sábado, 18 de outubro de 2014

Duas décadas depois da unificação, a Alemanha tornou-se uma nação renovada, que respira originalidade e efervescência cultural

Museu em Nurembergue é dedicado à cultura alemã



A Alemanha se reinventou fortalecida pelas suas contradições, com um lado ocidental de estilo mais tradicional, enquanto a porção oriental assumiu o papel de palco principal dos movimentos criativos e underground. Esse espírito inquieto atrai não só milhares de visitantes como novos moradores e estudantes de todo o mundo, que aproveitam a diversidade cultural da locomotiva da União Europeia

A história cultural da Alemanha no final do século XIX e início do século XX está intimamente ligada ao processo de unificação nacional. O nascimento do 2º Reich (Império Alemão) provocou grande debate interno, necessário para o entendimento dos caminhos que a arte germânica percorreu até metade do século XX

As contribuições da Alemanha para o patrimônio cultural mundial são incontáveis, o que leva alguns autores a acreditar no "Gênio Alemão", celebrado no romantismo, uma das fases da história da arte onde a Alemanha teve uma proeminência invejável. País conhecido por muitos como das Land der Dichter und Denker (a terra dos poetas e dos pensadores), a Alemanha foi o berço de vultos importantíssimos na história da arte, com destaque especial para a música clássica

Música contemporânea

Nos anos 1970, a música alemã não tinha muito prestigio internacional, pois no topo das paradas musicais estavam apenas canções estrangeiras, notadamente da língua inglesa. Tudo isso mudou mesmo em meados dos anos 80, quando o Euro Musica estourou na Alemanha, grandes bandas de sucesso são: Modern Talking, com o seu primeiro hit que alcançou número um em vários países "You're my heart, you're my soul", Sandra Cretu com seu enorme sucesso "Maria Magdalena", C.C. Catch, com seu êxito mundial "I can lose my heart tonight", quase todos com uma coisa em comum: a maioria dos hits eram produzidos por Dieter Bohlen e eram cantados em inglês.

Nos anos 90, houve a queda de algumas bandas citadas acima: Nos Modern Talking ambos os membros brigaram, C.C. Catch entrou em depressão e Sandra Cretu continuou com sucesso até 1993, quando caiu em uma fase ruim, com menos sucesso. Muitas bandas foram criadas, mas com estilos diferentes como Blue System (criação de Dieter Bohlen depois dos Modern Talking) e Thomas Anders (ex-vocalista dos Modern Talking)

Já no final dos anos 90, houve novamente um estouro mundial, mas não com bandas novas e sim com as pioneiras da Euro disco/Euro dance, Modern Talking retorna, C.C. Catch sai de uma longa depressão e volta a cantar, Bad Boys Blue lança um álbum com sucessos antigos remisturados. Atualmente, os membros do Moderno Talking não estão mais juntos, C.C. Catch anda promovendo inúmeras tournées, Bad Boys Blue acabou de lançar um novo álbum e Sandra Cretu aparece em inúmeros canais de televisão, fazendo inúmeros shows pela Europa.

Artes Plásticas
No renascimento, Albrecht Dürer foi um dos nomes maiores. Max Ernst, no surrealismo; Franz Marc, na arte conceptual; Joseph Beuys no neo-expressionismo George Baselitz. Com o advento do nazismo, muitos intelectuais fugiram da Alemanha, devido às suas convicções políticas ou por serem de descendência judia. Os efeitos desta fuga ainda se faz sentir hoje na Alemanha.

O papel da cultura na Alemanha unificada
Em novembro de 1989, uma multidão eufórica pôs abaixo os 155 quilômetros do muro que, desde 1961, separou simbolicamente o Ocidente do bloco comunista durante os duros tempos da Guerra Fria. Entre as hercúleas tarefas da unificação, estava a inserção das culturas dos dois países que, a partir daquela data, tornavam-se uma só nação.

Vinte anos depois da unificação, no coração da cidade, os sinais da nova Berlim vão muito além das poucas ruínas que restaram de pé. O Potsdamer Platz exibe escombros do muro só para turista ver. Antes quase abandonado por conta da divisão da cidade, o centro agora exibe reluzentes prédios, como o complexo da Crysler e o Sony Center, que dão a dimensão do ritmo de mudança que a cidade se impôs.

O apreço pela cultura que era compartilhado por ambas Alemanhas ganhou uma nova dimensão com a capital unificada. A cidade possui intensa agenda cultural, com peças, exposições e concertos, aproveitando o grande número de teatros espalhados pelos dois lados da cidade. Os números falam por si: são 170 museus, oito orquestras sinfônicas e três companhias de ópera permanentes.

Com a tolerância levada a sério, existe uma postura divertida frente aos espetáculos mais inusitados e bizarros. Às vezes tudo é oferecido por um mesmo clube dependendo do dia da semana. Um das casas mais baladas é o Panoramabar, às margens do rio Spree. Os amantes do jazz também desfrutam de um circuito próprio de casas de shows, como o Yorckschlösschen, que atrai os melhores músicos da cena europeia e norte-americana.

Tascheles, o famoso edifício "okupa" invadido por artistas e agitadores sociais em 1990 para impedir sua demolição, continua de pé e ainda sedia artistas, que ali trabalham e expõem suas obras. Na ocupação, esses coletivos criaram uma comunidade com regras e estilo de vida alternativos. O Mitte, bairro onde se situam ateliês, reflete a renovação urbana sofrida na região e que aos poucos vai perdendo seu jeito alternativo com crescimento do comércio atraído pelos artistas.

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