domingo, 30 de novembro de 2014

O rei da ‘congada’, Tião Oleiro, chega aos 100 anos mantendo a tradição



Uma das mais tradicionais manifestações folclóricas do país, a “congada”, tem no centenário Tião Oleiro o seu expoente máximo 

Com cem anos de vida, 80 deles dedicados à Congada, o Mestre Tião Oleiro vem sendo alvo de homenagens desde maio, mês de nascimento do maior divulgador da congada. Uma das principais honrarias foi prestada na Teia Nacional da Diversidade 2014 – 5º Encontro Nacional dos Pontos de Cultura, que foi realizado em Natal.

Tião nasceu em 14 de maio de 1914 e é o criador do Congo de Guerra - manifestação da cultura popular do município de Ceará-Mirim, no Rio Grande do Norte. Ele aprendeu a dançar e cantar o congo ainda menino. Escondido, assistia aos ensaios do Congo de Saia, do qual seu pai, Mestre João José da Rocha, fazia parte.

Com o tempo, foi crescendo o desejo de ter seu próprio grupo e, como já sabia todas as cantorias e danças, resolveu, aos 20 anos, juntar alguns amigos. O nome foi inspirado na Revolução Constitucionalista, também conhecida como a Guerra de São Paulo, que ocorreu na década de 1930.

Na época, a revolução levou muitas pessoas do Nordeste para São Paulo, inclusive alguns amigos de Tião, cuja obra é conhecida no Brasil e em vários países através do programa Toda Beleza, exibido pelo Canal Futura.

Tião também é Patrimônio Vivo do RN, fruto de um projeto que selecionou sete mestres e três grupos folclóricos do estado. Ceará-Mirim foi contemplado com a seleção do Grupo Cabocolinhos e com o Mestre do Congo de Guerra. O grupo resistiu durante esses 80 anos pela perseverança de seus integrantes, que para manter a tradição faziam cotinhas para arcar com os custos das roupas e outros gastos.

Mesmo com 100 anos, ainda conduz gerações por meio da cultura genuinamente popular. Trabalhou a vida inteira no Engenho Guanabara e, para ele, todo o conhecimento de hoje veio de lá. Aprendeu a tocar fole de oito baixos sozinho. Bom de memória e de ouvido incorporou à dramatização do congo, músicas de sua própria autoria. “Da terra e do céu”, conta. O mestre Tião Oleiro acaba de receber do Ministério da Cultura a medalha Ordem do Mérito Cultural em 2014.

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