segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Bebida milenar, o vinho inspira artistas no seu processo criativo





Coleção com 26 desenhos de Jonathan Warrender tem o vinho como tema recorrente e fonte de inspiração para poetas do segmento literário, servindo ainda de mote para autores como Balzac, Neruda e Shakespeare


A ideia do projeto nasceu em uma visita feita por Warrender para pintar um quadro do Château Latour mais de 20 anos atrás. Com a ajuda de Fiona Morrison, do Le Pin, e Mark Walford , fundador da importadora Richards Walford, ele compilou uma lista de Châteaux que “formam uma coleção interessante e realmente mostram às pessoas de onde seus vinhos vêm", segundo suas próprias palavras.
O artista escocês, Jonathan Warrender, inspirou-se em Bordeaux para criar uma coleção de 26 desenhos que retratam alguns dos mais famosos Châteaux da região, entre eles os cinco Premier Cru, como Margaux, Latour, Haut-Brion, Mouton Rotschild e Lafite. O trabalho durou dois anos e só terminou em agosto de 2012.

Embora muitas dessas propriedades tenham sido regularmente retratadas em dezenas de mídias ao longo dos séculos, Warrender lamenta que elas deem preferência para as representações fotográficas atualmente. "O vinho é como uma arte e tem uma tradição muito forte. É uma pena que eles estejam envolvidos tão diretamente com fotografia. Idealmente, este é um lugar extremamente artístico, em que três desenhistas, olhando do mesmo ponto de vista, poderiam trazer interpretações muito diferentes", conta o artista.

Os desenhos originais já foram vendidos a um colecionador de Hong Kong. No entanto, uma edição limitada de 30 impressões está disponível por 200 libras cada. Numeradas e assinadas pelo artista, as impressões têm formato 52 cm x 35 cm e foram feitas em papel resistente ao tempo.

Hábito milenar

Virgílio, Safo e Salomão entoaram loas ao vinho, para não falar de Omar Khayyam, poeta persa que morreu por volta de 1120, e que provavelmente é o autor do maior número de poemas relativos ao vinho feitos por um homem só. Enquanto o inglês William Shakespeare falava do “espírito invisível do vinho”, o poeta francês Victor Hugo lembrava que “Deus criou a água, mas o homem fez o vinho”.

Como fonte de alegria, alucinação, relaxamento e prazer, o vinho é nascente segura de arte e talvez seja a própria disposição para artistas. No imaginário popular, o “leite dos velhos” desmama a mente de uma infância ingênua e aguça a natureza do homem. O vinho, para muitos autores, representa vida e morte, cuja compreensão se faz tão misteriosa quanto o processo produção da bebida.

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