quarta-feira, 1 de outubro de 2014

O Haicai , que ganhou o mundo pela sua beleza moldada pela simplicidade, conquista Adriana Calcanhoto e ela acaba de lançar “Haicai do Brasil”


A cantora Adriana Calcanhoto tem especial admiração pelo haicai, apesar de não escrevê-los, mas o poder de sedução dos versos exerce um fascínio especial sobre a compositora. Foi a motivação que a levou a optar pela compilação Haicai do Brasil, livro no qual ela reúne poemas de 33 autores brasileiros

Nomes que vão de Afrânio Peixoto a Manuel Bandeira, passando por Guilherme de Almeida e Capinan, mas sem esquecer Paulo Leminski, Mario Quintana e Carlos Drummond de Andrade, o haicai parece inevitável na poesia brasileira e, para Adriana, é mesmo. “A maioria dos nossos poetas em algum momento de sua trajetória aproxima-se do haicai. É, como o soneto, uma ótima forma para praticar poesia em forma fixa”, garante.

Haicai vem de haikai, palavra composta japonesa que significa brincadeira (hai) e harmonia (kay). Pela regra, eles têm dezessete sílabas, mas o rígido padrão japonês não se manteve entre os autores nacionais. O Haicai ganhou o mundo pela sua beleza moldada pela simplicidade. “Aprecio particularmente porque, como a poesia é síntese, o haicai seria a síntese da síntese. Pela economia de meios, pela ausência de ego, me interessa muito”, diz.Haicai do Brasil tem início com versos de Afrânio Peixoto, o primeiro, segundo historiadores, a praticar o gênero na poesia brasileira, no final do século 19.

Sobre o trabalho de Calcanhoto, o crítico Antonio Miranda, escreveu:

“Uma esmerada e oportuna antologia de haicais brasileiros, incluindo uma apresentação do tema pela organizadora da antologia e um texto final: “O Haicai e sua adaptação no Brasil”, por Eduardo Coelho. Um destaque especial e digno de admiração corre por conta de Adriana Calcanhoto que, além de seu interesse por poesia visual e haicais, é uma extraordinária cantautora. O livro, lançado na ocasião de uma das badaladas Flips — a original, de Paraty — apresenta efetivamente haicais dos mais notáveis poetas do gênero no Brasil, de Guilherme de Almeida a Leminski, pelo modernismo de Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, passando pelo irreverente Glauco Mattoso e pelas versões concretistas e experimentais de Décio Pignatari e Pedro Xisto, indo às criações mais livres de Millôr Fernandes e Mário Quintana, sem esquecer das “raízes” no tema em Teruko Oda. Como já divulgamos no nosso Portal criações de todos eles, ressaltamos e reproduzimos apenas dois ainda “inéditos” (no nosso caso): Maria Valéria Rezende, com um haicai com recurso concretista e do Satori Uso que prefere a disposição vertical do texto, mais próximo das criações orientais, para os seus trabalhos.”


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