domingo, 16 de novembro de 2014

Com quatro décadas de carreira, Djavan está na estrada para divulgar o lançamento da Caixa, com sua obra completa e remasterizada



Djavan completa 40 anos de carreira, contados a partir do compacto duplo puxado por Fato consumado (1975, Som Livre), e celebra a data com a caixa Djavan – obra completa 1976-2010, 18 álbuns de carreira, dois de raridades, toda sua obra, mais dois CDS

Aos 65 anos, o cantor e compositor está cheio de ideias para discos. Tem saúde, continua magrinho como sempre foi, curte com alegria a infância do filho mais novo, Inácio. E sonha até em ter mais um — o sexto da prole. Pensar no passado, nos seus quase 40 anos de carreira — uma das mais constantes e vitoriosas da MPB — é algo que não passava pela sua cabeça. Pelo menos até ser confrontado com “Djavan — obra completa”, recém-lançada caixa da Sony Music que reúne 18 dos seus álbuns, de 1976 (o de estreia, “A voz, o violão, a música de Djavan”) a 2010 (“Ária”, em que interpreta canções de outros compositores) e dois CDs com raridades. Tudo remasterizado, com letras e fichas técnicas revisadas, impressas num volumoso libreto.

Djavan reouviu cronologicamente os seus álbuns para saber exatamente o que fazer. E trabalhou neles à medida que as fitas master iam chegando à sua mão — agora estão todas lá, empilhadas, num canto do estúdio que tem em casa (e onde grava seus discos) desde 2001.

— Esse exercício de ouvir os meus discos foi uma coisa inédita. Depois dos ensaios para o show de cada um deles, eu não os escuto mais. O tempo urge, eu já tenho que pensar no futuro. Depois, eu não ganho nada se ficar ouvindo meus discos. Eu tenho é que ouvir os dos outros, para aprender alguma coisa! — impacienta-se o cantor, que ao menos uma impressão guardou da experiência. — Eu faria tudo completamente diferente hoje. Mas na época eu fiz o que era para fazer e foi ótimo.

Entre fitas nos mais diferentes estados de conservação (“Tivemos que fazer um trabalho técnico e tecnológico bastante eficiente para recuperar algumas delas”, conta), Djavan supervisionou a remasterização (processo que dá sonoridade atual aos fonogramas, sem descaracterizar a obra), mas resolveu ir mais longe e recorrer à remixagem para sanar problemas que o incomodavam. Ele mexeu em algumas faixas isoladas, que não foram hits (como “Mundo vasto”, de “Vaidade”, CD de 2004, cujo arranjo ele resolveu cortar pela metade) e um álbum inteiro, “Matizes”, de 2007.

Episódios marcantes

No texto que escreveu para estes relançamentos, Djavan tece comentários sobre cada um dos discos, como lembra episódios marcantes de quando foram gravados. Em 1982, Djavan vendia o suficiente para se tornar prioridade da Sony Music. O então presidente da multinacional no Brasil, Thomas Muñoz, pensava grande para o alagoano. Pretendia não apenas que ele fizesse seus discos nos Estados Unidos, com também que morasse lá. Djavan concordou em fazer o disco em Los Angeles, mas não em mudar de país. Em março de 1982, ele viajou com a banda Sururu de Capote para travar o que seria um de seus discos mais bem sucedidos, Luz: “Desembarquei em Los Angeles para gravação do Luz, com a participação de músicos americanos, ou radicados lá, e o Stevie Wonder. 

Era muita coisa num só momento. Quando se abriu a possibilidade de participação do Stevie, eu já tinha a música certa para recebê-lo: Samurai. Ele chegou para gravar a bordo de um Rolls Royce marrom. Estávamos todos à porta do estúdio pra vê-lo chegar. Foi uma alegria. Stevie sentou ao piano e começou a tocar a esmo: Cole Porter, Irving Berlin, Gershwin. Em dado momento, disse: acabei de compor uma nova canção. E começou a cantar Overjoyed. Em seguida, quis ouvir o que tinha do disco. Tinha tudo, praticamente. Depois, ouviu Samurai, umas quatro ou cinco vezes, pegou a harmônica, saiu tocando junto, barbarizou”.

Extras

As raridades estão distribuídas por dois CDS. 'Puzzle of hearts' é como se intitulou Oceano na versão em inglês, e ‘Stephen’s kingdom’ éa versão de Soweto. Ambas inéditas em lançamento nacionais, são duas das 15 faixas do CD de canções de Djavan vertidas para o espanhol e o inglês, em disco produzidos para o mercado externo, onde ele há alguns anos circula, sem precisar mudar de idioma para ser apreciado. Não vão muito além da curiosidade, como, por exemplo,’Açai’ em espanhol (permaneceu com o mesmo título), ou ‘Curumin’, que em inglês chama-se ‘Amazon farewell’. Mais interessante são as canções que Djavan gravou para projetos variados, feito a trilha do filme ‘Para viver um grande amor’, em que canta três músicas, uma delas ‘Sabe você’ (Carlos Lyra/Vinicius de Moraes), ou ‘Tarzan, o filho do alfaiate’, para o songbok de Noel Rosa, da Lumiar: “Algumas, eu nem lembrava mais que havia gravado”, comenta Djavan.

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