se maravilhando ainda mais com as tradições das duas cidades. Animados pelo frevo, turistas e moradores percorrem as ladeiras da cidade, com a honrosa companhia dos carismáticos e imensos bonecos de Olinda, que medem mais de dois metros de altura.

Complementando a festa, clubes, bares e casas noturnas organizam uma programação especial para cada dia, trazendo atrações regionalistas e nacionais, animando e divertindo o público, como ninguém. Se a ideia for curtir o carnaval de Recife, vale acessar os sites especializados para acompanhar a programação e consultar valores das festas fechadas.

Salvador


Famoso pelo seu Carnaval de participação, - o do Rio, por exemplo, é muito centrado nos desfiles das escolas de samba, - o destino que pode ser considerado ponto de encontro para os que querem dançar e pular sem parar, sem dúvidas é o carnaval de Salvador , que é animado pelos famosos trios elétricos. O palco é montado em cima de colossais carretas e guia a multidão pelas ruas da capital baiana, sem deixar ninguém parado.

Divididos em três circuitos, Batatinha (centro histórico), Osmar (Avenida) e Dodô (Barra-Ondina), os dias de folia contam ainda com manifestações artísticas e culturais, com destaque para as que têm o objetivo de representar e valorizar os costumes afros.

Os blocos afros trazem para o carnaval baiano o melhor da cultura negra que se enraizou no Brasil. O mais famoso é o Ilê Aiyê, que resgata nas roupas, danças e música as heranças que os africanos deixaram para o país, durante o período de colonização. No mesmo ritmo, o afoxé dá vida à dança-cortejo, fortemente ligada ao candomblé, e que até hoje preserva as crenças religiosas da cultura africana.

A cidade promove ainda muitos shows musicais, alcançando os mais variados públicos, graças à diversidade de gêneros musicais, que passa pelo samba, orquestras e pelo rock. Para saber mais sobre o carnaval de Salvador, é essencial cercar-se de informações e conferir dicas, programação, valores de abadás e muito mais.
Onde passar?

É só decidir o destino!

As três cidades apresentadas aqui hoje são mestres em promover o melhor carnaval do país. Por isso, agradam tanto as famílias que querem se divertir em animados blocos de rua durante o dia, quanto os que querem pular e dançar até o sol raiar. A dica é acessar os sites oficiais, conferir a programação e encontrar o melhor carnaval para você! Esperamos ter lhe ajudado a decidir-se sobre onde passar o Carnaval!


Professora paulista aproxima crianças de culturas diferentes através de uma leitura intercultural


Comunidade Borari, da vila balneária de Alter do Chão, em Santarém PA




A partir da exploração de temas como moradia, alimentação, transporte e brincadeiras, uma professora de Valinhos, no interior paulista, desenvolveu projeto para comparar o modo de vida dos alunos de uma escola da rede particular de ensino com os de uma escola indígena do Pará

“Queríamos promover uma leitura intercultural”, diz Josane Batalha Sobreira da Silva, professora polivalente no Colégio Visconde de Porto Seguro
Seu projeto, Aproximando Culturas por Meio da Tecnologia, confrontou semelhanças e diferenças entre estudantes do quarto ano do ensino fundamental do colégio paulista e da Escola Professor Antônio de Sousa Pedroso (Escola Borari), em uma comunidade indígena da vila Alter do Chão, distrito paraense, a 30 quilômetros de Santarém.

Alunos de seis turmas formularam perguntas relacionadas à escola, moradia, alimentação, meios de transporte, brincadeiras e festas típicas. “Ficamos três semanas trocando perguntas e respostas”, diz Josane.

As perguntas, elaboradas em sala de aula, eram postadas no portal educacional Faceduc, durante as atividades realizadas no laboratório de informática. Além de postar e responder perguntas enviadas pelos alunos da comunidade indígena, os estudantes paulistas tinham de refletir e escrever sobre o que acharam de mais interessante nos comentários postados a cada semana.

Além disso, os professores postaram vídeos e fotos de diferentes locais para permitir a comparação de pontos geográficos, modos de vida e cultura. Foi possível, assim, analisar a situação dos alunos de uma comunidade indígena nos dias atuais e perceber aquela comunidade como “um outro diferente, mas não inferior”, enfatiza a professora.

Os estudantes pesquisaram sobre a vila Alter do Chão para conhecer um pouco mais sobre o lugar, localizaram a comunidade indígena no mapa, conheceram o cotidiano das crianças e compararam a forma de vida dos indígenas de antigamente com a de hoje.

“Os alunos puderam perceber o cuidado que as crianças indígenas têm com a natureza, tirando dela apenas o que necessitam para seu sustento”, ressalta a professora. Os estudantes paulistas também aprenderam sobre o nheengatu, língua da família linguística do tupi-guarani, falada pela comunidade de Alter do Chão.

Livro

As reflexões sobre o que cada um aprendeu a respeito dos temas trabalhados foram registradas em um livro, criado no Faceduc. “Ao ler os relatos, percebemos que essa troca pode estabelecer correlações entre o conteúdo estudado em história e geografia e a realidade”, analisa a professora.

O trabalho foi finalizado com uma videoconferência. Por meio do skype, os alunos puderam se conhecer em tempo real, conversar e finalizar o trabalho. “Foi um momento mais que especial”, diz Josane.

Prêmio
A inclusão do projeto entre os finalistas da sétima edição do Prêmio Vivaleitura, na categoria 2, voltada para escolas públicas e particulares, deixou Josane emocionada.

“Sempre acreditei na tecnologia como algo que oferece ao aluno um espaço de interação e conhecimento, que possibilita uma diversidade de caminhos para a melhoria do ensino-aprendizagem”, ressalta. Ela pretende dar continuidade ao projeto este ano, com mudanças e ampliação. “Estamos trabalhando nas adaptações, desenhando as mudanças e acrescentando ideias.”

Professora há 18 anos, Josane é graduada em pedagogia e em psicopedagogia, com pós-graduação em relações interpessoais na escola e a construção da autonomia moral. Tem ainda especialização em ética, valores e saúde na escola.

Fonte: EBC

Exposição ‘Paulistanos Ilustrados’: um panorama bem humorado da vida paulistana, sob a ótica de Paulo Caruso





Em comemoração aos 461 anos de São Paulo, está aberta ao público a partir deste sábado (24), a exposição Paulistanos Ilustrados, do cartunista e caricaturista Paulo Caruso,contando com 200 ilustrações, caricaturas e gravuras, que revelam a história da cidade e dos personagens por trás das avenidas e monumentos famosos


Cartunista e caricaturista, Paulo Caruso já trabalhou em todos os grandes jornais e revistas do país. Mas foi na revista IstoÉ, na qual manteve por 20 anos a coluna Avenida Brasil – um retrato bem-humorado da política brasileira na última página da publicação –, que seu trabalho se tornou mais conhecido. Atualmente publica essa página na Revista de Domingo do Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro.

Autor de diversos livros de humor e histórias em quadrinhos, possui trabalhos no Museu da Sátira e Caricatura da Basiléia, na Suíça, tendo participado também de outras exposições do gênero na França, na Itália e nos EUA. Foi premiado em 1997 no Salão Carioca de Humor da Casa de Cultura Laura Alvim e no Salão Internacional do Desenho de Imprensa em Porto Alegre. Expôs no Masp, onde conquistou junto com seu irmão Chico Caruso o prêmio de melhor desenhista no ano de 1991, pela Associação Paulista de Críticos de Arte – APCA.

Em 1990, organizou para o Memorial da América Latina em São Paulo o 1º Encontro Brasil x Argentina de Humor, que contou com a participação dos mais influentes artistas do gênero entre os dois países. Em 2002 lançou a coletânea de charges publicadas pela Folha de S.Paulo sobre a corrida presidencial, intitulada Grande Prêmio Brasil – No Galope do Ibope. 

Em 2003 lançou pela Imprensa Oficial do Estado a cartilha ilustrada sobre o novo código civil brasileiro e o livro Piracicaba – 30 anos de Humor, contando a história do mais antigo e festejado salão de humor do país. Em 2003, lançou o livro de textos e desenhos sobre a cidade intitulado São Paulo por Paulo Caruso, ganhador do troféu HQ MIX desse ano.

Na área musical, lançou seu primeiro CD em 1998. “Pra seu Governo” teve a participação do Conjunto Nacional e contou com a presença de Chico Caruso, Luis Fernando Verissimo e Aroeira. Em 2001, Paulo lançou o segundo CD em parceria com o Conjunto Nacional, gravado ao vivo no Mistura Fina da Lagoa, uma sátira musical intitulada “E La Nave Va”, pela Som Livre.

Depois de publicar suas charges e caricaturas em O Pasquim 21, no qual teve oportunidade de experimentar as dimensões standard de um jornal a cores, atualmente trabalha para diversos veículos. No Jornal do Brasil,faz comentários bem-humorados sobre a política e a vida na cidade. Já na TV Cultura, participa do programa Roda Viva, no qual faz caricaturas ao vivo das personalidades e dos assuntos debatidos.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Porque apesar do crescimento do número de expectadores, o cinema nacional experimentou perda de renda





As salas de cinema do Brasil receberam, no ano passado, um total de 155,6 milhões de espectadores, número 4,1% superior ao registrado em 2013. O crescimento de renda foi ainda mais acentuado, de 11,6%, com a arrecadação totalizando R$ 1,96 bilhão


Segundo o documento, as salas de cinema do país receberam um total de 155,6 milhões de espectadores, 4,1% a mais do que em 2013. A renda teve um crescimento ainda maior: R$ 1,96 bilhão, número 11,6% maior do que no ano anterior. O parque exibidor também cresceu, com 205 novas salas de cinema, totalizando 2.830 salas no país todo.

A renda total dos filmes exibidos no Brasil e o número de ingressos vendidos cresceram em 2014, mas o cinema nacional não se beneficiou desse crescimento. É o que demonstra o relatório preliminar de acompanhamento do mercado divulgado pela Ancine (Agência Nacional do Cinema) nesta quarta-feira (21).

Este crescimento foi puxado especialmente pelas produções estrangeiras, já que os filmes brasileiros atraíram 19 milhões de espectadores em 2014, número inferior ao recorde de 27,8 milhões registrado em 2013. O número de lançamentos nacionais também caiu: de 129 em 2013 para 114 no ano passado. O cinema nacional representou 12,2% dos ingressos vendidos em 2014 ("market share"), fração também menor do que os 18,6% de 2013.

O desempenho do ano passado é um dos piores desde 2009: apenas em 2012 o market share dos filmes nacionais foi menor, 10,7%.

Entre os títulos brasileiros exibidos no ano, seis filmes ultrapassaram a marca de um milhão de espectadores ("Até que a Sorte nos Separe 2", "O Candidato Honesto", "Os Homens São de Marte... E É para Lá que Eu Vou", "S.O.S. Mulheres ao Mar", "Muita Calma nessa Hora 2", e "Vestido pra Casar") e 21 alcançaram mais de 100 mil ingressos. Em 2013, foram dez e 24 filmes, respectivamente.

O relatório da Ancine confirma levantamento feito pelo UOL no fim de 2014, que já previa este recuo do cinema nacional. Segundo especialistas consultados, a perda de espaço em 2014 se deve à falta de competitividade dos filmes brasileiros.

"Alguns defendem que se trata da safra, que teve menos filmes competitivos", comentou na ocasião o produtor André Carreira, que assina a produção de um dos campeões nacionais de bilheteria do ano ("O Candidato Honesto"). "Isso com certeza é um fator, mas acredito que ainda dependemos muito dos sucessos das nossas comédias e filmes biográficos. Conseguir competir em outros gêneros, como o suspense, o policial e o infanto-juvenil, pode ser a chave para uma maior participação. Mas é realmente um desafio, pois esses filmes normalmente possuem um valor mais alto de produção, demandam um volume maior de financiamento, sem a garantia de êxito", disse Carreira.

Distribuidoras

O fraco desempenho do cinema brasileiro afetou também as distribuidoras: enquanto a participação das internacionais na arrecadação cresceu 7,8%, chegando a R$ 1,43 bilhão (73,2% da renda total do ano com apenas 20,4% dos títulos lançados), a renda das nacionais caiu 12,7%, ficando em R$ 521,9 milhões ( 26,8% da renda do ano com 79,6% dos títulos lançados, contra 30,7% em 2013).

Quem saiu ganhando foi a Fox, que teve a maior participação do mercado em 2014, R$ 445,9 milhões ou 22,8%. Das dez maiores bilheterias do ano, incluindo o primeiro lugar para o fenômeno "A Culpa É das Estrelas".