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domingo, 23 de novembro de 2014

Centenário da morte de Augusto dos Anjos é mote para exposição em São Paulo



O paraibano Augusto dos Anjos é tido como o herdeiro brasileiro da poesia do horror já que nos seus versos pode-se constatar o paradoxo da coragem e da esperança
Augusto dos Anjos colocou seu nome na história da literatura brasileira como o poeta crítico das agruras da existência humana. É fato que muitos outros artistas também usaram do verso para expressar um tom criticante da realidade nacional (Castro Alves, por exemplo). Mas o que torna a obra de Augusto dos Anjos tão relevante é a maneira peculiar com que se manifesta sua genialidade. Nos seus poemas, encontramo-nos constantemente diante de um artista que não teme adentrar o abjeto, o vil, o ignóbil do humano.

Agora, quando se celebra os cem anos da morte de Augusto dos Anjos motivam Exposição Esdrúxulo! na Casa das Rosas, na Avenida Paulista, região central da capital. O poeta nascido na Paraíba, morreu com apenas 30 anos em Minas Gerais em 1914. O único livro, de composições de tom pessimista, teve como inspiração a própria vida, como sugere o título: Eu. Somente a Ingratidão — esta pantera — Foi tua companheira inseparável! , diz um dos versos mais famosos do autor.

Por isso, a vida do poeta é o tema do primeiro dos cinco eixos que formam a exposição. Uma vida muito curta e sofrida, enfatiza o curador Júlio Mendonça. Nessa parte, o visitante poderá ver reproduções de documentos que marcam momentos importantes da trajetória do poeta. A partir daí, a obra do poeta é apresentada em 23 poemas. “Os mais marcantes, representativos da poesia dele”, explica o curador.

A morte é o segundo eixo da exposição. “Agora, sim! Vamos morrer reunidos”, escreveu o autor no verso inicial de Vozes da Morte. A consciência da finitude e as referências diretas a morte são constantes na obra do poeta. “Já o verme — este operário das ruínas —“, diz um verso de Psicologia de um vencido, “há-de deixar-me apenas os cabelos, na frialdade inorgânica da terra!” fecha o poema que traz outras característica de sua obra: a escatologia. O tema também integra uma ala a parte da mostra.

É explorada ainda a relação da obra do poeta com a ciência. “Vive em contubérnio com a bactéria, livre das roupas do antropomorfismo”, refletia o autor em o Deus-Verme. O uso de termos científicos, especialmente da biologia foi outro traço do escritor. Mendonça explica que nisso o poeta antecipava tendências na arte. “Uma das coisas que principalmente dos anos 1960 para cá foi se tornando mais clara é que o poeta antecipou certos elementos da poesia moderna, que os modernistas iriam criar a partir de 1922”, ressaltou o curador.

Ao final, um espaço cênico brinca com a popularidade do artista que no início do século 20, quando ainda estava vivo, era visto como excêntrico. “Muito lido e apreciado por pessoas do país inteiro. Seu único livro teve muitas edições. E muita gente se recorda de certos versos dele muito claramente, tem gravado na memória alguns versos que ficaram muito famosos”, comenta

O poeta de necrotério

Augusto dos Anjos foi um poeta singular. Baudelairiano de primeira linha, ele produziu aqueles poemas longos, cheios de um materialismo brutal e pessimista. O tema geral é a morte. Para o gosto atual, são versos cansativos, fora de propósito. Mas dos Anjos impressiona. As quadras iniciais do célebre "As Cismas do Destino", um poema gigante, com exatas 105 estrofes, traz um grande enigma. Para quem não sabe, a casa do Agra, que abre o poema, tem tudo a ver com o clima: é o necrotério.

Morto aos 30 anos, Augusto dos Anjos não gozou em vida de nenhum reconhecimento público. Segundo Otto Maria Carpeaux, a notoriedade póstuma do poeta lhe foi garantida por leitores populares. Diz Carpeaux: "A abundância de estranhas expressões científicas e de palavras esquisitas em seus versos atraiu os leitores semicultos que não compreenderam nada de sua poesia e ficavam, no entanto, fascinados pelas metáforas de decomposição em seus versos assim como estavam em decomposição suas vidas." Por causa disso, conclui, dos Anjos é um dos poetas mais lidos do Brasil.

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