sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Poesia marginal inspira performances teatrais na Casa França-Brasil





Idealizado pela diretora de cinema e teatro Christiane Jatahy, a convite da Casa França-Brasil, o projeto In Drama tem apresentado, a cada ano, intervenções artísticas inspiradas na literatura e em sintonia com as exposições em cartaz no espaço cultural


A performance que abre o evento, do coletivo Pequena Orquestra, terá mais duas apresentações, amanhã (28) e sábado (29), em sinergia com a exposição Histórias Frias e Chapa Quente, da dupla de artistas plásticos Dias&Riedweg, em cartaz na Casa França-Brasil até domingo (30). As obras que integram a mostra relatam a influência dos tempos da guerra fria no contexto cultural e político de hoje. Desde ontem (27), 
a terceira edição do projeto traz ao público criações inéditas de artistas do teatro e da dança baseadas na antologia 26 poetas hoje, organizada pela professora Heloisa Buarque de Hollanda e lançada em 1975, reunindo a poesia marginal que rompeu com os ícones literários da época, em que o país vivia sob a ditadura militar.

Também conhecidos como Geração Mimeógrafo”, porque seus poemas eram difundidos de forma artesanal e circulavam para um público restrito, os poetas reunidos na antologia dos anos 1970 hoje são referência na literatura brasileira. Entre outros nomes, integram a lista dos 26 poetas o hoje acadêmico Antonio Carlos Secchin, Francisco Alvim, Chacal, Geraldo Carneiro, Roberto Piva, Roberto Schwarcz, José Carlos Capinam e os já falecidos Torquato Neto, Ana Cristina César, Cacaso e Waly Salomão.

“Quando fomos chamados para fazer parte do In Drama, decidimos não partir para uma reprodução ou leitura cênica das obras apresentadas como base da criação. Por isso, criamos uma obra nova, que comporta conceitos de nossos trabalhos anteriores”, explica o ator Michel Blois, um dos integrantes do Pequena Orquestra.

O resultado é a performance Moradores da Cidade Vazia, em que três personagens – um poeta, um policial e uma velha – decidem permanecer em um Rio de Janeiro despovoado. Com seis anos de atuação na cena teatral carioca, o grupo atualmente é responsável pela ocupação do Teatro Ipanema, na zona sul da cidade.

As apresentações seguintes do In Drama III, também inspiradas na antologia poética, a cargo dos coreógrafos Marcelo Evelin (Demolition Inc.) e Cristian Duarte (Projeto Lote#) serão, respectivamente, nos dias 18, 19 e 20 dezembro, e 22, 23 e 24 de janeiro de 2015. As performances serão inéditas e integradas à exposição Cirandar Todos, do artista plástico José Damasceno, que estará em cartaz nesses dois meses no centro cultural.


Na primeira edição, o In Drama ocupou a Casa França-Brasil de novembro de 2011 a fevereiro de 2012 com performances de seis artistas inspiradas em diferentes peças de Nelson Rodrigues. Já na segunda edição, em 2013, a segunda etapa do projeto abriu espaço para criações baseadas nas crônicas de A Descoberta do Mundo, de Clarice Lispector.

O prédio que desde 1990 abriga a Casa França-Brasil, em estilo neoclássico, foi projetado pelo arquiteto Grandjean deMontigny, integrante da missão artística francesa trazida ao país por dom João VI. Abrigou a primeira praça de comércio da cidade e mais tarde a Alfândega e um tribunal. Em 1938, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A recuperação do prédio e sua transformação em espaço vinculado à relação cultural entre o Brasil e a França se deu por iniciativa do antropólogo Darcy Ribeiro, na época secretário estadual de Cultura do Rio.

As performances do In Drama III serão apresentadas sempre às 19h, com entrada franca e distribuição de senhas uma hora antes. A Casa França-Brasil fica na Rua Visconde de Itaboraí, 78, no centro do Rio.

Fonte: EBC

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