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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

A literatura brasileira relembra a partida de Rubem Braga, um dos maiores cronistas de todos os tempos



Considerado o maior cronista brasileiro desde Machado de Assis, Rubem Braga partiu para a sua missão no campo espiritual no dia 19 de dezembro de 1990, deixando como um dos seus legados a característica singular de ser o único autor nacional de primeira linha a se tornar célebre exclusivamente através da crônica, um gênero que não é recomendável a quem almeja a posteridade

Rubem Braga, capixaba de Cachoeiro de Itapemirim, nasceu no dia 12 de janeiro de 1913. As lembranças da infância em seu torrão natal são cercadas de lirismo que está presente nas crônicas do “velho Braga”. Em textos como “Praga de menino”, “Lembrança de Zig” ou “O Cajueiro”, narrados na primeira pessoa, a infância na cidade natal é recontada de forma explícita e amorosa. Em outros, como “Tuim criado no dedo” e “Negócio de Menino”, sua memória de caçador de passarinhos ecoa nas personagens infantis.

Iniciou-se cedo no mundo das e, já em 1928 começa a escrever, já como cronista, no jornal Correio do Sul, fundado, em sua cidade natal, por seus irmãos Jerônimo e Armando. No mesmo ano, muda-se para Niterói, e lá conclui o curso secundário. No ano seguinte, matricula-se na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, em que cursa os dois primeiros anos. 

Em 1931, transfere-se para Belo Horizonte, Minas Gerais, onde conclui, em 1932, o curso de Direito. No início desse ano, publica sua primeira reportagem no Diário da Tarde. Passa a escrever crônicas e cobre a revolução constitucionalista para os Diários Associados. Como os Diários eram favoráveis à revolução, seus artigos eram censurados e Rubem Braga acaba sendo preso, ainda aos 19 anos, sob a acusação de espionagem.

A Importância de Rubem Braga

Em 1989, cerca de um ano antes de sua morte, Rubem Braga escreveu, em sua coluna da Revista Nacional, uma das mais ácidas descrições do ofício a que dedicou toda a vida, o de cronista: Respondo que a crônica não é literatura, e sim subproduto da literatura, e que a crônica está fora do propósito do jornal. A crônica é subliteratura que o cronista usa para desabafar perante os leitores. 

O cronista é um desajustado emocional que desabafa com os leitores, sem dar a eles oportunidade para que rebatam qualquer afirmativa publicada. A única informação que a crônica transmite é a de que o respectivo autor sofre de neurose profunda e precisa desoprimir-se. Tal informação, de cunho puramente pessoal, não interessa ao público, e, portanto deve ser suprimida. 

O que a auto-ironia corrosiva do "velho Braga" não deixa transparecer é a elevação de status que a sua própria obra propiciou à crônica no Brasil durante os últimos 60 anos. De subliteratura, passou a ser considerado um gênero literário respeitável e digno de estudo. E já era tempo. Afinal, a crônica vem sendo praticada assiduamente, no Brasil, por muitos dos nossos maiores escritores, desde que os jornais passaram a ser centros importantes da vida cultural e intelectual no país.

Conferiu ele tanta nobreza ao gênero que este passou a ser tratado em condições quase iguais ao seu "irmão mais elevado", o conto. E foi além. Como o colocou Jorge de Sá, diluindo as fronteiras entre os gêneros crônica, conto e poema em prosa, Rubem Braga consagrou a crônica como um gênero literário ficcional que muitas vezes se confunde com o conto, diferenciando-se apenas na densidade do tratamento temático e na construção de personagens: se o conto se concentra na complexidade das relações e em jogos de linguagem mais elaborados, a crônica mantém sua aparência de conversa fiada estabelecida entre o cronista (ele mesmo narrador) e o leitor virtual.

A acidez do seu “Conto de Natal”

"Despedidos da fazenda em que trabalhavam, um casal de colonos com filho de seis anos caminha em direção à Fazenda Boa Vista, a duas léguas e meia do lugar em que se encontram. A mulher está grávida de oito meses. Começa a chover, ela não pode mais andar. Conseguem carona num carro de bois e chegam à noite na fazenda, que está fechada. Alojam-se junto a um burro e a uma vaca num lugar coberto. Durante a noite, o menino nasce. O carreiro chega e lembra que é Natal. O marido, Faustino, sugere à mulher que chamem o recém-nascido de Jesus Cristo. A mulher não acha graça. O menino de seis anos chama o pai para ver o irmão, embrulhado em trapos em cima do capim. O pai olha. A criança está morta."

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