quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Há dois séculos, morria Donatien Alphonse François, o Marquês de Sade um dos mais laureados intelectuais da França



"...e que nada nem ninguém é mais importante do que nós próprios. E não devemos negar-nos nenhum prazer, nenhuma experiência, nenhuma satisfação, desculpando-nos com a moral, a religião ou os costumes. Mate-me novamente ou aceite-me como eu sou, por que eu não mudarei." - Marquês de Sade

Uma pessoa que abraçou completamente sua própria natureza. Tudo muda quando você descobre que era esta a filosofia do homem que deu origem ao termo médico sadismo, a perversão sexual de ter prazer na dor física ou moral do parceiro ou parceiros. Tudo muda quando conhecemos a vida e a obra de Marquês de Sade (1740 - 1814).

O que você pensaria, se as palavras acima fossem ditas por, digamos, Gandhi, Steve Jobs ou mesmo algum novo guru da nossa época? Sem assinatura, este é um discurso de uma pessoa que preza a liberdade pessoal acima de tudo.

O nome completo do Marquês de Sade era Donatien Alphonse François de Sade. Nascido em Paris no dia dois de junho do ano de 1740, Sade foi um escritor prolífico e um aristocrata controverso para os padrões sociais vigentes na época em que viveu. Diversos livros de sua autoria foram escritos enquanto estava preso na Prisão de Bastilha. Lá, o escritor foi encarcerado por muitas vezes, até mesmo por Napoleão Bonaparte.

Para se ter uma ideia de sua importância, seu nome deu origem ao termo sadismo, definido como perversão daquele que procura aumentar a intensidade do prazer sexual produzindo sofrimento em outros.

O aristocrata foi perseguido por diversas castas francesas, tanto os revolucionários de 1789 quanto a monarquia e Napoleão queriam degustar sua cabeça num almoço regado a champanhe e caviar. Segundo o filósofo e psicanalista Luiz Felipe Pondé, “Sade era um filósofo que achava que a natureza é má, incluindo a natureza humana e sua história. O ‘divino’ marquês se inscreve numa tradição (dos trágicos, gnósticos, maniqueus, cátaros) que se pergunta se a natureza (ou Deus) não seria em si má, cruel e perversa. Não seria o cosmo uma câmara de torturas?”.

Justine e Juliette

As duas principais personagens do Marquês de Sade foram Justine e Juliette. A dupla representou as ideias do escritor durante anos e são encarnações do bem e do mal. A primeira é uma mulher ingênua que defende o que considera ser bom, mas acaba sempre no meio de depravações e crimes. O final da vida de Justine não é nada bonito, a moça foi queimada do ânus até a boca por um raio enquanto caminhava para a missa. Já Juliette, sua irmã, é o mal em si. É abjeta, mata sua melhor amiga empurrando-a na boca de um vulcão e obriga o Papa Pio VI a discursar a favor do crime como chantagem para poder possuí-la.

Estas orgias com o Papa dentro da Igreja de São Pedro (Vaticano) são apenas uma das inúmeras histórias do romance Juliette, de Sade. Sade transforma o discurso do pontífice a favor do crime em um panfleto político agressivo. Em outro de seus livros, chamado A Filosofia na Alcova, Sade demonstra-se favorável à ruptura com o cristianismo. Na história, um casal de irmãos educa uma jovem, Euginè, com total aversão à religião e aos costumes e dogmas da época.

Aos 74 anos, após publicar diversas obras, Sade morre no hospício, amado por duas mulheres com as quais planejava produzir peças teatrais pornográficas.

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