sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Orquestra de crianças e adolescentes do Recife se apresenta para o papa Francisco


 / Michele Souza/JC Imagem


 A Orquestra Criança Cidadã, projeto social brasileiro que atua no resgate de crianças e adolescentes carentes da capital pernambucana por meio da música, se apresenta hoje (31) para o papa Francisco, na Itália

O concerto privado será na Sala Clementina, no Vaticano. O convite veio da organização Catholic Fraternity, associação privada de direito pontifício, a partir do pedido do Papa Francisco, que quer conhecer o trabalho da Orquestra Cidadã.

Sob a regência do maestro Nilson Galvão Jr., serão executadas obras como Concerto de Brandenburgo nº 3, de Bach, As Quatro Estações, de Vivaldi, e trechos da Serenata, composta por Tchaikovsky. Haverá ainda a participação especial da violinista japonesa Yoko Kubo.

Segundo o regente, o repertório é basicamente erudito e sacro. “Se eles permitirem, pretendemos fazer também algumas homenagens tocando um tango e o hino do São Lourenço, que é o time do papa Francisco”, disse.

O projeto Criança Cidadã nasceu há oito anos na comunidade do Coque, à época um dos bairros mais violentos da capital pernambucana, sendo idealizado pelo juiz de direito João Targino. Atualmente, ele atende a 170 jovens e crianças de forma gratuita.

De acordo com o maestro Nilson Galvão Jr., a música ajuda a formar o cidadão, despertando a sensibilidade, além de disciplinar as crianças e os jovens. “Tocar um instrumento de corda, um violino, um contrabaixo, um violoncelo, requer muita disciplina”, destacou.

São oferecidas ainda aulas de reforço, idiomas, informática e assistência psicológica.

Muitos dos que entraram no projeto ainda pequenos, cresceram e têm profissão. É o caso de João Pedro Lima, que toca violino. Ele começou na orquestra aos 10 anos e hoje, aos 18, é professor adjunto, tem carteira assinada e por meio de um convênio, pôde estudar música na Alemanha. “Ouvi falar do projeto por um primo e o meu primeiro pensamento foi não ir , mas mudei de ideia e hoje estou trabalhando como professor assistente em Ipojuca. Estou em Roma e este momento especial, de tocar para o papa Francisco, vou levar para toda a vida”, disse.

O maestro explicou que o projeto tem hoje três orquestras. A que vai tocar para o papa é formada por jovens e crianças que estudam música há pelo menos cinco anos. O mais jovem tem 11 anos.

Nilson Garcia Jr. disse que está difícil administrar a expectativa do grupo para o concerto de hoje. Para ele, esses meninos e jovens são artistas de verdade. “Mesmo que daqui a dois anos eles resolvam fazer arquitetura, direito ou administração, sabemos que não desperdiçaram seu talento”, acrescentou.

Além de os alunos selecionarem seis músicas para o papa, o repertório que prepararam inclui outras 16 composições extras. “Durante o nosso percurso na Itália, também acompanharemos a comunidade católica Canção Nova e, nessa comitiva, vamos executar alguns arranjos”, diz o maestro. Entre as obras que serão interpretadas, estão alguns temas brasileiros, como Aquarela do Brasil, Asa Branca e Lamento Sertanejo. “Será um momento valioso para a orquestra. Basta pensar que conseguimos passar pela peneira dos 5 mil pedidos anuais de grupos musicais que desejam tocar para o papa”, vibra Nilson, com base no número informado pelo cerimonial do Vaticano.

Após a passagem pela Itália, os meninos do Coque se apresentam em Lisboa, para o primeiro-ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho, no dia 4 de novembro.

Referências: EBC e JC online


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