sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Trajetória do baiano da histórica Cachoeira, André Rebouças, inspira musical





André Rebouças foi um precursor e deu grandes contribuições para a construção do Brasil no século 19, tendo participação importante no movimento abolicionista. Introduziu no País, técnicas inovadoras de engenharia, incluindo o uso do concreto armado, utilizado pela primeira vez no Brasil em uma ponte em Piracicaba, construída em 1875


Com uma história repleta de realizações, a sua trajetória é contada no espetáculo musical André Rebouças, o Engenheiro Negro da Liberdade, que a organização não governamental Ação da Cidadania escolheu para encerrar sua programação cultural de 2014, e também para celebrar o Dia da Consciência Negra, comemorado na próxima quinta-feira (20). Com texto e dramaturgia de José Miguel da Trindade e André Luiz Câmara, o musical estreou nesta quinta-feira (13), no Centro Cultural da Ação da Cidadania - um galpão centenário na zona portuária do Rio,Primeiro engenheiro negro do Brasil, André Rebouças foi um homem à frente de seu tempo. 

Em seu trabalho, aplicou pela primeira vez no país tecnologias avançada para a época na construção de ferrovias e em obras portuárias e solucionou o problema do abastecimento de água na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império. Líder abolicionista, defendeu a reforma agrária e a educação dos libertos. “Não basta abolir a escravidão. É preciso abolir a miséria”, dizia ele.

“O espetáculo mostra Rebouças falando com Rebouças, por meio do diário, das cartas que ele trocava com amigos, como o Visconde de Taunay e Joaquim Nabuco”, explica José Miguel da Trindade. Segundo ele, “Rebouças não era um guerreiro como Zumbi dos Palmares ou o marinheiro João Cândido. Era um intelectual, um mecenas, que vinha de uma elite, e defendeu ideias revolucionárias para a época, sobre o fim da escravidão. O espetáculo mostra isso e a mágoa que ficou nele com o isolamento nos últimos anos de vida”.

André Rebouças é vivido pelo ator Leandro Vieira, à frente de um elenco de outros treze atores e cantores, que interpretam personagens da época. A direção de arte e cenografia é de Rosa Magalhães e a iluminação é assinada por Aurélio de Simoni.

André Rebouças, o Engenheiro Negro da Liberdade será apresentado até o próximo dia 29, de quinta-feira a domingo, às 19h, com entrada franca.

De Cachoeira para o mundo

André Pinto Rebouças nasceu em 13 de janeiro de 1838, na cidade de Cachoeira. Filho de Carolina Pinto Rebouças e do jurista e político Antônio Pereira Rebouças, nascido em Maragojipe, Bahia, e irmão de Antônio Pereira Rebouças Filho.

Aos 16 anos, seguiu com a família para o Rio de Janeiro e matriculou-se, junto com seu irmão Antônio, na antiga Escola Militar, depois Escola Politécnica. Em 1857, tornou-se 2º tenente do corpo de engenheiros e recebeu o grau de bacharel em Ciências Físicas e Matemáticas, em 1859, sendo sempre o primeiro aluno da turma. Em 1860, recebeu o grau de engenheiro militar, seguido para a Europa, em 1861, onde fez especialização em engenharia civil.

Retornando ao Brasil, continuou seus estudos como autodidata e dedicou-se à causa abolicionista. Tornou-se, junto com seu irmão Antônio, comissionado do Brasil para vistoriar e trabalhar no aperfeiçoamento de portos e fortificações do litoral. Participou como engenheiro militar na Guerra do Paraguay.

Na capital do Império, André foi secretário do Instituto Politécnico e redator geral de sua revista, na qual escreveu vários artigos técnicos. Foi responsável pela seção de Máquinas e Aparelhos da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional. Participava ativamente das discussões sobre o desenvolvimento social e econômico da Nação.

Nos anos 1880, engajou-se ativamente na campanha abolicionista e lecionou na Escola Politécnica. Participou da Confederação Abolicionista, da criação da Sociedade Brasileira Contra a Escravidão e redigiu os estatutos da Associação Central Emancipadora.

André Rebouças era monarquista e, com o movimento militar republicano de 15 de novembro de 1889, embarcou para a Europa, junto com a família imperial. Em Lisboa, foi correspondente do The Times de Londres, depois foi para Cannes, na França, onde ficou até a morte de Dom Pedro II.

Referência: Correio Braziliense

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