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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

O curta-documentário Superquadras retrata a saga da construção de Brasília




O filme Superquadras (2014) deriva d O longa-metragem “Parece que existe” (2010), de Mário Salimon concebeu um filhote: o curta-documentário Superquadras e, para compor a narrativa, o diretor inseriu imagens de alguns lugares de Brasília. Durante a edição, as imagens da cidade trouxeram de volta o encantamento pelos desenhos dos conjuntos habitacionais que fazem do Plano Piloto um lugar único

Está pronta a montagem do documentário Superquadras, dirigido por Mário Salimon e Marcelo Feijó, projeto contemplado pelo FAC – fundo de Apoio à Cultura do DF. O filme esmiúça e discute o conceito de Superquadra, nos termos apresentados por Lúcio Costa, a partir do embate direto com a realidade de Brasília em 2014. Aponta e problematiza a incompletude do projeto sonhado para as Superquadras, ao demonstrar que o projeto ficou pela metade, sem a formação fundamental das Unidades de Vizinhança, e assim desenvolver a ideia de que preservar Brasília.

O projeto prevê ainda, envolver a preservação do que foi implantado e defender a conclusão do projeto íntegro do Plano Piloto de Brasília, até para que este projeto possa ser renovado e revigorado com novas intervenções e revitalizações, tais como um novo conceito de mobilidade urbana (mais pública e menos individual), bem como as reconfigurações dos espaços transformados pelo uso, tais como a avenida W3.

A única Unidade de Vizinhança integralmente construída na cidade, exatamente como no relatório de Brasília, está situada no complexo de quadras 107, 108, 307 e 308 da Asa Sul, e sendo assim, estas quadras serão objeto de documentação e análise no filme. Em contraposição, serão apresentadas as Superquadras incompletas até os dias de hoje, por motivos de especulação imobiliária, tais como as Superquadras 205 e 207 da Asa Norte. Destaque especial também será dedicado aos desvios nas características fundadoras do conceito de Superquadra, tais como a interdição da passagem de pedestres nos Pilotis de diversos blocos com grades e/ou cercas vivas e os “puxadinhos” abusivos nas áreas comerciais.

Algumas Superquadras serão mais detidamente enfocadas por suas particularidades históricas, dentre estas, por exemplo, a SQN 312, no passado conhecida como “Vietnam”, onde a utopia encontrou suas formas próprias, e a partir da qual se construiu grande parte da cultura de resistência na capital da República durante o regime militar.

O filme pretende ser também, e sobretudo, um grande “elogio” à ideia de Superquadra com imagens e sons típicos dos seus interiores, de suas formas de vida e convivência, encarnação da ideia de Cidade-Parque, com crianças brincando nos parquinhos, passeando de bicicleta e jogando futebol. Uma demonstração da força desta ideia que é também a marca de Brasília e sua contribuição para a humanidade tanto quanto os Palácios maravilhosos nascidos das linhas de Oscar Niemayer.

Brasília figura no imaginário popular como cidade planejada e moderna. Associa-se a um movimento de interiorização do Brasil e acolhimento de massa migratória capaz de homogeneização cultural e quebra de paradigmas históricos de segregação. Entretanto, o desenvolvimento urbano do distrito Federal se mostrou caótico, muito pouco planejado e segregatório.

As virtudes do arquétipo inicial de unidade de adensamento, a Superquadra, perderam-se no tempo, dando lugar à favelização, à verticalização e ao acastelamento da população, sobretudo, de classe média. São exemplos eloquentes dessa desvirtuação Águas Claras e os condomínios, em sua maioria irregulares, que pulularam no último quarto de século.

Contrastando-se a Superquadra com praticamente qualquer solução ulterior, vê-se que houve uma enorme decadência tanto estética como de qualidade de vida. O filme colocaria em discussão a tese de que a Superquadra seria o tipo ideal de organização para situações de grande adensamento urbano, explorando visões tanto concordantes como discordantes da afirmação.

O urbanismo de Brasília, e sobretudo a ideia de Superquadra, com Unidades de Vizinhança, favorecendo a uma vida de “cidade do interior” em uma grande cidade, com acesso fácil a todos benéficos da vida urbana, tais como farmácias, padarias, mercados, restaurantes etc, nas Entrequadras, é a grande marca de Brasília, que pode servir de exemplo para outros centros urbanos, e, paradoxalmente, para a própria cidade, cuja expansão vem desconsiderando estas ideias fundadoras. Neste sentido, o filme também será, inevitavelmente, um instrumento de divulgação de Brasília como destino do turismo cultural.

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