Construção - Reforma - Manutenção

Construção - Reforma - Manutenção
Clientes encantados é a nossa meta!

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O Bloco Ilê-Aiyê, patrimônio cultural da Bahia, já cruzou fronteiras e obteve reconhecimento internacional

As palavras do líder do Ilê-Aiyê, Vovô, parecem ditar uma espécie de ‘missão’, como aquelas que costumar estar na recepção de inúmeras empresas: “Somos o afro pioneiro do Brasil e temos como visão sermos um bloco de referência que, com muita
competência e muito saber, expande na
contemporaneidade a tradição aprendida”
(Vovô)


Bloco afro, fundado em novembro de 1974, no bairro de Curuzu-Liberdade, em Salvador. É considerado o segundo bloco afro em termos de idade, mais novo apenas que o bloco Filhos de Ghandi, o primeiro a ser fundado, ainda na década de 1940. Ilê-Aiyê significa, em dialeto afro, "O mundo" ou "A Terra da Vida" ou ainda "Festa do ano-novo", referência à festa profano-religiosa que os negros sudaneses realizavam na Bahia. Suas cores são o vermelho e o branco.

Os temas sempre contam uma história de um povo ou de um país da África negra, como Congo, Nigéria, Camarões, Watusi, Gana, Zimbabwe, Dagons, Daomé, Ruanda e Mali. O bloco também promove "A Noite da Beleza Negra", considerada a maior festa depois do carnaval, vindo a influenciar outros blocos afros, como Agbara Dudu, do Rio de Janeiro, que também a promove. O ponto alto deste encontro é a escolha da "Deusa de Ébano", que desfilará no carnaval representando o bloco, semelhante à Rainha da Bateria das Escolas de Samba cariocas. Seus destaques na bateria são os surdos e repiques.

O Ilê-Aiyê passou de bloco afro à Instituição, assim como outro bloco afro, o Olodum, sendo também reconhecido nacional e internacionalmente pelos trabalhos que desenvolve junto às comunidades carentes, mantendo suas atividades o ano inteiro, objetivando conscientizar as pessoas e, principalmente, o povo negro, de sua importância. Jetinha e Vovô, dois integrantes do Ilê-Aiyê, participaram da fundação do bloco afro Agbara Dudu, do Rio de Janeiro.

Padrinho de peso
Caetano Veloso e o lendário Riachão

O Ilê é o padrinho do bloco carioca. No ano de 1997, a banda (que pertence ao bloco) participou da coletânea "Tropicália - 30 anos", ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Margareth Menezes, Carlinhos Brown, Gal Costa, Asa de Águia, Armandinho, Pepeu Gomes, Daniela Mercury, Didá Banda Feminina, Araketu, Banda Eva, Banda Cheiro de Amor, Lazzo e Virgínia Rodrigues. Neste CD, a banda interpretou "Batmakumba" de autoria de Gilberto Gil e Caetano Veloso. Em 2002, o grupo participou do disco "Do lundu ao axé" produzido por Paulinho Boca de Cantor e Edil Pacheco. Neste CD, também com a participação de Daniela Mercury, Lazzo e Moraes Moreira, o grupo interpretou "Depois que o Ilê passar". Neste mesmo ano, junto com a cantora Margareth Menezes, fez o fechamento da 4ª Edição do Festival do Mercado Cultural da Bahia, apresentando a "Missa do Rosário dos Pretos".

O laureado bloco Ilê Aiyê já foi premiado diversas como o melhor bloco afro do Carnaval baiano, prêmios concedidos por críticos especializados. A discografia do Ilê Aiyê, batizada com o nome de “Canto Negro”, é composta por 04 CDs, sendo que o 1º e o 2º, na forma original em vinil, foram remasterizado em CD. O Cd “IV Canto Negro” lançado em 1998 e produzido pelo produtor musical Arto Lindsay foi gravado em homenagem aos 25 anos do bloco com musicas que fizeram sucesso ao longo da trajetória da Banda. Mixado nos Estados Unidos. Numa crítica feita por Caetano Veloso recebeu os adjetivos de “fundamental” “obrigatório” “fonte de prazer e deleite”.

A Banda Aiyê já deixou sua marca em participações nos CDs de diversos artistas consagrados no mundo da música e projetos musicais: Bjork (Finlandia), Yerba Buena (Cuba – EUA), Nass Marraketh (Marrocos), Daniela Mercury (Brasil), Arto Lyndsay (EUA), Martinho da Vila (Brasil), Projeto Salvador Negro Amor (Brasil), Teatro Villa Velha (Trilhas do Vila), Banda Mel, Igreja Rosário dos Pretos, Virgínia Rodrigues, 100 Anos de Tropicália (promovido pela Bahiatursa), Simone Sampaio, Morais Moreira, Arto Lindsay.

A DANÇA AFRO é uma das características fundamentais do Ilê Aiyê. O corpo de dançarinos é formado por aproximadamente 30 pessoas que são coordenadas pela Diretora e Estilista: DETE LIMA. A cada ano este número cresce, pois os (as) adolescentes oriundos (as) da Band’Erê são incorporados (as) ao grupo. Além disso, após o concurso da Deusa do Ébano, novas dançarinas se enquadram neste seleto grupo. Elementos da ancestralidade africana, guardados pelos Terreiros de Candomblé, são as bases que sustentam a dança afro do Ilê. Fundamentada no Ijexá, a dança afro encanta a todos que apreciam esta arte.

O jornalista Ben Ratliff , que esteve em Salvador no carnaval/99, escreveu uma matéria no dia 21/03, na capa do segundo caderno do suplemento Arts & Leisures, do jornal americano New York Times, com o título de “Hewing to both musical and racial roots in Brazil” (cortando as raízes musical e racial no Brasil) e estampa para o mundo a foto dos timoneiros da Band’ Aiyê.

A Band’ Aiyê está umbilicalmente ligada ao Bloco Carnavalesco Ilê Aiyê, sendo formada exclusivamente por artistas afro descendentes que têm demonstrado que a música baiana não é feita só de axé music. Atualmente, comandada pelos cantores Iana Marucha, Jiauncy, Iracema Kiliane, Marcos Costa e Juarez Mesquita, a Band’Aiyê tem levado a música afro-baiana para grandes palcos do mundo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário será publicado após análise.
Obrigado!