segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Mais de 40 anos depois da exibição, “Iracema — Uma transa amazônica”, os problemas narrados no filme perduram até os dias de hoje



Em 1970, o cineasta Jorge Bodanzky, dirigiu “Iracema — Uma transa amazônica”, narrando a viagem de um caminhoneiro à região amazônica e o filme se tornou um marco, servindo como pretexto para que fossem mostrados problemas da região - desmatamento, más condições de trabalho e saúde, venda de camponeses em confronto com a fantasiosa propaganda institucional

Mais de quatro décadas depois, o filme revela-se mais atual do que nunca, já que os problemas ali expostos perduram até os dias de hoje, tendo sido incorporados muitos outros, a exemplo da criminalidade que assola a região Norte, a mais desprotegida e menos assistida do país

Em 1970, o caminhoneiro Tião Brasil Grande vai à Região Norte do país, onde conhece Iracema, uma índia prostituída. Juntos percorrem a região amazônica, cenário da expansão da rodovia Transamazônica, usada como propaganda do governo da ditadura militar. No caminho, interagem com moradores e observam os problemas provocados pela estrada, que, em vez do progresso prometido, trouxe desmatamento, queimadas, trabalho escravo e prostituição infantil para a região. Foi exibido pela primeira vez no país no Festival de Brasília de 1980, onde ganhou quatro prêmios, incluindo o de melhor filme.

Recentemente, Jorge Bodanzky, voltou à Brasília, onde viveu por muitos anos, para fazer as apresentações do curta-metragem da competitiva, Crônicas de uma cidade inventada e a diretora brasiliense Luísa Caetano entregou um filme perdido do colega paulista. Os caminhos de Valeres, o primeiro curta-metragem assinado por Bodanzky no período em que foi aluno da Universidade de Brasília (UnB), na década de 1960, estava desaparecido e foi encontrado na gaveta de um móvel antigo na casa da tia de Luísa, Valeres Caetano, protagonista da película universitária de Bodanzky.

Não foi o primeiro reencontro do cineasta paulistano com seu passado vivido em terras brasilienses. Ele foi aluno da primeira turma do Instituto de Artes da UnB, onde teve lições com Jean-Claude Bernardet, Paulo Emílio Salles Gomes, Athos Bulcão e o fotógrafo Luís Humberto. Foi embora da cidade logo depois da primeira demissão coletiva de professores da UnB, em 1965, decisão forçada pela perseguição ideológica do golpe militar.

Referência: CB

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