sábado, 1 de novembro de 2014

Filme sobre vida e obra de Tim Maia estreia nos cinemas




A cinebiografia do cantor Tim Maia, baseada no livro "Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia", percorre cinquenta anos na vida do artista, desde a sua infância no Rio de Janeiro até a sua morte, aos 55 anos de idade, incluindo a passagem pelos Estados Unidos, onde o cantor descobre novos estilos musicais e é preso por roubo e posse de drogas

Cinebiografias são sempre um desafio. É difícil conseguir resumir a vida de uma pessoa em poucas horas e muitas vezes, o recorte não dá conta de tanta informação. O filme de Mauro Lima sobre o polêmico cantor e compositor Tim Maia recorre à velha narração para ajudar.

O filme tenta nos mostrar toda a trajetória de Sebastião Rodrigues Maia, desde que ele era uma criança na Tijuca até sua morte após passar mal em cima do palco. É muita coisa. Sua infância e adolescência é resumida na narração de Cauã Reymond que interpreta o amigo e parceiro Fábio, cantor paraguaio naturalizado brasileiro.

A narrativa necessária em alguns momentos se torna repetitiva e cansativa em outros. E também não parece se decidir em estilo. Há ironia, há momentos sérios e há algumas quebras como quando o personagem se apresenta em cena "este sou eu".

Ainda que com recortes e correria, Tim Maia constrói um retrato bem definido do gênio criativo que se perdia em rebeldias e desapegos. É impressionante como sua vida desenha uma tragicomédia bem definida onde tudo que causa riso é também motivo de pena daquele homem que poderia ter tudo, mas foi deixando a vida levar seu talento, sua saúde, sua juventude.

Mauro Lima consegue ainda nos dar belos momentos, usando muito da profundidade de campo baixa e de planos detalhes que ajudam a construir ambientes e momentos de emoção. Os pés andando apressados no chão, tendo um Tim que espera ser atendido. Ou a profundidade de campo baixa quando ele está no bar olhando o show de Fábio, demonstram uma sensibilidade a mais nas imagens.

No final, Tim Maia cumpre o objetivo de apresentar o artista e o homem por trás dele, mas acaba fazendo isso de maneira cansativa. Poderia ser um recorte mais orgânico, sem querer abraçar todos os detalhes de sua vida. De qualquer maneira, é um filme interessante.

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