terça-feira, 21 de outubro de 2014

Depois de algum tempo afastado dos romances, o titânico Tony Bellotto volta com “Bellini e o Labirinto”





Já faz tempo que os fãs de Remo Bellini não topam com o detetive pelas livrarias do país. Ao menos não na seção de lançamentos, perseguindo pistas pelos inferninhos de São Paulo, a trilha de My Baby’s Goneecoando ao fundo e Dora Lobo com uma nova missão em mãos


Tony Bellotto iniciou sua carreira literária em 1995 com um romance policial que originou a personagem Remo Bellini, um improvável investigador particular residente na cidade de São Paulo, ouvinte voraz de blues e – como uma espécie de requisito exigido pelo gênero – um homem incompreendido e desejado por diversas mulheres.

Criado pelo escritor e músico Tony Bellotto, o último caso do personagem foi “Bellini e os Espíritos”, lançado no distante ano de 2005. Desde então, ele escreveu três livros (Os Insones, No Buraco e Machu Picchu, nenhum deles com o detetive), manteve a agenda de shows com o grupo de rock Titãs e também a apresentação do ‘Afinando a Língua’, um programa sobre língua portuguesa exibido pelo Canal Futura. Mas como diria Bellini, “existe uma qualidade indispensável ao detetive: a paciência”. E é para os pacientes que agosto chega com uma boa notícia: o ilustre frequentador do Luar de Agosto voltou.

Três de seus oito romances apresentam o detetive Bellini. Uma dedicação comum aos escritores da narrativa policial que escolhem uma personagem-chave para suas histórias e, romance após romance, aprofundam suas dimensões, ampliam o universo que os envolve, não raro apresentando visões diferentes de pressupostos que o leitor imaginava imutáveis.

Narrativa mostra um escrito maduro

“Bellini e o Labirinto” demonstra a evolução narrativa de Bellotto, que entrega ao seu público um romance bem executado tanto em sua estrutura policial quanto na narrativa madura e equilibrada. Além de uma história investigativa, a trama utiliza-se de uma vertente comum nas sequências policiais, a de introduzir o próprio detetive como elemento da investigação, não sendo mais o policial um ser à parte que produz luz em acontecimentos de maneira imparcial. Ao dividir o foco entre a investigação padrão e o drama da personagem, a história duplica de intensidade.

Em “Bellini e O Labirinto”, Bellini deixa os becos pouco indicados de São Paulo e viaja até Goiânia para investigar o desaparecimento de um famoso cantor sertanejo, mas, conforme adentra as investigações, descobre que nem tudo parece óbvio, algo que toda boa narrativa policial carrega em suas linhas.

Dentro de um labirinto narrativo, esta obra parece o início de uma nova fase, claramente mais madura, do autor, ciente das tensões necessárias para compor um bom romance. Após diversas histórias entre altos e baixos, Bellini e o Labirinto situa-se em seu melhor, ainda que seja cedo demais para batizar esta obra de provável Cabeça Dinossauro – em referência aos álbuns dos Titãs – de sua carreira literária.

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