segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Autores brasileiros mostram em seus escritos que a visão do negro subserviente é distorcida



O Dia da Consciência Negra, que é comemorado em 20 de Novembro em todo o país, data na qual se homenageia o Zumbi. Ele foi um escravo que liderou o Quilombo dos Palmares e os escritos mostram facetas pouco conhecidas do público

Sabe aquela visão estereotipada do negro — escravo ou liberto — como resignado? Ela está fora de contexto. Os africanos que vieram para o Brasil não eram iguais e muitos deles lutaram para mudar a condição a que foram submetidos. É partindo dessa premissa, de certa maneira uma forma de reescrever a história mais conhecida, que surgiram algumas HQs lançadas no país nos últimos tempos. 

Marcelo D’Salete e André Diniz são exemplos importantes de autores brasileiros que fizeram da questão racial o centro de suas narrativas, como quem quer mudar o rumo da história.

O escritor Marcelo D’Salete é autor de Cumbe, livro publicado este ano, que é um apanhado de narrativas gráficas que tem como tema a resistência no período da escravidão brasileira. “A ideia surgiu do interesse em abordar a nossa história de um outro ponto de vista nas HQs. Cumbe fala das diversas formas de resistência à escravidão”, conta o quadrinista.

O escritor Marcelo D’Salete é autor de Cumbe, livro publicado este ano, que é um apanhado de narrativas gráficas que tem como tema a resistência no período da escravidão brasileira. “A ideia surgiu do interesse em abordar a nossa história de um outro ponto de vista nas HQs. Cumbe fala das diversas formas de resistência à escravidão”, conta o quadrinista.

Abaixo, as opiniões de alguns críticos literários sobre a obra de D”Salete:

‘Em Cumbe ganham cor, traço, sombra e palavra histórias sobre o período colonial. Os primeiros séculos da colonização e da escravidão no Brasil são o suporte para uma silenciosa narrativa negra em que não raro liberdade significa morte. E a morte, calunga, um novo começo’.

Matheus Gato

‘A palavra cumbe é sinônimo de quilombo em alguns países americanos. Nas línguas congo/angola tem também os sentidos de sol, luz, fogo e força trançada ao poder dos reis e à forma de elaborar e compreender a vida e a história. As histórias deste livro trazem marcas gráficas caras ao universo banto, como o círculo e a encruzilhada, que são lugares e entre lugares, pontos de força. E também desenhos que se enamoram a mistérios e pedagogias da africania, como os riscados de enigmas que acolhem animais de potência simbólica e as referências a estátuas de postura guerreira e majestosa. Os dramas dos quadrinhos de Marcelo D´Salete apresentam personagens e contextos resvalando ou mergulhando nas palhas da loucura, da doença, da paixão, da obsessão machista e das contradições dos envolvimentos afetivos e sexuais com brancos; gente bailando no passo de uma ética possível em ambiente escravista, tropicando nas tramas da revolta e se aprumando na coluna da vingança. Nessa teia lateja o movimento político graúdo, coletivo e central da organização dos refúgios e do embate armado com as forças escravistas, movimentos entretecidos no equilíbrio e na alegria precários da resistência miúda, marginal, nas relações pessoais fervidas nas águas de sonhos cansados’.

Allan da Rosa

"Li numa só sequência, muito boa narrativa e a arte está maravilhosa como sempre. Um passo a frente na sua arte e no quadrinho nacional. Axé"

Kiko Dinucci

‘Seus enquadramentos, enfoques, alguns pontos que posso considerar como "links" para outros desdobramentos, seu traço, a perfeita combinação espacial do uso do preto e do branco; não sei qual músico famoso de trilhas sonoras disse que uma boa trilha é aquela que não percebemos. Sua narrativa funciona da mesma maneira. Sou levado pelos quadros a continuar sem hesitação, a ir virando página a página, saboreando os detalhes: a configuração tipográfica que ele deu ao rio foi genial. Um excelente trabalho’.

Wagner William

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